Primeiro dia de Rock in Rio Lisboa mostra a força da nova música cantada em português

Foto: Hugo Moreira / Rock in Rio Lisboa

A segunda edição do Rock in Rio Lisboa realizada no Parque Tejo reafirmou uma de suas maiores qualidades exibidas na edição anterior: o acerto em dar um espaço maior dado à música cantada em português. 


Se na edição anterior, vimos grupos lendários e/ou muito queridos do público local como Ornatos Violeta, Pluto, Peste & Sida e Capitão Fausto, a edição de 2026 do festival abriu com uma reafirmação de novos talentos surgidos a partir da segunda década deste século. 


Um dos destaques do primeiro dia foi o NAPA. O grupo da Ilha da Madeira formado por Francisco Sousa (guitarra), João Guilherme Gomes (vocal e guitarra), João Rodrigues (bateria), Diogo Góis (baixo), e João Lourenço Gomes (piano) estourou a partir da música “Deslocado”, que representou Portugal no Eurovisão de 2025. Apresentando-se em um dos palcos secundários do festival, os NAPA mostraram todo o seu repertório pop rock indie, com letras introspectivas e bonitos arranjos que os aproximam muito do conterrâneo Capitão Fausto. 


Especialmente a partir da segunda metade, quando cantou alguns sucessos como “Senso Comum” e seu refrão “as vezes sabe tão bem mandar alguém à merda”, o Napa mostrou que já tem um público bem fiel e que canta boa parte das suas músicas. 


Além das suas músicas mais conhecidas, o NAPA apresentou durante o show “Sortudo”, novo single lançado nesta sexta-feira e que estará no novo álbum da banda. A canção mantém o estilo que tem consagrado a banda com guitarras suaves e um vocal intimista. 


Calema coloca todo mundo para dançar 


Antes do NAPA, o Calema foi a primeira atração do Palco Mundo. O duo de São Tomé e Príncipe é muito popular em Portugal. Tanto que eles já se apresentaram em grandes espaços como o Estádio da Luz, do Benfica. 


Sua popularidade foi mais do que comprovada pelo fato de o Parque Tejo já estar desde cedo lotado, o que foi notado pelos irmãos António Mendes Ferreira e Fradique Mendes Ferreira, que agradeceram a presença de todos num dos dois dias do festival com ingressos esgotados. 


  • É bom ver a música cantada em português em palcos como este. Obrigado pelo carinho. Estamos aqui para festejar a lusofonia - disse António. 


Os irmãos cresceram influenciados por sonoridades africanas, música lusófona, kizomba, pop e R&B. Essa mistura se tornou a principal característica do Calema, que tem quatro álbuns lançados desde 2010. 


O forte do duo são as canções românticas, mas sempre com um molejo que fizeram o público presente no Parque Tejo dançar e cantar sucessos como “Te Amo”, “A nossa dança” e “O nosso amor”. 


No palco, o Calema ainda recebeu o cantor de Angola Anderson Màrio e ainda exibiu orgulhoso as bandeiras de Portugal e do Brasil enquanto cantavam uma de suas músicas, mostrando que o show foi mesmo uma grande celebração da lusofonia. 

Marcelo Alves

Acredita que o bom rock and roll consiste em dois elementos: algumas ideias na cabeça e guitarras no amplificador. Fã de cinema e do rock nas suas mais variadas vertentes, já cobriu diversas edições do Rock in Rio no Rio e em Lisboa e uma do Monsters of Rock. Desde 2014, faz colaborações para o site "Rock on Board". Já trabalhou em veículos como os jornais "O Globo" e "O Fluminense".

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