Foi um show deste tipo que se viu no encerramento do primeiro dia de Rock in Rio Lisboa. O público que esteve no Parque Tejo teve ainda chance de ver o novo show de Perry que, segundo a própria cantora, era apenas a segunda vez que ela estava apresentando.
Críticas ao IA: "Eu não sou um robô"
No novo show Perry embala toda a sua enorme quantidade de hits - logo de cara ela emenda “Califórnia Girls”, “Teenage Dream” e “Last Friday night” - com uma visão crítica sobre a artificialidade da vida em que vivemos. Não é que seja uma crítica profunda, afinal, estamos falando de um show que tem como principal função trazer entretenimento e alegria aos fãs da cantora. Entretanto, a postura dela é clara quando entra no palco com uma camisa onde se pode ver escrito “Eu não sou um robô” e quando ela critica o uso exacerbado de Inteligência Artificial.
- Use a tecnologia como uma ferramenta - disse a cantora no meio do show. - Faça com que a AI seja a sua vadia.
Entre uma música e outra, Perry também exibia mensagens que são quase aforismos de autoajuda no telão. Frases como “Cancele a inscrição para ganhar vida”, “Se você faz sempre o mesmo, vai receber o mesmo”, “Quando o aluno está preparado, o professor aparece”, “A energia flui para onde a atenção vai” e “O preço está no processo”.
Perry parece estar querendo chamar a atenção para um estado de humanidade num mundo artificial, ainda que talvez a mensagem seja um tanto quanto diluída em um concerto que é tomado de estímulos.
"24% portuguesa"
Simpática, Perry brincou com o público, agradeceu a presença maciça dos fãs num dos dias do festival que teve ingressos esgotados e fez questão de falar sobre suas raízes portuguesas. Um antepassado dela é dos Açores.
- Eu sou 24% portuguesa! Meu tataravô era dos Açores. Onde estão os meus primos? – perguntou.
A cantora ainda comentou que estava usando o mesmo figurino usado num show em Portugal em 2008. E comprovou mostrando uma imagem do show realizado naquele ano no Campo Pequeno, em Lisboa, um espaço que nunca caberia as milhares de pessoas que foram vê-la na primeira noite do Rock in Rio Lisboa. O que mostra como o seu público cresceu nos últimos 18 anos.
Num outro momento ela fez uma pausa no show para brincar de fazer prompts de AI numa tela no palco, no que o público prontamente respondeu à brincadeira reagindo a frases como “A tentar parecer sóbrio”, “Acabei de ver o meu ex” e “Sendo perseguido por paparazzis”.
Um show repleto de hits
Mas são nas suas músicas que se concentram a qualidade do show de Perry. São raros os momentos em que ela não solta um hit que anima o público. Além das três primeiras canções, o espetáculo tem “ET”, “Dark Horse”, “Part of me”, “The one that go away”, “Legendaray Lovers”, “Hot N Cold” e um dos seus primeiros grandes hits, “I Kissed a girl”, quando a cantora entrou numa garrafa de plástico gigante e passeou por cima de parte da plateia.
Houve ainda espaço para a cantora apresentar uma música nova. “Watch it burn” é uma canção pop que fala sobre transformar o sofrimento do passado em força e, para isso, é preciso queimar simbolicamente este passado para seguir em frente.
Esta é uma canção que conecta com um antigo sucesso de Perry, “Roar”, a penúltima música do show. Antes de cantá-la, Perry diz que no passado chegou a perder a confiança, passou por momentos não muito agradáveis, mas voltou a encontrar o seu “roar”, a sua voz, a sua força. Depois disso, ela emenda numa bonita interpretação da música, que ganhou um tom mais de balada antes de encerrar num momento apoteótico e emocionante.
“Fireworks” encerrou
a noite em que Perry entregou tudo o que seus fãs queriam: hits, emoção,
lições, bom humor, carinho, simpatia e um espetáculo digno de um headliner de
Rock in Rio.
O jornalista Marcelo Alves, correspondente do Rock On Board em Portugal, acompanhou o show presencialmente no Parque Tejo, em Lisboa.

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