A boa recepção de From Zero por parte da crítica e em parte do público ajudou a diminuir um pouco a aversão com a vocalista. E se ainda havia algum cético sobre a competência de Armstrong para substituir Bennington ela foi dirimida após a nostálgica e emocionante apresentação da banda no Rock in Rio Lisboa.
Diante de um Parque Tejo lotado – os ingressos do Linkin Park foram os primeiros a esgotar nesta edição do festival – a banda americana deixou todos os seus fãs rendidos. Por onde se olhava, não tinha um que não entoasse os versos dos sucessos surgidos nos últimos 26 anos. Sem contar naqueles que já veem com carinho algumas canções de From Zero.
Com Armstrong, o Linkin Park adotou uma sonoridade mais moderna, misturando rock alternativo com um tom mais hard rock. Há todo um foco em criar uma atmosfera, especialmente na primeira metade do show dividido em quatro atos. Ao mesmo tempo, nota-se uma pequena redução do papel do rap no som. Isso é um pouco fruto das novas músicas do Linkin Park que saem de From Zero e ocupam uma parte considerável do show. São seis das 11 músicas do álbum cantadas no concerto. Algumas muito bem recebidas como a boa “Heavy is the Crown”, “Two Faced” e “The Emptiness Machine”, que abriu a apresentação do grupo no Parque Tejo.
Um novo Linkin Park
Além da recepção calorosa, percebe-se que o público entende que há um novo Linkin Park em construção no palco. Um Linkin Park obviamente diferente, que ainda está se entrosando e buscando o equilíbrio entre o presente/futuro e o passado construído com o vocalista que faleceu. Mas isso é algo que só se vai ganhar com o tempo e o eventual lançamento de novos trabalhos.
Como é natural, Armstrong sente-se mais à vontade com as canções de From Zero, mas a vocalista cumpre bem o papel de substituir Bennington em músicas como “Crawling” e “Somewhere I Belong”. Em outros momentos, Armstrong incentiva o público a cantar alguns trechos de músicas marcantes do antigo vocalista.
No entanto, isso não quer dizer que Armstrong não esteja integrada no grupo. Pelo contrário, nota-se como é bom o entrosamento e como funciona bem a dinâmica com o guitarrista e também vocalista Mike Shinoda.
É este Linkin Park que vive entre dois mundos que os fãs terão que aprender a apreciar agora. Mas a julgar pela reação emocionada do público em canções como “Breaking the Habit”, “Numb”, “In the End” e “Faint” e pela boa recepção das músicas de “From Zero”, o Linkin Park está no caminho certo para seguir em frente em sua nova vida.
O jornalista Marcelo Alves, correspondente do Rock On Board em Portugal, acompanhou o show presencialmente no Parque Tejo, em Lisboa.

