The Hives: a abertura perfeita para o show do My Chemical Romance em São Paulo

 
Se você está guardando todas as energias apenas para a apresentação completa de The Black Parade, do My Chemical Romance, é melhor recalibrar as expectativas. Antes disso, um furacão sueco chamado The Hives está prestes a explodir no palco do Allianz Parque, às 19h30, nos dias 5 e 6 de fevereiro. Os shows no Brasil são uma parceria da 30e com a Move Concerts.


Diretamente de Fagersta, na Suécia, o The Hives se consolidou no início dos anos 2000 como uma das bandas mais explosivas — e visualmente mais distintas — do movimento garage rock revival. Ternos pretos e brancos, coreografias quase robóticas e uma postura de “homens-bomba” prontos para detonar o palco fazem parte do pacote.

Mundialmente conhecidos pela energia frenética e pela arrogância cômica assumida, eles transformaram os ternos uniformizados em marca registrada. Nada ali é improvisado — o caos é meticulosamente ensaiado.

Mais de 30 anos com lenha na fogueira

Com mais de 30 anos de estrada e uma autoconfiança que beira o absurdo, o The Hives promete entregar um dos shows de abertura mais insanos que São Paulo já viu. Se tiver tempo, faça um favor a si mesmo: assista antes a um show completo da banda, como o alucinante Live at Rock am Ring. Isso muda tudo.

Não é exagero dizer que o The Hives é frequentemente citado por críticos como uma das melhores bandas de palco da história. Muito disso se deve às acrobacias e à verborragia do vocalista Pelle Almqvist, que passa boa parte do show conversando com a plateia — inclusive em um portunhol tão engraçado quanto eficiente.
 
 
Abertura perfeita para uma noite de festa

Enquanto o My Chemical Romance definia o som do emo nos anos 2000, o The Hives liderava o Garage Rock Revival com mão firme e riffs afiados. O álbum que mudou tudo foi Veni Vidi Vicious (2000). Com o hit global “Hate to Say I Told You So”, a banda provou que o rock cru, direto e sem firulas ainda podia dominar paradas e trilhas sonoras — incluindo FIFA 2002 e Homem-Aranha, com Tobey Maguire.


Se você conhece apenas uma música do The Hives, é essa. É o momento em que o estádio inteiro vai pular junto, guiado por um dos riffs mais reconhecíveis dos anos 2000.

Embora lançada originalmente em 2000, a faixa só estourou de verdade em 2002, quando foi relançada globalmente e incluída nessas trilhas sonoras que viraram fenômeno cultural. Especialmente no Brasil e na Europa, o impacto foi enorme: milhões de jovens conheceram a banda fora do circuito tradicional da MTV e das revistas como a NME.

Em três décadas de carreira, o The Hives lançou sete álbuns de estúdio. Sempre conhecidos por não ter pressa entre lançamentos, eles surpreenderam ao acelerar o passo recentemente.

The Hives Forever Forever The Hives, lançado em 29 de agosto de 2025, marca uma fase extremamente ativa da banda, chegando apenas dois anos após o retorno triunfal com The Death of Randy Fitzsimmons (2023), disco que encerrou um hiato de 11 anos sem material inédito e foi aclamado como um resgate vigoroso das raízes punk do grupo.


O lançamento rápido de um novo álbum tão pouco tempo depois pegou indústria, críticos e fãs de surpresa.


No som, Forever The Hives mantém a clássica sensação de “estúdio ao vivo” que a banda domina como poucas. O disco foi recebido como uma celebração do que eles fazem melhor: riffs curtos e certeiros, a bateria metralhadora de Chris Dangerous e as letras sarcásticas de Pelle.

Entre os destaques da tracklist estão “Enough Is Enough”, que já começa com o pé cravado no acelerador, “Paint a Picture” e a faixa-título “The Hives Forever Forever The Hives”, que encerra o disco de forma estrondosa e dominante.

O título repetitivo é uma provocação bem-humorada: uma brincadeira com a ideia de que o The Hives é “imortal” — e que o garage rock deles nunca sai de moda. Visualmente, os ternos continuam, agora com novos detalhes que reforçam essa noção de eternidade.

Para quem quer entender o The Hives, o segredo é simples: energia e velocidade

Um “starter pack” essencial misturaria os clássicos com o material recente: além de Hate to Say I Told You So, pedradas como “Tick Tick Boom”, “Walk Idiot Walk”, “Bogus Operandi” (o single do retorno em 2023), “Main Offender” — punk rock rápido e direto em pouco mais de dois minutos — e “Come On!”, do álbum Lex Hives, talvez a música mais curta, tribal e frenética do repertório. Um soco pensado para estádios.

O The Hives mantém uma relação longa com o Brasil. Contando os shows marcados para fevereiro de 2026, a banda já se apresentou em São Paulo pelo menos oito vezes, ao longo de seis visitas ao país.
 
 
Em abril de 2025, o grupo esteve na capital paulista apenas para compromissos promocionais — rádio, TV e imprensa — sem apresentações ao vivo. A visita foi estratégica, preparando o terreno para o lançamento de The Hives Forever Forever The Hives.

Como eles já haviam feito um show solo efervescente no Tokio Marine Hall, em outubro de 2024, encerrando a turnê do álbum anterior, a passagem de 2025 foi puramente de aquecimento. Marketing bem feito.

Por algum motivo, o The Hives nunca se tornou unanimidade no Brasil, mesmo abrindo para o Arctic Monkeys e passando por festivais como Lollapalooza e Primavera Sound.

Seriam os ternos? A velocidade?

The Hives no Lollapalooza Brasil 2013 [Foto: Bruno Eduardo / Rock On Board]
 
Em tempos de déficit de atenção coletiva, talvez seja rápido demais. Ou cômico demais. Para alguns, pode parecer uma caricatura sem legenda — um relâmpago que passa rápido demais.

Mas uma coisa é certa: não existem agitadores de torcida melhores. Mestres de cerimônia perfeitos para testar o fôlego de um estádio lotado antes do My Chemical Romance.

“Nós não somos uma banda do ontem. Somos uma banda do futuro — mesmo que o futuro se pareça exatamente conosco.”
Howlin’ Pelle Almqvist 

Loquillo Panamá

Nômade agregador de ritmos musicais e fanático por shows. Está sempre correndo atrás de novidades para multiplicar e informar os amantes de boa música.

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