Cólera: uma lenda que se recusa a parar

Foto: Mazzei (@mazzei.br)

O Cólera segue trabalhando sem parar. Com agenda lotada e shows por todo o país, a banda vive um dos momentos mais ativos de sua trajetória.

Relembrando os últimos capítulos dessa história…

Enquanto preparava os planos para 2025, a banda recebeu o convite de Jeferson Bem, que apresentou o projeto Red Star Sessions e convidou o Cólera para integrar a série. A resposta foi imediata. Em dezembro de 2024, a banda realizou um show antológico na Red Star: casa cheia, repertório repleto de clássicos e um público simplesmente ensandecido.

Em 2025, o grupo comemorou os 40 anos de “Tente Mudar o Amanhã”, seu álbum de estreia, lançado em 1985. A celebração veio acompanhada de uma extensa turnê e do relançamento do disco pela Três Selos / Nada Nada Discos, em uma edição luxuosa. Houve ainda um box set limitado, recheado de memorabilia — pôsteres, fotografias, pin, adesivos, camiseta e um álbum inédito com o registro ao vivo do show de lançamento do LP, realizado em 1985.

Em meio à turnê comemorativa, a banda também relançou uma edição especial em vinil de “Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico”, álbum originalmente lançado em 1992. A nova prensagem teve ótima recepção entre os colecionadores e ainda restam poucas cópias disponíveis.


Rebellion Festivals (UK / 2023) - Foto: Dusan Kilco

No fim daquele ano, aproveitando uma turnê conjunta com o Ratos de Porão pelo Sul do país – algo que não acontecia havia décadas, as bandas agendaram também uma apresentação em São Paulo para celebrar os 40 anos do raríssimo “Cólera & Ratos de Porão ao Vivo no Lira Paulistana”.

E 2026 começou em ritmo acelerado.

Em parceria com a Läjä Records, do Fábio Mozine, do Mukeka di Rato, a Redsound Discos, capitaneada pelo baixista Val Pinheiro, lançou pela primeira vez em vinil “Acorde! Acorde! Acorde!”, álbum originalmente lançado em 2018 apenas em CD pela EAEO Records. O disco reúne as últimas composições inéditas de Redson Pozzi.

Também em 2026, chegou a vez de comemorar os 40 anos de “Pela Paz em Todo Mundo”, relançado em edição especial pela Três Selos, Rocinante e Redsound Discos. Paralelamente, a banda segue cruzando o Brasil em uma turnê dedicada a celebrar esse clássico.

E o ritmo não diminui. Ainda nesta semana chega ao mercado o aguardado relançamento de “Verde, Não Devaste!”, álbum originalmente lançado em 1988 e há muitos anos fora de catálogo. A nova edição mantém o já reconhecido padrão de qualidade de Mateus Mondini à frente da Nada Nada Discos, Três Selos e Rocinante Discos: capa empastada, vinil verde de 180 gramas e uma reprodução fiel do encarte original, em formato de fanzine.


Foto: Mazzei (@mazzei.br)

E vale lembrar: “Pela Paz em Todo Mundo” não é apenas um dos discos mais importantes da história do punk brasileiro. É um álbum reverenciado mundialmente, responsável por projetar o nome do Cólera para muito além das fronteiras do país e consolidar sua importância na cena punk internacional.

É nesse contexto que chega ao mercado “Red Star Sessions #2”, segundo lançamento da série iniciada pela Red Star com o álbum do Devotos. O disco registra aquele memorável show realizado em dezembro de 2024 e impressiona também pelo cuidado gráfico: vinil duplo transparente de 180 gramas, capa gatefold e 29 faixas que percorrem praticamente toda a trajetória da banda.

Val Pinheiro e Pierre, acompanhados há mais de uma década por Wendel e Fábio, demonstram que o legado do Cólera está muito longe de se encerrar. A chama permanece acesa. A banda continua produzindo, continua na estrada e deixa claro que não há qualquer intenção de diminuir o ritmo.

Em tempos em que tantas bandas históricas vivem apenas da nostalgia, o Cólera faz justamente o contrário: olha para sua história com orgulho, mas continua escrevendo novos capítulos. “Red Star Sessions #2” é mais um deles.

Foto: Mazzei (@mazzei.br)


Ricardo Cachorrão

Ricardo “Cachorrão” é o velho chato gente boa que não pede licença pra gostar de música. Viciado em rock and roll, formou opinião longe de rádio, longe de MTV e perto demais de pilhas de discos e revistas. Tem alergia a banda cover, respeito profundo por discos obscuros do Frank Zappa e ainda sai sorrindo de um show do Iron Maiden — mas é no calor, no barulho e no caos dos buracos punk da periferia que se sente vivo de verdade. Já escreveu para Rock Brigade, Kiss FM, Portal Rock Press e a Revista Eletrônica do Conservatório Souza Lima. Está no Rock On Board desde o começo — e não pretende sair tão cedo.

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