Bret Michaels e o refúgio nostálgico criado após o hiato do Poison

 
Desde que o Poison encerrou a massiva The Stadium Tour em 2022, onde dividiram palcos de estádios lotados com Mötley Crüe e Def Leppard, o vocalista Bret Michaels não apenas manteve o ritmo, mas elevou sua marca solo a um novo patamar de sucesso no mercado norte-americano de shows ao vivo.

Stadium Tour arrecadou aproximadamente $173,5 milhões em vendas de ingressos, com mais de 1 milhão de ingressos vendidos em 35 shows — uma das turnês mais lucrativas da pós-pandemia em 2022. A turnê incluía, como abertura, Poison e Joan Jett, com um faturamento médio de cerca de $5 milhões por show.

​Após a turnê de 2022, Michaels identificou que o público buscava algo além de um show convencional; eles queriam uma celebração. Foi assim que nasceu o Parti-Gras, um festival itinerante idealizado e produzido por ele. Mais do que um show nostálgico, transformou a turnê itinerante numa experiência anual de sucesso.

A proposta é audaciosa e eficaz: uma "festa de quintal" em arenas, com uma política de "só apresentar grandes sucessos, só hits" para cantar e agitar. Bret atua como o anfitrião da noite, quebrando a barreira entre as bandas. Em vez de trocas de palco demoradas, os convidados sobem ao palco durante o set de Michaels para cantar seus próprios hits imortais.

Sucesso avassalador

O sucesso e a ascensão do Parti-Gras foram avassaladores. Entre 2023 e 2025, o festival reuniu um verdadeiro "quem é quem" do hard rock que fez sucesso nas rádios dos Estados Unidos, incluindo: Vince Neil (Mötley Crüe), levando o público ao delírio com clássicos como Girls, Girls, Girls; Dee Snider (Twisted Sister), convidado recorrente que sempre transforma a arena com We’re Not Gonna Take It; e Stephen Pearcy (Ratt), trazendo a energia da Sunset Strip com Round and Round. O festival Parti-Gras já contou com a presença de Lou Gramm (Foreigner), Don Felder (ex-Eagles), Night Ranger, Warrant e Slaughter.

Para Bret Michaels, o show nunca para, mesmo que ele tenha que carregar a tocha do rock de arena por conta própria. Enquanto os fãs aguardavam ansiosamente por uma reunião completa da formação original, Bret construiu um modelo de negócio que redefine o que significa ser um "rockstar" em 2026.

Poison, divergências e cancelamentos

Apesar do vocalista do Poison , Bret Michaels, ter alimentado as esperanças dos fãs, postando sobre o desejo de realizar 40 datas limitadas para celebrar o 40º aniversário do álbum Look What the Cat Dragged In em 2026, os planos desmoronaram.

O baterista Rikki Rockett confirmou para a coluna Page Six do jornal The New York Post em janeiro que as negociações entre os quatro membros originais do Poison : Bret, C.C. DeVille, Bobby Dall e Rikki Rockett, chegaram a um impasse insuperável.

Rikki Rockett, deu a entrevista para Page Six por ser um veículo de grande alcance que cobre o "lado B" e as polêmicas financeiras dos bastidores das celebridades.

O motivo? Divergências financeiras profundas. Relatos de bastidores indicam que a proposta salarial do vocalista  Bret Michaels era desproporcional em relação aos outros membros, tornando a turnê da banda completa inviável no momento.

Integrantes seguiram suas vidas

Como resposta direta ao cancelamento, o baterista Rikki Rockett decidiu focar suas energias no Rockett Mafia, um supergrupo de hard rock que reúne veteranos da cena de Los Angeles, como Brandon Gibbs (Devil City Angels), Mick Sweda (BulletBoys) e Michael Adams (Puddle of Mudd). Recém-contratada pela gravadora Pavement Entertainment para o lançamento de material inédito, a banda nasceu com a proposta de celebrar o espírito do rock dos anos 70 e 80 através de composições originais e versões reimaginadas de clássicos da época.

Para compensar a ausência da turnê principal do Poison em 2026, o Rockett Mafia assumiu um papel central na agenda de Rikki, que prometeu tocar o álbum histórico Look What the Cat Dragged In na íntegra durante as apresentações do grupo. Enquanto Bret Michaels segue concentrado em sua bem-sucedida carreira solo com a Party Start Tyme Tour, o Rockett Mafia surge como o destino alternativo para os festejos do primeiro disco da banda que definiu o glam metal.

O álbum "​Look What the Cat Dragged In", lançado em agosto de 1986 , vendeu 3 milhões de unidades em fitas K7 e LPs nos Estados Unidos. 

O single "Talk Dirty to Me" chegou ao número 9 da Hot 100 da Billboard e a power ballad "I Won't Forget You" subiu até o número 13. O Poison entrou como a nova geração do hard rock no momento em que Bon Jovi, Cinderella, Ratt e Mötley Crüe dominavam o mercado vendendo milhões de discos.

Bret Michaels mantém legado

Mesmo sem o Poison, a agenda de Bret Michaels para 2026 está bastante movimentada. Sua nova turnê solo, "Live & Amplified", percorre a América do Norte com datas em fevereiro, março, maio e setembro, passando por cassinos, arenas e grandes festivais, como o Extra Innings Festival, e datas especiais com a banda Tesla na Flórida.

Com o hiato indefinido do Poison, existe a possibilidade de realizar seu festival  itinerante anual Parti-Gras 2026 provavelmente no verão do hemisfério norte, entre junho e agosto. Os shows solo de Bret tornaram-se o refúgio oficial dos fãs do glam / hair metal do Poison até novos anúncios.

Na verdade, nada muda, pois é nesses palcos que Bret Michaels mantém as músicas do Poison vivas, com a mesma energia e as mesmas bandanas que definiram uma geração.

Loquillo Panamá

Nômade agregador de ritmos musicais e fanático por shows. Está sempre correndo atrás de novidades para multiplicar e informar os amantes de boa música.

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