Andy Bell, do Erasure, faz de São Paulo uma pista de dança em noite de celebração

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board
São Paulo não recebeu apenas um show de Andy Bell na noite de 24 de janeiro de 2026. Recebeu uma celebração. Daquelas em que a música, o afeto e a entrega se encontram de forma tão natural que a sensação é de estar participando de algo maior do que uma simples apresentação ao vivo. Foi, sem exagero, uma das noites mais divertidas, coloridas e dançantes que a cidade viu nos últimos tempos.

Desde os primeiros minutos, ficou claro que a proposta não era a nostalgia pura e simples, mas a celebração de uma carreira viva, pulsante e em constante movimento. Andy Bell entrou no palco disposto a se entregar — e convidou São Paulo a fazer o mesmo.

Canções que atravessam o tempo

O repertório foi construído com inteligência e sensibilidade. Ao longo do show, Andy Bell costurou faixas antigas e músicas mais recentes de forma fluida, sem que houvesse rupturas ou quedas de energia. Cada canção parecia ocupar exatamente o lugar certo dentro da narrativa do espetáculo, mantendo o público atento e envolvido do começo ao fim.

Quando os clássicos de sua carreira com Erasure, como “Chains of Love”, “Oh! L'amour” e “A Little Respect” surgiam, a resposta da plateia era imediata — gritos, coros espontâneos e uma energia quase palpável no ar. As faixas mais novas também não decepcionaram e não baixaram a energia do público, que estava aberto, curioso e disposto a acompanhar Andy Bell em suas fases mais recentes.

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board
Apesar do ritmo imparável de Andy Bell, ele mostrou que nem ele é de ferro e após “Love to Hate You”, fez sua única pausa real da noite. Ele deixou o palco brevemente, permitindo que a banda assumisse “Breath”, criando um respiro antes de retornar com força total para “Always”.

A surpresa dos fãs foi a retirada do hit “Stop!” do setlist, que deixou em todos um gostinho de “quero mais” e uma instantânea expectativa de volta de Andy à cidade (confirmada pelo artista ao final do show, mas sem dar datas).

Performance vocal segura e presença de palco carismática

A performance vocal de Andy Bell foi um dos grandes destaques da noite. Sua voz soa segura, expressiva como sempre.

Essa maturidade vocal caminha lado a lado com uma presença de palco impressionante. Andy Bell dançou o show inteiro, ocupando o espaço com naturalidade, leveza e entusiasmo contagiante. Cada gesto, cada sorriso e cada movimento reforçavam a sensação de que ele estava genuinamente feliz por estar ali.

O carisma, aliás, é talvez seu maior trunfo ao vivo. Andy conversou com o público diversas vezes, agradeceu com frequência e arriscou frases em português — recebidas sempre com aplausos calorosos. Essa tentativa constante de aproximação criou um clima acolhedor e quase íntimo, como se São Paulo estivesse recebendo um velho amigo.

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board
 
Arranjos eficientes e originais


A banda que acompanha Andy Bell mostrou um entrosamento notável. Tecnicamente precisa e musicalmente sensível, ela funciona como uma extensão do artista, sustentando o espetáculo sem jamais disputar protagonismo. Cada músico parece entender exatamente quando avançar e quando recuar, permitindo que Andy permaneça no centro da narrativa.


Chama atenção a escolha por uma sonoridade mais crua e orgânica. Mesmo com raízes profundas na música eletrônica, Andy Bell optou por não se apoiar excessivamente em recursos tecnológicos ou programações. Em vez disso, explorou nuances, texturas e dinâmicas que deram às músicas um frescor ao vivo.


Essa opção reforça a força das canções e evidencia o quanto elas se sustentam para além das camadas eletrônicas, revelando novas leituras e possibilidades sonoras.


Gerações unidas pela mesma sintonia

Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board


O público paulistano respondeu à altura. Majoritariamente formado por fãs de longa data — muitos ostentando coroas, cartazes e adereços —, a plateia também contou com representantes da nova geração, curiosos e igualmente empolgados. Essa mistura criou uma atmosfera especial, onde passado e presente dialogaram de forma natural.


A interação foi constante. Durante “Blue Savannah”, bexigas azuis surgiram no meio da plateia, infladas e balançadas coletivamente, criando um dos momentos mais visuais e emocionantes da noite. Nos grandes clássicos, a reação foi quase catártica: o público enlouqueceu, cantou em uníssono e transformou a casa de shows em uma verdadeira pista de dança. Havia uma sintonia clara entre palco e plateia.
O brilho que fica


Mais do que um show, Andy Bell entregou a São Paulo uma noite de celebração, alegria e conexão. Um espetáculo colorido, cheio de brilho, movimento e emoção, que reafirma sua relevância como artista.


Ao final, ficou a sensação de que São Paulo não apenas assistiu a uma apresentação, mas participou de um encontro especial — desses que ficam na memória e no corpo, muito depois da última música.

Carol Goldenberg

Advogada, jornalista musical e guitarrista, mas acima de tudo, amante da música desde sempre. Roadie, guitar tech e exploradora de shows e festivais pelo mundo, vivendo cada acorde como se fosse único e cada plateia como um novo universo.

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