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Rock in Rio: Red Hot Chili Peppers faz um dos grandes shows do festival

Anthony Kiedis de abraços abertos para os fãs no Rock in Rio [Foto: I Hate Flash]
Por  Marcelo Alves 

Há álbuns que definem a sonoridade de uma banda ou alçam o grupo a um nível de sucesso acima dos mortais. Mesmo em bandas muito bem sucedidas, muitas vezes um disco será a diferença entre você ser um artista de nicho ou de massa. No caso do Red Hot Chili Peppers, dois discos foram os divisores de água na carreira do grupo. O primeiro foi o Blood Sugar Sex Magik (1991). O segundo foi o Californication (1999), álbum cujos fãs mais antigos da banda torcem o nariz. 

O Chili Peppers que se apresenta hoje em dia se equilibra entre estes dois mundos. O da fase antiga, quando a banda soava mais como uma mistura de rock, punk rock e rap graças a letras em que o vocalista Anthony Kiedis apresentava um estilo de cantar mais falado, escorando no rap. Caso do grande sucesso “Give it away”, que fechou o show. E o da fase Californication, quando a banda passou a fazer um rock mais tradicional. 

E dentro deste equilíbrio que se reflete no set list, o que não muda é a competência da banda em fazer shows. Esqueça o Chili Peppers decepcionante de 2001 e pense mais no que a banda tem entregado desde a edição de 2017, um show vigoroso e musicalmente rico, com músicos extremamente competentes no que fazem. 

Poucas bandas podem se dar ao luxo de ter uma “cozinha” formada por nomes como o baixista Flea e o baterista Chad Smith. Se o Chili Peppers tem uma assinatura única, não é apenas pelo estilo vocal de Kiedis, mas também pela assinatura e importância que o baixo tem na banda. Não é à toa que Flea comanda as jams que a banda faz entre uma ou outra música. Cabe a ele solar com Chad ou com o guitarrista Josh Klinghoffer. 

Klinghofer, aliás, é um capítulo à parte na banda. O Chili Peppers sempre teve excelentes guitarristas. John Frusciante é co-responsável pelos grandes sucessos do grupo. Com suas melodias mais emocionais e menos virtuosas, ele trouxe uma textura própria para álbuns como Californication e By The Way, além de também estar presente em Blood Sugar Sex Magik. Dave Navarro, por sua vez, levou a sua combinação de heavy metal e rock progressivo para o grupo. Com Klinghoffer o grupo parece ter ganhado o melhor destes dois mundos. O guitarrista sabe ser mais emocional quando necessário, mas não exagera nas notas. E é possível perceber isso na forma mais econômica como ele sola em “Californication”. E sabe ser muito pesado e cru quando preciso, como em “Sikamikanico”, uma das canções meus pesadas do set list. 

Com um trio como este, Kiedis surfa numa praia em que as ondas só lhe são favoráveis, sempre se alternando entre seus estilos de cantar. Afinal, havia na Cidade do Rock todos os tipos de público. Do que queria ouvir “Can’t wait”, que abriu o show, passando por belas canções como “The Zephyr Song”, “Dark Necessities” e “Soul to Squeeze” e chegando até “Aeroplane” e “By the way”. 

Não faltaram hits no set list de 21 canções dos Chili Peppers. Ou melhor, faltaram. Alguns fãs sentiram ausências como “Otherside”, “Scar Tissue” e “Under the bridge”. Todas, porém, foram tocadas em alguns dos quatro shows que o grupo já fez no Brasil. 

Ao optar por tocar canções como “The Adventures of Rain Dance Maggie” e “Dani California” ou covers do The Cars (“Just What I Needed”) e Ramones (“I Don’t Want to Grow Up”), banda também mostra que não gosta de ficar na mesmice e tem a necessidade de oferecer outras músicas para o público experienciar ao vivo. 

Com tudo dando certo, o Chili Peppers entregou um dos grandes shows deste Rock in Rio. Sorte de quem teve fôlego para ficar até depois de 2h na Cidade do Rock. 

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