Poucas bandas do rock brasileiro carregam um peso simbólico tão grande quanto o Rodox. Ativa por um período curtíssimo no início dos anos 2000, a banda formada por Rodolfo Abrantes, após sua saída do Raimundos, virou sinônimo de ruptura, intensidade e inconformismo — musical e existencial. Agora, com o anúncio de uma turnê de reunião, o Rodox volta a ocupar um espaço que nunca deixou de existir no imaginário de quem viveu aquela fase.
Mesmo decidido a seguir um caminho próprio e sem considerar um retorno aos Raimundos, o Rodox nunca saiu do radar dos fãs. Em entrevista ao Rock On Board, há mais de uma década, o vocalista explicou o motivo de não ter seguido em frente com o grupo: "Era uma baita banda, mas como eu era o único cristão ficou difícil cumprir com o propósito original", disse na época.
A reunião do grupo traz a sua formação quase original: com Rodolfo Abrantes (vocal), Pedro Nogueira (guitarra), Patrick Laplan (baixo) e Fernando Schaefer (bateria). A única exceção é o guitarrista Victor Pradella que ocupa no lugar de Marcus Ardanuy, que recusou o convite por motivos particulares. Inicialmente, o Rodox tem 15 shows marcados no Brasil, incluindo uma apresentação no Festival Porão do Rock.
Por que essa reunião importa agora?
A turnê de reunião do Rodox não acontece por acaso. Ela surge num momento em que o público brasileiro tem revisitado, com mais atenção e respeito, os anos 2000 como um período fértil do rock nacional, especialmente fora do eixo mainstream. Além disso, há uma geração inteira que conheceu o Rodox depois do fim da banda — pela internet, por vídeos antigos, por recomendações quase míticas.
Outro fator que aumenta o interesse em cima do grupo, é o fato dos fãs poderem ver Rodolfo mais uma vez numa banda de rock, já que o músico vinha dedicado apenas ao seu projeto solo gospel, com canções de estilo musical mais variado.
Uma banda que nunca caiu no esquecimento
O Rodox é uma banda que surgiu num momento de ruptura, e talvez por isso, causou um impacto poderoso na memória dos seus fãs. A saída de Rodolfo dos Raimundos foi cercada de ruído, incompreensão e choque de expectativas. Enquanto muitos esperavam um projeto que mantivesse alguma ligação com o passado, o Rodox seguiu pelo caminho oposto: som mais pesado, letras mais densas e um discurso que refletia transformações pessoais profundas do vocalista.
A marca do Rodox sempre foi maior do que seu tempo de estrada. Em pouco mais de dois anos de atividade, a banda lançou dois discos — Estreito (2002) e Rodox (2003) — que rapidamente caíram no gosto dos fãs. Hits como "Olhos Abertos", "Dia Quente", "Foi Bom Esperar" e "De Costas Para o Sol", ganharam grande veiculação nas rádios e na MTV Brasil, ajudando a impulsionar a banda no cenário nacional.
Datas da turnê:
10/04: São Paulo (Carioca Club)
11/04: Belo Horizonte (Mister Rock)
16/04: Curitiba (Tork n Roll)
17/04: Porto Alegre (Opinião)
18/04: Florianópolis (Jonh Bull)
24/04: Rio de Janeiro (Sacadura 154)
30/04: Campinas (Santo Rock Bar)
01/05: Belém (em breve)
02/05: Manaus (Porão do Alemão)
08/05: Recife (Armazém 14)
09/05: Fortaleza (Dragon Hall)
16/05: Cariacica (Matrix Hall)
21/05: Goiânia (Bolshoi Pub)
22/05 ou 23/05: Brasília (Porão do Rock) — data a definir
05/06: Santo André (Santo Rock Bar)

