A história por trás da primeira tatuagem de Mike Patton, feita na casa de João Gordo

Foto: Arquivo pessoal do Tatuador @marv.tt
Mike Patton nunca foi um artista previsível. Ícone do rock, vocalista de bandas como Faith No More, Mr. Bungle e Dead Cross, ele sempre transitou entre o caos criativo e a reinvenção pessoal. Ainda assim, havia algo inédito em sua trajetória: Mike Patton nunca havia feito uma tatuagem. Até agora.

Durante sua mais recente passagem pelo Brasil, o músico decidiu marcar o corpo pela primeira vez — e escolheu fazer isso em solo brasileiro, com um tatuador local. O responsável foi Marcus Vinicius, artista residente em São Paulo, que contou em entrevista exclusiva ao Rock On Board como viveu esse momento único ao tatuar um dos nomes mais importantes da música mundial.

Como Mike Patton chegou até o tatuador brasileiro

A conexão aconteceu de forma quase improvável, mas muito orgânica. Marcus conta que, apesar de conhecer a obra de Mike Patton, jamais imaginou que um dia o tatuaria. A ponte veio por meio de Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, e de João Gordo, vocalista dos Ratos de Porão — que, além de amigo de longa data de Patton, é sogro do tatuador.


Quando Mike manifestou o desejo de fazer uma tatuagem, pediu indicações. O nome de Marcus surgiu naturalmente, e a decisão foi rápida: Patton conheceu o trabalho do artista, gostou do estilo e topou fazer ali mesmo. Foi tudo por indicação. O Andreas passou o contato, o João Gordo falou de mim, e quando eu vi, o Mike Patton estava vindo tatuar comigo”.
Foto: Arquivo pessoal do Tatuador @marv.tt

Um “X” que simboliza sobriedade e recomeço

A tatuagem escolhida não foi aleatória. Mike Patton decidiu tatuar um “X” em cada mão, símbolo do movimento Straight Edge, associado a um estilo de vida sem álcool, drogas ou excessos. Segundo Marcus, o próprio Patton explicou que estava há tempos sóbrio e queria que aquela tatuagem representasse um compromisso pessoal com essa nova fase da vida: Ele me contou que sempre falou que ia fazer essa tatuagem com um amigo dele, mas esse amigo acabou tendo algumas recaídas. Quando ele veio para o Brasil, tudo acabou casando e ele resolveu fazer aqui.

Embora sua esposa seja toda tatuada, Patton sempre adiou a própria primeira tattoo. O momento, no entanto, parecia certo. A decisão foi totalmente dele — o tatuador apenas executou aquilo que já vinha carregado de significado.

Uma sessão íntima, longe do clima tradicional de estúdio
Foto: Arquivo pessoal do Tatuador @marv.tt
Apesar da importância histórica do momento, a sessão foi tudo menos tensa. Marcus descreve um ambiente familiar, descontraído e acolhedor. Nada de estúdio silencioso ou clima solene: rolou conversa, risadas e vídeos antigos de punk e metal tocando ao fundo. Tudo realizado entre amigos, na casa de João Gordo.

Entre os presentes estavam Dave Lombardo, lendário baterista do Slayer, e Michael Crain, músico que também acabou sendo tatuado na mesma ocasião. Curiosamente, Marcus só percebeu a dimensão daquele encontro depois que tudo acabou: Para mim, ele era mais uma pessoa.. Depois que todo mundo foi embora eu pensei: ‘Caralho, eu tatuei essas pessoas. - disse o tatuador.

O momento em que “a ficha caiu”

Para o tatuador, a real dimensão do feito só veio dias depois, durante o show de Mike Patton no Allianz Parque. Ao ver sua tatuagem exibida no telão, para milhares de pessoas, Marcus finalmente entendeu o tamanho daquele momento.

Mensagens começaram a chegar de todos os cantos do mundo, perguntas surgiram, e a tatuagem virou assunto entre fãs. Patton, orgulhoso, fez questão de exibir o “X” diversas vezes durante a apresentação.

Foi um sonho, resume Marcus. Um daqueles momentos que não se repetem — e que ficam marcados para sempre, tanto na pele de quem recebe quanto na memória de quem tatua.

Um marco pessoal e profissional

Além do peso simbólico para Mike Patton, a tatuagem também representa um divisor de águas na carreira do tatuador. Recém-chegado a São Paulo, Marcus vê esse episódio como a confirmação de que está no caminho certo, fazendo exatamente o que ama: desenhar e tatuar.

Hoje, ele segue produzindo na capital paulista e compartilha seu trabalho nas redes sociais, carregando no currículo algo que poucos podem dizer: foi ele quem fez a primeira tatuagem de Mike Patton — no Brasil.
Foto: Arquivo pessoal do Tatuador @marv.tt

Carol Goldenberg

Advogada, jornalista musical e guitarrista, mas acima de tudo, amante da música desde sempre. Roadie, guitar tech e exploradora de shows e festivais pelo mundo, vivendo cada acorde como se fosse único e cada plateia como um novo universo.

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