15 anos de "Wasting Light": o melhor disco do Foo Fighters?


Em 2011, Dave Grohl decidiu fazer em casa um dos melhores discos de rock da carreira. A ideia era simples: reunir alguns amigos em seu home studio, convidar um dos produtores mais emblemáticos do grunge e gravar tudo em fita analógica, na garagem de sua casa, com a banda tocando junta, sem atalhos. Era um retorno à essência.

E talvez seja exatamente aí que mora o argumento principal de quem defende o Wasting Light como o melhor da carreira: o álbum não soa como um disco calculado — soa como uma banda viva.

Há também alguns fatores simbólicos importantes. O retorno de Pat Smear novamente como membro oficial reforça a conexão com o passado, enquanto a produção de Butch Vig — o mesmo de Nevermind — e as participações de Krist Novoselic (baixista do Nirvana) e o herói de Grohl, Bob Mould, só adicionam uma camada histórica que não é apenas estética, mas emocional ao disco.

Um disco de guitarras caprichadas


Quinze anos depois, Wasting Light é um marco consolidado na carreira do Foo FightersSe lá em 2011 já era evidente a vitalidade da banda, hoje fica ainda mais claro que esse registro foi um ponto de afirmação. Talvez o trabalho mais pesado desde One By One, sim — mas, acima de tudo, um disco onde tudo encaixa. As guitarras seguem com timbres encorpados, os riffs continuam afiados, e a sensação de banda tocando “na veia” permanece intacta.

Comparado a clássicos como The Colour and the Shape ou There Is Nothing Left to Lose, Wasting Light pode até não ser o mais dinâmico ou o mais “cool”. Mas o tempo mostrou outra coisa: ele funciona como um resumo perfeito do que o Foo Fighters faz de melhor. É coeso, direto e honesto — sem gordura, sem distrações.


Da virada explosiva de Taylor Hawkins em “Bridge Burning” até o clímax catártico de “Walk”, o disco segue como uma descarga contínua de energia. E talvez esse seja um dos seus maiores trunfos: ainda hoje é difícil destacar apenas algumas faixas. Wasting Light continua sendo um álbum para ouvir do início ao fim, como uma experiência completa — algo cada vez mais raro.

“Rope” segue firme como um dos grandes singles da banda, enquanto “White Limo” mantém o status de porrada sonora — eternizada também pelo clipe caótico com Lemmy Kilmister. Já faixas como “A Matter of Time” e “Back & Forth” reforçam essa proposta sem freios: riffs na frente, volume alto e zero concessões.

Nada de baladas, aqui é rock!

Outro ponto que o tempo deixou mais evidente: a ausência de baladas mais óbvias. “These Days” até flerta com isso, mas nunca abandona a tensão. Hoje, essa escolha soa ainda mais acertada — Wasting Light é um disco que não quebra sua própria energia em nenhum momento.


E aí vem a pergunta que só o tempo pode responder: isso é “mais do mesmo”? Quinze anos depois, a resposta é clara — é mais do que funciona. Mais do que é verdadeiro. Mais do que é rock.

Porque, no fim das contas, Wasting Light virou exatamente aquilo que prometia lá atrás: uma prova definitiva de que nunca foi uma boa ideia duvidar do Foo Fighters.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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