Cypress Hill em São Paulo: Show na Audio Club supera Lollapalooza com explosão de Rap e Rock

Foto: Wanderson Fernandes

No último domingo, 22 de março de 2026, a Audio Club, em São Paulo, foi palco de uma verdadeira celebração da cultura hip-hop com tempero rock’n’roll. O show do Cypress Hill não foi apenas mais uma apresentação na agenda da banda — foi uma experiência intensa, energética e, para muitos fãs, inesquecível.

Uma noite mais aguardada que o festival

Vindo de uma apresentação no Lollapalooza Brasil no dia anterior, o grupo deixou claro durante o show que havia uma expectativa especial para o encontro mais intimista com os fãs paulistanos. E isso ficou evidente desde os primeiros minutos: a entrega no palco e a resposta do público transformaram a Audio em um caldeirão fervente de energia.

A conexão entre banda e plateia pode não ter sido baseada em longos discursos ou interações constantes, mas foi construída na intensidade. Cada batida, cada verso e cada refrão ecoaram com força, criando um ambiente de comunhão musical.

Foto: Wanderson Fernandes

Setlist poderoso: clássicos, surpresas e influências do rock

O Cypress Hill mostrou por que é uma das maiores referências do hip-hop mundial ao montar um setlist que equilibrou perfeitamente seus maiores sucessos com momentos surpreendentes.

Clássicos como “Insane in the Brain” ou “How I Could Just Kill a Man", amplamente conhecidos por sua presença em jogos como Tony Hawk’s Pro Skater e GTA: San Andreas, “Latin Thugs”, que ficou famosa por ser trilha do filme As Branquelas e “Hits from the Bong”, que se tornou um hino cultural ao longo das décadas, levaram o público ao delírio.

Outro destaque foi “Rock Superstar”, faixa que simboliza bem a fusão entre rap e rock — algo que a banda explorou ainda mais durante a noite. Logo no início da apresentação, DJ Lord fez a plateia gritar ao som de “Enter Sandman”, do Metallica e, mais ou menos no meio do set, aproveitando o momento para fazer uma crítica aos políticos corruptos do mundo, B-Real fez uma versão impressionante de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine, mostrando a versatilidade sonora de Cypress Hill, que ajudou a consolidar sua relevância ao longo dos anos.

Essa mistura de estilos deu ao show uma dinâmica única, transitando entre o peso do rock e a cadência do hip-hop com naturalidade.

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Presença de palco e dinâmica entre os integrantes

A formação clássica brilhou no palco. B-Real, com sua voz inconfundível, comandou boa parte do show, mas também surpreendeu ao assumir a percussão em determinados momentos — uma mudança que abriu espaço para Sen Dog se destacar ainda mais nos vocais, trazendo uma energia complementar que elevou a performance.

DJ Lord manteve a base sólida com beats precisos e atmosferas densas, enquanto Eric Bobo contribuiu com a percussão e presença cênica, reforçando a identidade sonora do grupo.

Essa dinâmica entre os integrantes trouxe variedade ao show e evitou qualquer sensação de repetição, mantendo o público constantemente engajado.


Foto: Wanderson Fernandes

Energia que marcou época

Se havia alguma dúvida sobre qual apresentação seria mais especial — o festival ou o show solo — o Cypress Hill respondeu no palco. A apresentação na Audio Club teve um clima mais cru, mais próximo e, acima de tudo, mais intenso.

A casa, conhecida por sua acústica e proximidade com o público, potencializou a experiência, transformando o show em algo quase histórico para os fãs presentes.

O Cypress Hill provou mais uma vez porque segue relevante após décadas de carreira. Com um show que uniu nostalgia, peso e inovação, a banda entregou uma performance memorável em São Paulo.

Para quem esteve presente, ficou a sensação de ter participado de algo único. Para quem não foi, fica a certeza: quando o Cypress Hill retorna ao Brasil, não é apenas um show — é um evento.

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Carol Goldenberg

Advogada, jornalista musical e guitarrista, mas acima de tudo, amante da música desde sempre. Roadie, guitar tech e exploradora de shows e festivais pelo mundo, vivendo cada acorde como se fosse único e cada plateia como um novo universo.

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