Katy Perry apresenta novo show e nova música no Rock in Rio Lisboa

Foto: Marcelo Alves / Rock On Board

Katy Perry é uma das artistas que têm a cara do Rock in Rio. A cantora nascida na Califórnia oferece tudo o que o festival acredita como receita de sucesso para o seu público: um show que tem muitos hits e também é uma experiência positiva, alegre e satisfatória. Pode-se gostar ou não da cantora, gostar ou não da sua voz, mas Perry sabe entregar um espetáculo que é uma enorme experiência sensorial tal qual algumas de suas colegas do mundo pop. 

Foi um show deste tipo que se viu no encerramento do primeiro dia de Rock in Rio Lisboa. O público que esteve no Parque Tejo teve ainda chance de ver o novo show de Perry que, segundo a própria cantora, era apenas a segunda vez que ela estava apresentando. 

Críticas ao IA: "Eu não sou um robô"

No novo show Perry embala toda a sua enorme quantidade de hits - logo de cara ela emenda “Califórnia Girls”, “Teenage Dream” e “Last Friday night” - com uma visão crítica sobre a artificialidade da vida em que vivemos. Não é que seja uma crítica profunda, afinal, estamos falando de um show que tem como principal função trazer entretenimento e alegria aos fãs da cantora. Entretanto, a postura dela é clara quando entra no palco com uma camisa onde se pode ver escrito “Eu não sou um robô” e quando ela critica o uso exacerbado de Inteligência Artificial.

- Use a tecnologia como uma ferramenta - disse a cantora no meio do show. - Faça com que a AI seja a sua vadia.

Entre uma música e outra, Perry também exibia mensagens que são quase aforismos de autoajuda no telão. Frases como “Cancele a inscrição para ganhar vida”, “Se você faz sempre o mesmo, vai receber o mesmo”, “Quando o aluno está preparado, o professor aparece”, “A energia flui para onde a atenção vai” e “O preço está no processo”. 

Perry parece estar querendo chamar a atenção para um estado de humanidade num mundo artificial, ainda que talvez a mensagem seja um tanto quanto diluída em um concerto que é tomado de estímulos. 

"25% portuguesa" 

Simpática, Perry brincou com o público, agradeceu a presença maciça dos fãs num dos dias do festival que teve ingressos esgotados e fez questão de falar sobre suas raízes portuguesas. Um antepassado dela é dos Açores. 

- Eu sou 25% portuguesa! Meu tataravô era dos Açores. Onde estão os meus primos? – perguntou.

A cantora ainda comentou que estava usando o mesmo figurino usado num show em Portugal em 2008. E comprovou mostrando uma imagem do show realizado naquele ano no Campo Pequeno, em Lisboa, um espaço que nunca caberia as milhares de pessoas que foram vê-la na primeira noite do Rock in Rio Lisboa. O que mostra como o seu público cresceu nos últimos 18 anos.

Num outro momento ela fez uma pausa no show para brincar de fazer prompts de AI numa tela no palco, no que o público prontamente respondeu à brincadeira reagindo a frases como “A tentar parecer sóbrio”, “Acabei de ver o meu ex” e “Sendo perseguido por paparazzis”. 

Um show repleto de hits

Mas é suas músicas que se concentram a qualidade do show de Perry. São raros os momentos em que ela não solta um hit que anima o público. Além das três primeiras canções, o espetáculo tem “ET”, “Dark Horse”, “Part of me”, “The one that go away”, “Legendaray Lovers”, “Hot N Cold” e um dos seus primeiros grandes hits “I Kissed a girl”, quando a cantora entrou numa garrafa de plástico gigante e passeou por cima de parte da plateia.

Houve ainda espaço para a cantora apresentar uma música nova. “Watch it burn” é uma canção pop que fala sobre transformar o sofrimento do passado em força e, para isso, é preciso queimar simbolicamente este passado para seguir em frente.

Esta é uma canção que conecta com um antigo sucesso de Perry, “Roar”, a penúltima música do show. Antes de cantá-la, Perry diz que chegou a perder a confiança no passado, passou por momentos não muito agradáveis, mas voltou a encontrar o seu “roar”, a sua voz, a sua força. Depois disso, ela emenda numa bonita interpretação da música, que ganhou um tom mais de balada antes de encerrar num momento apoteótico e emocionante.

“Fireworks” encerrou a noite em que Perry entregou tudo o que seus fãs queriam: hits, emoção, lições, bom humor, carinho, simpatia e um espetáculo digno de um headliner de Rock in Rio.

Marcelo Alves

Acredita que o bom rock and roll consiste em dois elementos: algumas ideias na cabeça e guitarras no amplificador. Fã de cinema e do rock nas suas mais variadas vertentes, já cobriu diversas edições do Rock in Rio no Rio e em Lisboa e uma do Monsters of Rock. Desde 2014, faz colaborações para o site "Rock on Board". Já trabalhou em veículos como os jornais "O Globo" e "O Fluminense".

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