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Soundgarden entra no Rock Hall em 2025 com tributo potente e mensagem de diversidade.
A consagração do Soundgarden no Rock & Roll Hall of Fame, em 8 de novembro de 2025, foi muito além de uma cerimônia musical. Foi uma profunda homenagem ao Chris Cornell, vocalista falecido em 2017 da banda de Seattle. Também um reconhecimento à essência multicultural da banda, marcada por performances inesquecíveis e discursos íntimos.
A entrada do Soundgarden ao seleto grupo de condecorados pelo museu em Cleveland foi especial por reunir os cinco membros homenageados, incluindo o baixista original Hiro Yamamoto.
Yamamoto, que cofundou o Soundgarden com Cornell e Kim Thayil, permaneceu na banda de 1984 a 1990, tocando em álbuns essenciais como Ultramega OK e Louder Than Love. Sua volta ao palco do Hall da Fama celebrou seu papel fundamental nas raízes da banda antes de sua saída para focar nos estudos.
A presença de amigos, músicos famosos de Seattle, na apresentação tributo como os guitarristas: Mike McCready (Pearl Jam) e Jerry Cantrell (Alice in Chains), e Nancy Wilson (Heart/The Lovemongers) não foi mera casualidade e adicionou uma camada especial de lealdade e sentimento ao tributo musical.
A primeira da noite foi uma versão para "Rusty Cage" do álbum Badmotorfinger, de 1990, com Taylor Momsen (The Pretty Reckless) nos vocais. Momsen, que já havia se apresentado com a banda, manteve seus rugidos vocais fazendo ao máximo uma reverência louvável à obra de Cornell. Destaque absoluto pela sua energia visceral.
Brandi Carlile assumiu os vocais em "Black Hole Sun", o segundo número do medley/tributo ao Soundgarden. A cantora já colaborou e gravou com Kim Thayil e Matt Cameron num vinil exclusivo do Record Store Day, provando seu profundo respeito pela obra.
Para agregar os vocais complementares entrou novamente Taylor Momsen num dos momentos mais brilhantes da noite (a dupla de cantoras fazendo a canção dobrar de tamanho).
Nascido em Seattle em 1984, o Soundgarden foi um dos pilares que definiram o movimento musical da cidade do noroeste dos Estados Unidos muito antes de existir o termo grunge (lembrando que Jimi Hendrix, Queensrÿche e Heart também são de Seattle).
A homenagem no Rock Hall permite a trégua num período de luto conturbado. Por anos, os membros remanescentes (Kim Thayil, Matt Cameron e Ben Shepherd) estiveram envolvidos em uma intensa e pública disputa judicial com a viúva de Cornell, Vicky Cornell. A rixa envolvia a posse e os direitos de gravações vocais inéditas que a banda planejava usar para um álbum póstumo, além de questões financeiras sobre royalties e o valor de mercado do artista. Um acordo entre as partes alcançado em 2023 permitiu que a indução ao Rock And Roll Hall of Fame em 2025 fosse uma celebração unificada do legado.
Os discursos e homenagens focaram no Soundgarden, mas lembraram também o Chris Cornell como um artista completo. O baterista Matt Cameron o descreveu como alguém que estava "sempre em movimento como artista", uma referência velada à sua vasta obra, que inclui a superbanda Audioslave (com membros do Rage Against the Machine), o projeto Temple of the Dog, e seus aclamados álbuns em carreira solo.
Lily Cornell Silver, filha do vocalista, numa declaração breve, mas muito sentida, enfatizou que para seu pai o mais importante sempre foi fazer música com seus amigos. "Isso sempre foi o mais importante. Sei o quanto isso deu propósito a ele", citando Cornell.
O guitarrista Kim Thayil deu o toque político, reforçando as raízes diversas da banda. Ele celebrou o fato de que a banda era composta por pessoas de herança não-branca, como ele (indiano) e o baixista fundador Hiro Yamamoto (de ascendência japonesa), usando o palco para reafirmar a importância das origens multiétnicas de Seattle (clara referência ao momento político vivido pelo Estados Unidos no governo atual). Enquanto Thayil falava de forma enfática, o baterista Matt Cameron e o baixista Ben Shepherd mantiveram-se em sua característica timidez e concisão, focando na gratidão e na lembrança de Chris.
Para surpresa de quem assistia a cerimônia no streaming teve mais um tributo musical ao Soundgarden após os discursos. Um final acústico com Toni Cornell, filha de Chris Cornell, nos vocais e Nancy Wilson no violão. A execução linda e espiritual para "Fell On Black Days" levou o público às lágrimas num momento mais do que espiritual.
Nascido em Seattle em 1984, o Soundgarden foi um dos pilares que definiram o movimento grunge, ao lado de Mudhoney, Nirvana e Pearl Jam. Com a voz inconfundível e o lirismo poético de Chris Cornell, a banda foi a primeira do gênero a assinar com uma grande gravadora, pavimentando o caminho para o sucesso mundial do rock alternativo dos anos 90.
O grupo encerrou sua primeira fase em 1997, mas se reuniu em 2010. A segunda fase foi tragicamente interrompida em 18 de maio de 2017, quando o vocalista Chris Cornell faleceu em Detroit, aos 52 anos, poucas horas após o último show da banda. A entrada ao Hall da Fama celebra, assim, a conclusão de uma era brilhante e dolorosa.
Com a entrada do Soundgarden em 2025, a lista das 4 grandes bandas da cena grunge de Seattle dos anos 90 no Rock Hall fica quase completa. O Alice in Chains, cuja influência é inegável, permanece como um dos nomes de peso aguardando o reconhecimento. Nirvana foi o primeiro a entrar em 2014, seguido por Pearl Jam em 2017 e agora Soundgarden em 2025.
“Todos os anos, a cerimônia do Rock & Roll Hall of Fame reúne os artistas mais influentes da atualidade para homenagear os heróis que inspiraram suas músicas e carreiras”, disse John Sykes, presidente da Rock & Roll Hall of Fame Foundation. “Esses artistas vêm de todo o mundo para criar momentos musicais que transcenderão o tempo”.
O Rock and Roll Hall of Fame 2025 reuniu artistas influentes de diversos gêneros. Os artistas que receberam a honra de entrar no seleto clube na categoria Performers foram: Bad Company, Chubby Checker, Joe Cocker, Cyndi Lauper, OutKast, Soundgarden e The White Stripes.
Além dos Performers, outras categorias também celebraram figuras importantes da indústria musical. O Prêmio de Influência Musical foi concedido a Sly Stone, Salt-N-Pepa e Warren Zevon. Já o Prêmio por Excelência Musical homenageou os notáveis Carol Kaye, Thom Bell e Nicky Hopkins. Por fim, o Prêmio Ahmet Ertegun (concedido a executivos da indústria) foi entregue a Lenny Waronker.
Além disso, a exposição dos homenageados de 2025 foi aberta ao público na sexta-feira, 31 de outubro, e conta com itens como o manuscrito da letra de “Time After Time”, de Cyndi Lauper; as roupas que Meg White e Jack White usaram na capa de Icky Thump, do The White Stripes; uma guitarra elétrica Gibson Les Paul de 1979 tocada por Chris Cornell, do Soundgarden; o figurino usado pelos membros do OutKast, incluindo o que André 3000 vestiu no videoclipe de “Hey Ya”, e muito mais.
O Rock & Roll Hall of Fame celebra o som da cultura jovem e homenageia os artistas cuja música conecta a todos. O museu conta as histórias das pessoas, dos eventos e das canções que moldam o nosso mundo através de conteúdo digital, exposições inovadoras, música ao vivo, programas interativos e da cerimônia anual. Seu objetivo é ser um museu sem fins lucrativos, inclusivo e aberto, onde a criatividade e a inovação são promovidas e celebradas. Como referência na comunidade, ele valoriza, empodera e respeita todas as pessoas. Para se juntar aos milhões de amantes do rock & roll, deve-se visitar o museu em Cleveland, Ohio.
O principal requisito para a elegibilidade no Rock and Roll Hall of Fame é que o artista ou banda tenha lançado seu primeiro álbum ou single há, no mínimo, 25 anos. Uma vez elegível, a seleção é baseada no impacto, influência e excelência musical que o artista demonstrou ao longo de sua carreira no desenvolvimento e na perpetuação da música. O processo envolve um comitê de nomeação que seleciona os indicados e, em seguida, um corpo eleitoral internacional (incluindo o voto do público) decide quais artistas serão oficialmente homenageados a cada ano.
A cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame de 2025 é a 40ª edição do evento. O Hall da Fama começou a realizar suas cerimônias de indução anuais em 1986.
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