O Roxette é um dos maiores vendedores de discos da Suécia, com números impressionantes que superam os 80 milhões. Após o luto, Per Gessle decidiu trazer de volta aos palcos seu filho de maior sucesso. Pelo coral de vozes que ecoou no Vivo Rio nos primeiros versos de "The Big L." — canção que abre o show na Cidade Maravilhosa —, sabemos que nada mudou.
O coração são as canções, e isso o Roxette nunca perdeu. A trilha sonora de milhões de brasileiros continua viva.
Desta vez, Per trouxe a cantora convidada Lena Philipsson, que não tenta ocupar o lugar deixado por Marie Fredriksson. Na verdade, o Roxette 2026 é realmente a banda do Per, rodeado por músicos altamente experientes que dão reforço a um repertório maior que qualquer integrante. Três guitarras, um baixo, percussão, bateria e teclados encorpam cada segundo de uma apresentação perfeita.
Lena agrega e apoia o que sempre foi evidente: Roxette é a banda do Per. O líder canta praticamente a noite toda e sempre está na frente do palco; Lena, múltiplas vezes, fica com o resto dos músicos atrás. O duo formado por Per e Lena canta e encanta; temos ainda a percussionista fazendo backing vocals.
O Repertório: Hits de FM e Relíquias
O setlist foca nos hits de FM de 1989 até 1999. Realmente, tudo vira um mar de vozes enaltecendo até aquela canção que ninguém lembra que foi single. Assim, por exemplo, "Church of Your Heart" é apresentada em uma versão coral com violão. — "Esta canção nós ensaiamos no avião vindo para cá; decidimos incluí-la no setlist do show de hoje", revelou Per.
Lena, logo no começo, afirma: "Esta é a minha primeira vez na América do Sul e no Brasil. Muito obrigada". Per chega falando: "Queremos ouvir as suas vozes; cantem mesmo que não saibam as letras".
O show completo é uma celebração coletiva do catálogo de uma banda que continua ativa no streaming, com 16 milhões de ouvintes mensais no Spotify, que colocou múltiplas canções no primeiro lugar da Billboard e fez parte de trilhas sonoras de novelas.
Mas, para quem acha que tudo pode ser muito óbvio, brega ou velho, os suecos vieram preparados para jogar duas horas de partida de futebol no palco, com direito ao Hino Nacional Brasileiro tocado na guitarra elétrica, para delírio da plateia que amou o tributo um pouco antes do bis.
Uma Enxurrada de Sucessos
Depois de uma sequência de hits de quase 1h40 — incluindo "Crash! Boom! Bang!", "Dress For Success", "Wish I Could Fly", "Stars", "Fading Like a Flower" e "She's Got Nothing On (But the Radio)" —, a superbalada "It Must Have Been Love", com a plateia berrando a letra, e uma versão de "Almost Unreal", onde escutamos a perfeição do pop rock sueco.
A canção poderia ser facilmente a base de qualquer hit dos últimos 30 anos; Roxette é uma máquina de perfeição sonora ao vivo. Além disso, fazem versões rock guiadas por guitarras para "How Do You Do!" e "Dangerous", apresentadas em uma sequência imediata, sem interrupção.
Uma festa real: alguns pulam, muitos dançam em grupo. Braços para o alto, cantoria generalizada. Depois do hino nacional, num solo de guitarra, aparece "Joyride" e uma chuva de balões coloridos jogados pelos fãs sentados nos camarotes do segundo andar da casa.
Era extasiante a sensação: o Roxette não vive da lembrança ou da dor do falecimento. O telão abstrato apresentou, a noite toda, o nome da banda colorido e múltiplas animações gráficas, estrelas e luzes. Um Roxette vivo, dinâmico e altamente roqueiro.
O Gran Finale
A banda faz uma pausa. As luzes no escuro avisam que o show não terminou, mas parte da plateia começa a sair. Claro, faltam ainda várias baladas... Per Gessle volta uns cinco minutos depois, com uma camisa branca de mangas compridas, pronto para terminar a cerimônia Roxette 2026 no Rio.
Sem piedade, começam com as maiores baladas: "Spending My Time" e "Listen To Your Heart". Celulares no alto, cantoria incessante. Lena dirige o coral com o seu microfone. Diversão generalizada.
A versão apresentada de "Listen to Your Heart" destaca o poder da power ballad; o Roxette no palco parece Heart, Bon Jovi ou Skid Row. É emocionante ver uma canção com mais de 30 anos ganhar uma versão tão animada e viva. Os solos de guitarra são de tirar o fôlego. Absolutamente nada que possa parecer "brega" tem o Roxette que está rodando o planeta com Lena Philipsson; isto é devoção ao vivo.
Os hits não terminam. "The Look" ganha uma megaversão estendida, quase uma jam session ao vivo com um verdadeiro hino do pop rock dos anos 80. Para despedir a noite com gritos e a multidão na palma da mão, o número final é "Queen of Rain".
Após uma tragédia que leva a figura central de um grupo, recomeçar é difícil. Festejar o legado de canções que continuam tocando o coração de milhões de pessoas é um desafio e um dever.
Per Gessle e Lena Philipsson conseguiram o impossível: honrar o passado sem ficar presos a ele, transformando a ausência em uma presença sonora esmagadora que reafirma que as boas canções são, de fato, eternas.
A banda se apresenta em São Paulo no dia 14 de abril, no Espaço Unimed. Se você quer cantar e sentir alegria no coração, não deixe de ir.
O show no Vivo Rio, na noite do domingo, 12 de abril, provou que o Roxette 2026 não é um exercício de nostalgia melancólica, mas sim uma celebração vibrante de vida.
