Um dos nomes fundamentais da história do reggae, os The Wailers subiram ao Palco Super Bock para uma verdadeira viagem espiritual e uma celebração do legado de Bob Marley. Minutos depois do concerto mais roqueiro dos 4 Non Blondes, coube aos The Wailers desacelerar um pouco o ritmo com a característica batida do reggae, seu ritmo lento e constante, o baixo marcado e a bateria simples e repetitiva dando aquela sensação de balanço e relaxamento.
Criado por Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer na década de 1960, os The Wailers logo viraram Bob Marley & The Wailers após a saída de Tosh e Wailer na década de 1970. A partir deste momento Marley começou a cantar especialmente com o apoio dos irmãos Aston e Carlton Barrett, respectivamente baixista e baterista da banda. Foi com esta segunda formação que Marley lançou álbuns clássicos como Exodus (1977) e Uprising (1980).
Com a morte do cantor e principal nome do reggae em 1981, o grupo seguiu como The Wailers sempre levando a mensagem de paz e amor de Marley e o legado musical do cantor para todas as suas apresentações. É por isso que quase todo o set list que se viu na sua apresentação no Rock in Rio Lisboa é formado por músicas do cantor. E esta acaba sendo a forma mais próxima possível de ter contato ao vivo com o som criado por Marley.
Hoje, o The Wailers é comandado pelo baterista Aston Barret Jr., filho de Aston, que faleceu em 2024. Com ele e mais Michael Brunings (vocal), Wenell “Junior Jazz” Ferraro (guitarra), Owen “Dreadie” Reid (baixo), Andres “lpez” Lopez (teclados), Teena “Tamara” Barnes (vocal) e Leonard “Lennie” Chen, como uma espécie de vibes man, os Wailers fizeram um show quase mágico no Rock in Rio Lisboa.
| Foto Vasco Prazeres |
No repertório, canções como “Is This Love”, “Stir It Up”, “I Shot The Sheriff”, “Three Little Birds”, “One Love”, “Jamming”, “Buffalo Soldier” e “Get Up, Stand Up” garantiram uma apresentação cheia de groove e que foi uma viagem pela história do reggae que os Wailers mantêm viva.
Além da música, o grupo se foca em passar a mensagem. Brunings constantemente faz questão de falar da mensagem de paz, amor e unidade.
"Façam barulho se vocês amam a música e se entendem a mensagem."
“Could You Be Loved” fechou a apresentação e passou o bastão para a geração seguinte do reggae que tocaria no palco mundo.
Shaggy mostra o seu gingado no Palco Mundo
| Foto Samuel Martins |
Não exatamente reggae, mas uma fusão de reggae com pop e hip hop foi o que se viu na sequência com o show de Shaggy no Palco Mundo.Um dos artistas que ganhou enorme popularidade nos anos 1990 com o estouro da música “Bombastic”, Shaggy subiu ao palco para entregar uma grande festa.
Com mais de 40 milhões de discos vendidos em todo o mundo, o cantor nascido na Jamaica - mas que fez toda a sua vida nos Estados Unidos, para onde se mudou ainda jovem -, entregou um show cercado de hits da primeira (“In The Summertime”) a última música (“Feel The Rush”).
Simpático com a plateia, Shaggy manteve o público no Parque Tejo entretido e dançando o tempo todo com suas músicas mais declamadas do que cantadas e uma certa energia de festa de rua que combina com canções que fizeram a sua fama como “It Wasn´t Me” e “Angel”.
Meio canastrão, Shaggy brincou que gosta de ver as mulheres na frente do palco e os homens atrás, perguntou onde estavam as “mulheres bonitas” para depois “se corrigir” e dizer “fortes e independentes mulheres”. Mais a frente, o cantor diria que não veio para o Rock in Rio pelo tempo, pela comida ou pela erva, que ele diz serem bons na Jamaica, mas pelas mulheres de Portugal. Foi a deixa para cantar um dos seus grandes sucessos, “Hey Sexy Lady”.
Shaggy ainda cantou “Lottery”, música do seu novo álbum lançado neste ano, mas foram músicas como “Mad Mad World” e “Feel The Rush”, que fechou a apresentação que fizeram a alegria dos seus fãs.
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Rock in Rio Lisboa
