Linkin Park cala os céticos em show emocionante no Rock in Rio Lisboa

Foto: Instagram @rockinriolisboa

Uma das bandas que mais despertavam curiosidade neste Rock in Rio Lisboa era o Linkin Park. Desde a morte do vocalista Chester Bennington em 2017, o grupo entrou num natural e longo hiato. Até que em 2023, a banda anunciou o seu retorno com a cantora Emily Armstrong nos vocais. A escolha dividiu o público e gerou forte reação de parte dos fãs, especialmente da ala mais conservadora. Isso não impediu que o grupo seguisse em frente. No ano seguinte o Linkin Park lançaria From Zero, primeiro álbum com Armostrong nos vocais, e começaria a lotar shows pelo mundo e se apresentar em alguns festivais.  

A boa recepção de From Zero por parte da crítica e em parte do público ajudou a diminuir um pouco a aversão com a vocalista. E se ainda havia algum cético sobre a competência de Armstrong para substituir Bennington ela foi dirimida após a nostálgica e emocionante apresentação da banda no Rock in Rio Lisboa.

Diante de um Parque Tejo lotado – os ingressos do Linkin Park foram os primeiros a esgotar nesta edição do festival – a banda americana deixou todos os seus fãs rendidos. Por onde se olhava, não tinha um que não entoasse os versos dos sucessos surgidos nos últimos 26 anos. Sem contar naqueles que já veem com carinho algumas canções de From Zero.

Com Armstrong, o Linkin Park adotou uma sonoridade mais moderna, misturando rock alternativo com um tom mais hard rock. Há todo um foco em criar uma atmosfera, especialmente na primeira metade do show dividido em quatro atos. Ao mesmo tempo, nota-se uma pequena redução do papel do rap no som. Isso é um pouco fruto das novas músicas do Linkin Park que saem de From Zero e ocupam uma parte considerável do show. São seis das 11 músicas do álbum cantadas no concerto. Algumas muito bem recebidas como a boa “Heavy is the Crown”, “Two Faced” e “The Emptiness Machine”, que abriu a apresentação do grupo no Parque Tejo.

Um novo Linkin Park

Além da recepção calorosa, percebe-se que o público entende que há um novo Linkin Park em construção no palco. Um Linkin Park obviamente diferente, que ainda está se entrosando e buscando o equilíbrio entre o presente/futuro e o passado construído com o vocalista que faleceu. Mas isso é algo que só se vai ganhar com o tempo e o eventual lançamento de novos trabalhos.

Como é natural, Armstrong sente-se mais à vontade com as canções de From Zero, mas a vocalista cumpre bem o papel de substituir Bennington em músicas como “Crawling” e “Somewhere I Belong”. Em outros momentos, Armstrong incentiva o público a cantar alguns trechos de músicas marcantes do antigo vocalista.

No entanto, isso não quer dizer que Armstrong não esteja integrada no grupo. Pelo contrário, nota-se como é bom o entrosamento e como funciona bem a dinâmica com o guitarrista e também vocalista Mike Shinoda.

É este Linkin Park que vive entre dois mundos que os fãs terão que aprender a apreciar agora. Mas a julgar pela reação emocionada do público em canções como “Breaking the Habit”, “Numb”, “In the End” e “Faint” e pela boa recepção das músicas de “From Zero”, o Linkin Park está no caminho certo para seguir em frente em sua nova vida.


O jornalista Marcelo Alves, correspondente do Rock On Board em Portugal, acompanhou o show presencialmente no Parque Tejo, em Lisboa.

Marcelo Alves

Acredita que o bom rock and roll consiste em dois elementos: algumas ideias na cabeça e guitarras no amplificador. Fã de cinema e do rock nas suas mais variadas vertentes, já cobriu diversas edições do Rock in Rio no Rio e em Lisboa e uma do Monsters of Rock. Desde 2014, faz colaborações para o site "Rock on Board". Já trabalhou em veículos como os jornais "O Globo" e "O Fluminense".

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