O My Chemical Romance volta ao Brasil após 18 anos carregando a coroa de uma banda que venceu a batalha do tempo. Eles fazem história ao apresentar o rock com identidade própria. Reduzir o som do grupo a um rótulo estético é um erro para uma banda de tamanha complexidade artística.
Emo? Hardcore emocional? Pop punk gótico? A temática de suas canções nunca foi definida por cortes de cabelo, maquiagem ou figurino. O My Chemical Romance sempre operou em um território mais amplo — onde música, narrativa e emoção caminham juntas.
Lançado em 2006, The Black Parade sobrevive até hoje como uma obra madura e consistente: uma verdadeira peça de teatro musical, com início, meio e fim. O público abraçou seus personagens como metáforas da própria vida. O álbum atravessou gerações e se tornou muito mais do que um gênero, moda ou fase.
Os dois shows, com alta procura por ingressos, no Allianz Parque, nos dias 5 e 6 de fevereiro de 2026, comprovam como a banda soube moldar seu som a partir de influências que vão do punk e hardcore ao pós-punk e rock gótico. O MCR não apenas resistiu ao tempo — influenciou duas décadas de música alternativa. Os shows no Brasil são uma parceria da 30e com a Move Concerts.
My Chemical Romance vive.
A Ressurreição da Ópera Rock no Allianz Parque
Após 18 anos de espera, o My Chemical Romance retorna ao Brasil para um evento histórico. Nos dias 5 e 6 de fevereiro de 2026, o Allianz Parque será palco de uma experiência imersiva baseada na turnê atual da banda: a execução integral de The Black Parade, álbum que transformou o grupo de Nova Jersey em um dos nomes mais importantes do rock dos anos 2000.
A noite ganha ainda mais força com a abertura dos suecos do The Hives, em um encontro que conecta gerações e estilos.
O espetáculo: uma distopia teatral
Mais do que um show, a apresentação se estrutura como uma ópera rock ambientada em Draag, uma autocracia distópica inspirada em regimes totalitários do século XX. O palco é dominado por um “olho que tudo vê”, clara referência a 1984, de George Orwell, enquanto slogans de obediência surgem nos telões em Keposhka, idioma fictício criado pelo designer Nate Piekos.
Personagens complementam a narrativa: uma enfermeira autoritária, médicos que administram pílulas aos músicos e figuras que reforçam a sensação de controle absoluto. Em um gesto simbólico, o guitarrista Frank Iero cospe o comprimido, levantando a dúvida central do espetáculo: estamos em uma prisão, um hospital ou um país sob censura?
The Black Parade ao vivo, na íntegra
A primeira parte do show é dedicada às 13 faixas do álbum. A história acompanha “O Paciente”, um homem enfrentando o câncer terminal e a transição para a morte.
A abertura com “The End.” e “Dead!” estabelece o tom. Em “Cancer”, Gerard Way entrega uma performance contida e emocional; em “Mama”, assume movimentos burlescos, como se fosse ele próprio um fantoche do sistema.
O clímax chega em “Famous Last Words”, com sinalizadores, fogo e explosões visuais. O encerramento acontece com a faixa escondida “Blood”, em uma cena teatral que fecha o arco narrativo com violência simbólica e melancolia.
O segundo ato: o lado humano e os hinos
Após o peso conceitual, os uniformes militares ficam para trás. De jeans e camisetas, a banda retorna para um segundo ato focado em sua discografia completa. Clássicos como “I’m Not Okay (I Promise)”, “Na Na Na” e o encerramento com “Helena” são aguardados pelo público.
O set costuma incluir ainda faixas dos primeiros álbuns, como “Vampires Will Never Hurt You”, além da densa e recente “The Foundations of Decay”.
O legado de uma geração
O que o público verá em São Paulo é a consolidação definitiva de The Black Parade como um marco do rock alternativo. Uma obra que superou o rótulo “emo” para se tornar símbolo de resiliência, luto e memória coletiva.
Como diz o hino: “The memory will carry on.”
E o My Chemical Romance segue carregando essa memória — vivo, relevante e necessário.
Tags
My Chemical Romance

