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ENTREVISTA: Rodolfo Abrantes é um exemplo de que o rock é mutável ao extremo

Rodolfo Abrantes falou com o Rock On Board sobre presente, passado e futuro

Por  Bruno Eduardo 

O rock é um estilo universal. Grandes exemplos de comoção popular vêm muito provenientes da identificação do público (juvenil ou não) com o que o artista expõe dentro do mainstream. Na década de 90, o Planet Hemp deu o seu recado de forma agressiva e polêmica. Se foi certo, errado, bom ou ruim, não importa. O que ficou claro, sempre, é que o rock não tem parâmetros. Ele é apenas um instrumento de mensagem. E vai consumir e ser consumido por variações de energia compatíveis.

Rodolfo foi certamente o maior frontman do rock Brasil anos 90. Não era por menos. O cara pertencia ao Raimundos, banda que virou moda em 1996 e teve o seu ápice de popularidade em 1999 com o lançamento do disco Só no Forevis - vendas exorbitantes, agenda mega disputada, cifras para lá de satisfatórias. Seria esse o ponto máximo de um artista? Para Rodolfo, a resposta é "não". Após essa loucura toda que foi o ano de 2000 para os Raimundos, Rodolfo acabou deixando a banda por não se encaixar mais na proposta de vida que tinha na época. Então, corajosamente, ele, para provar a sua fé no caminho que estava percorrendo, decidiu abrir mão de vários bônus materiais e se desfez de toda a imagem que buscou em anos de estrada. E convenhamos, a atitude embora não tenha agradado aos fãs da ex-banda, não deixa de ser notável.

Se o rock andou de forma latente com Rodolfo no Rodox - que tinha um quê de Nu-Metal -, as letras não eram mais as mesmas. O projeto que ganhou boa popularidade se extinguiu, e Rodolfo partiu em uma proposta mais lapidada para si mesmo, e musicalmente abriu o seu leque para estilos diferenciados. Hoje, de forma mais honesta e centrada, o músico já se prepara para seu terceiro disco de estúdio, que ele mesmo já define como o seu melhor trabalho. Decidimos conversar com o Rodolfo, para ele nos contar mais sobre a sua atual trajetória.

Antes de falarmos sobre sua carreira solo, uma pergunta que muitos fãs me fazem... Por que o fim do Rodox, já que o projeto tinha uma proposta de mensagem que você atualmente prega?

Desde que eu comecei a compor as músicas do RODOX, antes de ser uma banda, esse trabalho já tinha um propósito definido, levar a mensagem de Jesus, sem religiosidade, aonde a igreja não chegava. Depois a banda veio a existir, e na minha opinião era uma baita banda, mas como eu era o único cristão ficou difícil cumprir com o propósito original. Como não posso obrigar ninguém a crer no que eu creio, segui meu caminho. Os músicos que tocam comigo hoje tem o mesmo foco que eu. Numa banda, pra se chegar a algum lugar, é nescessário que as pessoas envolvidas queiram ir pro mesmo lugar.

Ainda falando sobre o Rodox, no primeiro clipe, ficou evidente a vontade de mostrar que o fato de ter se convertido não te impediria de fazer rock pesado. Ou seja, ainda há esse preconceito?

Hoje em dia existem pessoas fazendo todo tipo de música cristã, e algumas bandas são extremamente pesadas. Existe alguma confusão quando pensam que música cristã é somente pra tocar dentro da igreja. Existe música pra dentro da igreja e pra fora da igreja.

O fato de utilizar o nome Rodolfo Abrantes, facilita mais para você artisticamente falando em termos de mercado? Você acha que as pessoas ainda procuram bandas pelo nome, do que propriamente pela qualidade da música?

Eu nunca encarei o que faço hoje como uma carreira solo, e sim como uma extensão do meu ministério de evangelismo. Esteticamente, meu nome não ajuda, se eu for focar em mercado secular. Na cultura cristã, a música é uma parte do nosso culto a Deus, se preza não só a qualidade do som, mas se há verdade no que está sendo cantado, se a pessoa que está cantando realmente vive o que prega. No meio secular pouca gente liga pra isso, as pessoas só querem entretenimento. É uma questão de culturas diferentes.

Te incomoda ainda, as pessoas te perguntarem sempre sobre os Raimundos?

Não. Eu realmente estive lá no passado, e pra mim é isso, passado.

Esse ano, você teve mais destaque na mídia, pelo menos nas publicações de rock e em alguns programas de TV. E para você, que já viveu o pico de notoriedade na praça, ainda sobra a mesma pretensão de ocupar os mesmos espaços, em termos de mainstream? Ou não, você está em outra vibe?

Todos esses veículos vieram até mim. Optei por trabalhar de forma independente, pois assim fico livre pra tomar o rumo que quiser, então não tenho departamento de divulgação, gravadora ou empresário correndo atrás de mídia. Foi uma surpresa pra mim, pois muitos desses convites e matérias apareceram quase que ao mesmo tempo. Fiquei feliz de ver que a mídia está ficando menos preconceituosa com pessoas que pensam diferente. Eu fico na minha, fazendo música. Também não sou do tipo que vai a qualquer lugar, pois existem matérias cujo contexto não acrescenta em nada. Não acho que aparecer por aparecer seja bom.

Com os Raimundos, e até mesmo com o Rodox, você teve espaço na estrada em casas maiores. Atualmente, por ser um projeto mais direcionado, há uma limitação nesse parâmetro. Como ideologia de vida, você já repetiu algumas vezes que não sente falta das experiências do passado, mas como artista, já está acostumado em não ter a mesma procura, proporcionalmente falando?

Uma coisa que tenho redescoberto é que eu gosto muito de tocar com meus amigos, independente de onde seja. Nossa realidade hoje é bem louca, pois podemos estar tocando num lugar pequeno, com pouca gente, e no outro dia num evento gigantesco. Na Marcha pra Jesus, a qual já tocamos duas vezes, tinha um público estimado pela PM, em mais de dois milhões de pessoas. Particularmente, acho que o nosso som combina com lugares menores. Inclusive, quando tocamos em grandes palcos, sempre chegamos a bateria e os amplificadores pra perto, pois assim ficamos mais a vontade.

Você é um nome muito representativo na história do rock nacional. E também se orgulha de ter mudado a sua vida de forma extrema, de ser se salvado. Qual o limite entre o Rodolfo artista (músico) e o Rodolfo "pessoa". Há esse limite? Porque na época de Raimundos, certamente o Rodolfo músico consumia o Rodolfo "pessoa" quase que de forma total. E hoje, como anda isso?

Hoje só existe um. Eu domino sobre meu trabalho, e não o contrário.

Uma vez li uma entrevista sua, em que você disse que não gosta muito que te rotulem como música gospel. Infelizmente, a mídia, o mercado de uma forma em geral, tem a necessidade de rotular músicos e bandas. E aí a pergunta: O que é pior, ser o Rodolfo Abrantes, cantor gospel, ou o Rodolfo, ex-Raimundos.

O brabo é que eu não consigo me livrar de nenhum dos dois. Desencanei. Podem chamar do que quiser.

Músicas como "Enquanto é Dia" e "Nação Santa" são boas músicas de rock, e que podiam perfeitamente ter maior projeção no segmento. Você vem de um tempo que a música era divulgada nos rádios, na MTV, nos programas de auditório. Hoje tudo é internet. E essa é uma pergunta que interessa à muitas bandas iniciantes. Como funciona a divulgação das músicas rock, mas tidas como gospel?

Internet, no boca-a-boca. A divulgação virtual é bem democrática e poderosa. Não sei se as pessoas se tocaram que nas rádios só toca o que as gravadoras pagam, ou se o mainstream realmente está um lixo. A verdade é que na internet você põe sua música e ela estará acessível no mundo todo. Infelizmente, a realidade é que parece ser proibido falar de Deus fora da igreja. Quer dizer... pode falar mal. Lady Gaga pode falar de Jesus e Judas na banheira, Madona transando na igreja, falar besteira sobre Deus, pode, e todos os veículos de comunicação vão tocar. O que não pode é falar como Ele realmente é. Isso acontece porque a mensagem Dele confronta, e as pessoas querem que alguém venha e diga que está tudo certo, que nada precisa mudar. O mundo hoje é extremamente vaidoso e orgulhoso, por isso eu sei por que as músicas que carregam a mensagem de Deus não são muito bem-vindas. Eu acho que a decadência jamais esteve tão na moda e eu odeio o que não presta. Sem confronto não há mudança. 

Hoje você tem um repertório muito mais variado. Ele passeia por vários estilos, e não se prende somente há um segmento musical. Mas as composições mais rock, como as que eu citei anteriormente ainda são as suas prediletas? Você ainda tem isso na sua proposta?

Acho que a música deve ser livre. Eu procuro respeitar o conteúdo de cada uma e colocá-la na roupagem que vista melhor. Sem dúvidas, minha cabeça hoje está aberta para estilos que nunca tinha mexido. Acho legal ser surpreendido por algo que nunca fiz, acabo experimentando até sentir que ficou legal pra mim.

Como é compôr tendo em vista uma forma mais responsável de mensagem a ser passada?

É algo que faz com que cada música seja muito valorizada, acabou a encheção de linguiça. O feedback que recebo de pessoas que, inspiradas por alguma música, tiveram coragem de tomar atitudes que trouxeram transformação pra elas, faz tudo valer a pena.

Você já tem previsão para um novo disco de estúdio?

Já está pronto, será lançado no começo do ano que vem e se chamará R.A.B.T. - ROMPENDO A BARREIRA DO TEMPLO. Foi produzido pelo Ricardo Vidal, que trabalha com O RAPPA, e a sonoridade ficou animal. Acho que é o melhor trabalho que fiz nessa nova fase.

Para saber mais sobre sua agenda, onde os fãs podem procurar?

Na nossa página no MY SPACE www.myspace.com/rodolfoabrantes e, em breve, no novo site www.rabt.com.br.

Rodolfo, obrigado pela atenção. Desejamos muita sorte para você, e esperamos que você amplie o seu espaço e sua carreira cada vez mais. 

Eu é que agradeço. Suas perguntas foram muito inteligentes e sou grato pelo espaço que me deram. Deus abençoe.

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