| Foto Constança Oliveira |
Ao contrário da véspera, quando o público era mais velho querendo ver os clássicos de diferentes eras, o último dia do Rock in Rio Lisboa foi tomado de jovens fãs de trap, subgênero musical derivado do hip hop nascido no início dos anos 2000 no sul dos Estados Unidos. No entanto, em meio a tantos artistas do gênero de diferentes partes do mundo quem acabou roubando a cena foi o estadunidense Ceelo Green.
Atração que fechou o Palco Super Bock, Green transformou o Parque Tejo numa grande festa e não deixou o público um segundo parado.
O show de Green não é exatamente um concerto em que uma canção vai se alternando a outra num set list baseado em canções de sua carreira. O cantor atua mais como uma espécie de DJ comandando uma grande festa formada por colagens e referências a diferentes hits de diversos artistas dos mais diferentes gêneros. Juntando isso a muito carisma e músicos que não param no palco, Green cria um caos dionisíaco em um show em que o excesso é virtude e o sentimento é de constante êxtase e movimento.
Green tinha apenas uma hora no palco, mas seu concerto é composto de trechos e citações de quase 40 canções, muitas delas clássicos do pop e do rock, causando a impressão de que ficamos ali por duas ou três horas. Sua energia no palco é sempre lá no alto.
Pode-se dividir o show de Green em três partes. Um aquecimento inicial em que ele dá o recado: “Vocês estão prontos para festejar?” Na sequência, um set poderosamente dançante em que ele canta trechos de “Don´t Stop Til Get Enough”, de Michael Jackson, “Let The Sunshine In”, “Need You Tonight” (INXS) entre outras.
Na sequência, o show vai esquentando metafórica e literalmente com alguns momentos de pirotecnia para explodir num set rock and rol em que Green canta trechos de “Ace of Spades”, do Motorhead (com direito a imagens de Lemmy no telão), “Jump” (Van Halen), “Song 2” (Blur), “Smells Like Teen Spirits” (Nirvana), “Sweet Child O´Mine” (Guns N´Roses), “Livin´On A Prayer” (Bon Jovi) e “Seven Nation Army” (White Stripes).
Depois da sequência roqueira, Green cantou dois dos seus sucessos (“Fuck You” e “Crazy”) e concluiu o show aparentemente com uma gafe. Na última canção, o cantor levou para o palco a bandeira de Portugal, mas ao fundo tocava “Magalenha”, canção do brasileiro Sérgio Mendes.
"Obrigado Portugal" – agradeceu Green antes de deixar o palco.
21 Savage concluiu o festival
| Central Cee - Foto @simaoallves |
Num dia em que o Palco Mundo foi todo dedicado ao trap, o brasileiro Matuê, o nigeriano Rema e o britânico Central Cee esquentaram a plateia para a grande atração da noite, o britânico 21 Savage.
Com quatro álbuns lançados, o mais recente deles What Happened To The Streets? (2025), Savage deu ao público uma mostra do seu material, mas não sem antes valorizar bastante o seu passe. Demorou trinta minutos para entrar no palco, período em que o DJ Marc B, comandou a festa com o público, e cantou por pouco menos de uma hora.
| Matuê - Foto André Saudade |
Durante a espécie de pré-show que vinha sendo comandado por Marc B, a apresentação teve que ser interrompida para o atendimento a alguém da plateia. Na sequência, Savage entrou no palco e apresentou o seu set numa vibração que contrastava com o que se vira com Ceelo Green alguns minutos antes. Savage fica muito mais parado no palco, canta as suas músicas e interage pouco com a plateia.
Nada, porém, que tivesse atrapalhado a experiência para seus fãs, que pareciam satisfeitos por verem o rapper.
Terminado o Rock in Rio Lisboa, o festival agora retorna em junho de 2028, quando novamente será realizado no Parque Tejo.
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