No dia 23 de janeiro de 1991, o Rock in Rio adotava de vez o "Dia do Metal" em sua programação. Numa noite histórica e lembrada até hoje por quem esteve lá, Judas Priest e Megadeth faziam seus primeiros shows no Brasil, com talvez os seus melhores discos da carreira.
A volta do Rock in Rio foi cercada de expectativa. Com um line up muito mais eclético e contemporâneo, com artistas vivendo seus auges comerciais, a segunda edição do festival contou com mais nomes do pop internacional, como George Michael, Prince, New Kids On The Block, A-ha, INXS, entre outros. Com isso, era natural que as bandas de metal tivessem um dia mais dedicado aos headbangers.
Naquela noite, nascia de vez o "Dia do Metal".
Na noite mais pesada da edição, os fãs brasileiros tiveram o privilégio de assistir as estreias de algumas das maiores bandas de heavy metal da história no Brasil. Judas Priest, Megadeth e Queensryche faziam seus primeiros shows em território nacional, e apresentavam turnês de seus álbuns mais clássicos. Quem fecharia a noite era o Guns N'Roses, que tinha se apresentado alguns dias antes com Faith No More e Billy Idol.
Judas Priest: o metal em sua forma mais pura
O Judas Priest chegou ao Brasil no auge da turnê de Painkiller, disco que redefiniu o peso e a velocidade do heavy metal tradicional. A apresentação daquela noite é lembrada até hoje como um dos melhores shows de heavy metal que esse país recebeu um dia. E tinha em Rob Halford a maior entidade headbanger daquela edição. Clássicos como “Breaking the Law”, “Electric Eye” e “Hell Bent for Leather” soaram como hinos para uma legião recém-oficializada no país - 'os metaleiros'.
Megadeth: técnica, raiva e o metal dos anos 90 batendo à porta
Se o Judas Priest representava a consagração do metal clássico, o Megadeth simbolizava o que havia de mais agressivo para os padrões do Rock in Rio - tanto que a vinheta do festival era uma mistura de "Holy Wars" com "Welcome To The Jungle" do Guns N'Roses. Liderado por um Dave Mustaine em sua fase menos responsável, o grupo apresentava a sua formação mais clássica com Marty Friedman, David Ellefson e o saudoso Nick Menza. Com uma obra prima (Rust in Peace) recém-lançada, o show do Megadeth foi técnico, ríspido e sem concessões.
Vale lembrar, que um pouco antes, o Queensryche enfileirava um repertório de canções dos álbus Empire e Operation: Mindcrime, que serviria de influência para uma gama de bandas do metal progressivo. Isso sem contar que o Sepultura estreava no festival em sua fase Arise e o Lobão era praticamente expulso do palco. Foi um dia histórico, que terminou com 100 mil vozes cantando junto com o Guns N'Roses.
Mais do que shows: um divisor de águas
A estreia de bandas como Judas Priest, Megadeth e Queensryche no Brasil não foi apenas um capítulo nostálgico — foi algo transformador. A partir dali, o país deixava de ser visto como mercado exótico e passava a ser tratado como território essencial para os grandes nomes do rock pesado. E o Rock in Rio tratava de dedicar um dia exclusivo para o estilo em sua programação.

