| Foto: Eclenir Pinheiro Ferraz |
Formado
em 1995, na cidade de Vitória, no Espírito Santo, o Mukeka Di Rato, que hoje
tem em sua formação Fepas (vocal e guitarra), Brek (bateria), Mozine (baixo e
vocal) e Paulista (guitarra e vocal), chegou ao palco do Sesc Belenzinho com a
turnê de seu nono álbum, "Generais de Fralda", lançado pela Deckdisc, com
produção de Rafael Ramos. Um trabalho recente que mantém viva — e necessária —
a chama do hardcore visceral e combativo da banda.
Antes
do show, como já virou tradição para quem conhece o Mukeka, uma verdadeira
“feirinha” se forma na banca de merchandising. Mozine, também à frente da Läjä
Records, comanda o espaço, e a fila era enorme para comprar LPs, CDs, DVDs,
fitas K7, camisetas, meias, bonés, patches, livros, adesivos e tudo o que se
pode criar em torno de uma banda que entende seu próprio tamanho dentro da
cena.
Com
sua já conhecida postura antifascista, letras diretas e afiadas — que passam
por temas como corrupção, racismo e opressão, sem abrir mão do humor ácido — a
banda iniciou o show pontualmente às 20h30. A abertura contou com um vídeo que
introduz Generais de Fralda, seguido pela execução completa de “Pela Paz”, do
Cólera. Cantada em uníssono, a música emocionou Val, baixista da banda paulista,
presente por acaso na plateia para prestigiar os amigos capixabas.
Com
um repertório extenso — 41 músicas previstas no setlist, 38 executadas — o
espetáculo percorreu os 31 anos de carreira do grupo com precisão. Clássicos
como “Minha Escolinha”, do "Pasqualin na Terra do Xupa-Kabra", fizeram o público
explodir, cantando verso por verso. Já faixas mais recentes, como “Humano
Fracasso”, de Boiada Suicida — álbum que marca a estreia de Fepas — foram
recebidas com o mesmo entusiasmo.
Na
metade do show, o clima atingiu um de seus pontos mais intensos. Puxado pela
banda, o público respondeu em coro com o já clássico “Hey, Bolsonaro, vai tomar
no cu!”, transformando o espaço em algo além de um show — um retrato direto do
momento.
No
palco, Mozine falou pouco. Em um dos raros momentos, lembrou que Rodrigo Lima, do Dead Fish, presente na plateia, é autor de uma das músicas do repertório e citou a entrada
de Fepas na banda a partir de Boiada Suicida. Fora isso, o show seguiu sem
respiro — “pau puro”, música atrás de música, sem concessões.
Ao
final, a banda manteve a proximidade com o público, atendendo fãs em fila para
fotos e autógrafos. No camarim, o clima era de missão cumprida: reencontros,
celebração e a presença de amigos e nomes da cena, como membros de Dead Fish,
Cólera e Deserdados, todos no mesmo espaço, sem hierarquia, apenas celebrando o
momento.
O
Mukeka Di Rato não sobe ao palco para celebrar o passado — sobe para confrontar
o presente. Diante de uma casa cheia no Sesc Belenzinho, entre coros políticos,
clássicos e faixas novas, a banda deixou claro que seu discurso segue urgente.
Não é sobre nostalgia. É sobre necessidade.
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