Maior representante do chamado “Gothenburg Sound”, o In Flames chegou ao Bangers Open Air cercado de expectativa. O lançamento de Foregone (2023) reacendeu debates sobre uma possível volta às raízes do death metal melódico — mas, ao vivo, a banda deixou claro que sua identidade vai muito além de nostalgia.
A abertura com “Pinball Map” parecia indicar um set voltado aos fãs mais antigos. Mas foi só impressão. A sequência com “The Great Deceiver” e a já consolidada “Deliver Us” mostrou um grupo confortável em transitar entre fases, com forte inclinação para o material pós-2000 — justamente o período que os levou ao sucesso global.
No comando, Anders Fridén apareceu com um visual despojado — camiseta branca, zero firula —, mas com a mesma potência vocal de sempre. Seguro, carismático e direto, conduziu uma apresentação marcada por peso e fluidez. Mérito também da qualidade sonora, que valorizou cada detalhe do show.
A velha discussão sobre “voltar às origens” perde força diante de uma evidência simples: o In Flames construiu sua relevância mundial com essa sonoridade mais moderna. E o público parece não só aceitar — como celebrar isso. O coro de “Olê, olê, olê… In Flames!” ecoando entre as músicas deixou isso bem claro.
Após agradecer a recepção, Fridén ainda brincou com a plateia pedindo silêncio — “temos só 75 minutos” — antes de puxar “Only for the Weak”, um dos momentos mais catárticos da noite. Ali, ficou evidente: nenhuma banda teve uma resposta tão intensa do público no primeiro dia do festival.
A nova “Meet Your Maker” sintetizou bem essa fase híbrida, equilibrando peso e melodia, com direito a um solo afiado de Chris Broderick — subaproveitado em alguns momentos, é verdade, mas ainda assim cirúrgico quando chamado. Ao lado dele, Björn Gelotte manteve a consistência que é marca registrada da banda.
Na reta final, “I Am Above” trouxe groove e refrão grudento, preparando o terreno para “Take This Life”, que fechou o set em alta. Antes disso, Fridén fez questão de um discurso sincero, agradecendo público, produção e o momento vivido.
Sem precisar olhar para trás, o In Flames entregou um show sólido, atual e extremamente eficiente. Mais do que responder expectativas, a banda reafirmou seu lugar — e, para muitos, protagonizou o melhor show do primeiro dia do festival.
