Uma noite mais aguardada que o festival
Vindo de uma apresentação no Lollapalooza Brasil no dia anterior, o grupo deixou claro durante o show que havia uma expectativa especial para o encontro mais intimista com os fãs paulistanos. E isso ficou evidente desde os primeiros minutos: a entrega no palco e a resposta do público transformaram a Audio em um caldeirão fervente de energia.
A conexão entre banda e plateia pode não ter sido baseada em longos discursos ou interações constantes, mas foi construída na intensidade. Cada batida, cada verso e cada refrão ecoaram com força, criando um ambiente de comunhão musical.
Setlist poderoso: clássicos, surpresas e influências do rock
O Cypress Hill mostrou por que é uma das maiores referências do hip-hop mundial ao montar um setlist que equilibrou perfeitamente seus maiores sucessos com momentos surpreendentes.
Clássicos como “Insane in the Brain” ou “How I Could Just Kill a Man", amplamente conhecidos por sua presença em jogos como Tony Hawk’s Pro Skater e GTA: San Andreas, “Latin Thugs”, que ficou famosa por ser trilha do filme As Branquelas e “Hits from the Bong”, que se tornou um hino cultural ao longo das décadas, levaram o público ao delírio.
Outro destaque foi “Rock Superstar”, faixa que simboliza bem a fusão entre rap e rock — algo que a banda explorou ainda mais durante a noite. Logo no início da apresentação, DJ Lord fez a plateia gritar ao som de “Enter Sandman”, do Metallica e, mais ou menos no meio do set, aproveitando o momento para fazer uma crítica aos políticos corruptos do mundo, B-Real fez uma versão impressionante de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine, mostrando a versatilidade sonora de Cypress Hill, que ajudou a consolidar sua relevância ao longo dos anos.
Essa mistura de estilos deu ao show uma dinâmica única, transitando entre o peso do rock e a cadência do hip-hop com naturalidade.
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Presença de palco e dinâmica entre os integrantes
A formação clássica brilhou no palco. B-Real, com sua voz inconfundível, comandou boa parte do show, mas também surpreendeu ao assumir a percussão em determinados momentos — uma mudança que abriu espaço para Sen Dog se destacar ainda mais nos vocais, trazendo uma energia complementar que elevou a performance.
DJ Lord manteve a base sólida com beats precisos e atmosferas densas, enquanto Eric Bobo contribuiu com a percussão e presença cênica, reforçando a identidade sonora do grupo.
Essa dinâmica entre os integrantes trouxe variedade ao show e evitou qualquer sensação de repetição, mantendo o público constantemente engajado.
Energia que marcou época
Se havia alguma dúvida sobre qual apresentação seria mais especial — o festival ou o show solo — o Cypress Hill respondeu no palco. A apresentação na Audio Club teve um clima mais cru, mais próximo e, acima de tudo, mais intenso.
A casa, conhecida por sua acústica e proximidade com o público, potencializou a experiência, transformando o show em algo quase histórico para os fãs presentes.
O Cypress Hill provou mais uma vez porque segue relevante após décadas de carreira. Com um show que uniu nostalgia, peso e inovação, a banda entregou uma performance memorável em São Paulo.
Para quem esteve presente, ficou a sensação de ter participado de algo único. Para quem não foi, fica a certeza: quando o Cypress Hill retorna ao Brasil, não é apenas um show — é um evento.
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