The Wailers entrega viagem espiritual e celebra o legado de Bob Marley no Rock in Rio Lisboa

Foto David Oliveira


Um dos nomes fundamentais da história do reggae, os The Wailers subiram ao Palco Super Bock para uma verdadeira viagem espiritual e uma celebração do legado de Bob Marley. Minutos depois do concerto mais roqueiro dos 4 Non Blondes, coube aos The Wailers desacelerar um pouco o ritmo com a característica batida do reggae, seu ritmo lento e constante, o baixo marcado e a bateria simples e repetitiva dando aquela sensação de balanço e relaxamento.

Criado por Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer na década de 1960, os The Wailers logo viraram Bob Marley & The Wailers após a saída de Tosh e Wailer na década de 1970. A partir deste momento Marley começou a cantar especialmente com o apoio dos irmãos Aston e Carlton Barrett, respectivamente baixista e baterista da banda. Foi com esta segunda formação que Marley lançou álbuns clássicos como Exodus (1977) e Uprising (1980).


Com a morte do cantor e principal nome do reggae em 1981, o grupo seguiu como The Wailers sempre levando a mensagem de paz e amor de Marley e o legado musical do cantor para todas as suas apresentações. É por isso que quase todo o set list que se viu na sua apresentação no Rock in Rio Lisboa é formado por músicas do cantor. E esta acaba sendo a forma mais próxima possível de ter contato ao vivo com o som criado por Marley.

Hoje, o The Wailers é comandado pelo baterista Aston Barret Jr., filho de Aston, que faleceu em 2024. Com ele e mais Michael Brunings (vocal), Wenell “Junior Jazz” Ferraro (guitarra), Owen “Dreadie” Reid (baixo), Andres “lpez” Lopez (teclados), Teena “Tamara” Barnes (vocal) e Leonard “Lennie” Chen, como uma espécie de vibes man, os Wailers fizeram um show quase mágico no Rock in Rio Lisboa.

Foto Vasco Prazeres

No repertório, canções como “Is This Love”, “Stir It Up”, “I Shot The Sheriff”, “Three Little Birds”, “One Love”, “Jamming”, “Buffalo Soldier” e “Get Up, Stand Up” garantiram uma apresentação cheia de groove e que foi uma viagem pela história do reggae que os Wailers mantêm viva.

Além da música, o grupo se foca em passar a mensagem. Brunings constantemente faz questão de falar da mensagem de paz, amor e unidade.

"Façam barulho se vocês amam a música e se entendem a mensagem."

“Could You Be Loved” fechou a apresentação e passou o bastão para a geração seguinte do reggae que tocaria no palco mundo.

Shaggy mostra o seu gingado no Palco Mundo

Foto Samuel Martins

Não exatamente reggae, mas uma fusão de reggae com pop e hip hop foi o que se viu na sequência com o show de Shaggy no Palco Mundo.Um dos artistas que ganhou enorme popularidade nos anos 1990 com o estouro da música “Bombastic”, Shaggy subiu ao palco para entregar uma grande festa. 

Com mais de 40 milhões de discos vendidos em todo o mundo, o cantor nascido na Jamaica - mas que fez toda a sua vida nos Estados Unidos, para onde se mudou ainda jovem -, entregou um show cercado de hits da primeira (“In The Summertime”) a última música (“Feel The Rush”). 

Simpático com a plateia, Shaggy manteve o público no Parque Tejo entretido e dançando o tempo todo com suas músicas mais declamadas do que cantadas e uma certa energia de festa de rua que combina com canções que fizeram a sua fama como “It Wasn´t Me” e “Angel”.


Meio canastrão, Shaggy brincou que gosta de ver as mulheres na frente do palco e os homens atrás, perguntou onde estavam as “mulheres bonitas” para depois “se corrigir” e dizer “fortes e independentes mulheres”. Mais a frente, o cantor diria que não veio para o Rock in Rio pelo tempo, pela comida ou pela erva, que ele diz serem bons na Jamaica, mas pelas mulheres de Portugal. Foi a deixa para cantar um dos seus grandes sucessos, “Hey Sexy Lady”.

Shaggy ainda cantou “Lottery”, música do seu novo álbum lançado neste ano, mas foram músicas como “Mad Mad World” e “Feel The Rush”, que fechou a apresentação que fizeram a alegria dos seus fãs.

Marcelo Alves

Acredita que o bom rock and roll consiste em dois elementos: algumas ideias na cabeça e guitarras no amplificador. Fã de cinema e do rock nas suas mais variadas vertentes, já cobriu diversas edições do Rock in Rio no Rio e em Lisboa e uma do Monsters of Rock. Desde 2014, faz colaborações para o site "Rock on Board". Já trabalhou em veículos como os jornais "O Globo" e "O Fluminense".

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