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Edgard Scandurra sobre novo álbum do Ira!: "Não tem música para encher linguiça!"

Scandurra falou com Rock On Board sobre o novo álbum do Ira! [Foto: Ana Karina Zaratin]

Por  Bruno Eduardo 

O Ira! está de volta com mais um novo trabalho de inéditas. Ira, primeiro álbum homônimo da banda, chega após 13 anos de espera e vem para compensar toda a ansiedade dos fãs. Afinal, para muitos, esse já é um dos melhores discos lançados por essa banda histórica em seus quase quarenta anos de estrada. A euforia dos fãs é compactuada na resenha do álbum AQUI mesmo no site. "Queríamos fazer um disco em ponto de bala! Talvez por isso ele tenha demorado tanto a sair", afirma Edgard Scandurra, em entrevista ao Rock On Board.

"Não queríamos correr o risco de ter críticas negativas. Quando se faz um disco por contrato, por alguma necessidade, você acaba correndo um risco de ter músicas enchendo linguiça. E nesse disco não tem nenhuma faixa assim!"

Não tem mesmo. É um álbum cheio de vigor e cheio daquela essência rock and roll juvenil dos anos 70. Logo na abertura, uma referência confessa ao The Who na ótima "O Amor Também Faz Errar". "O The Who, assim também como o Small Faces e o The Jam são influências importantes para a gente. E esse disco é muito voltado para as nossas vidas!". Essa reflexão histórica citada pelo guitarrista, está evidenciada até mesmo em um detalhe no título do álbum: que é a ausência do ponto de exclamação (!) - algo que a banda passou a adotar após 1985. Ao explicar o título do álbum, Edgard revela que a banda pensou em "Mulheres à Frente da Tropa" e "Efeito Dominó", nomes de duas canções do disco, mas a escolha de Ira foi uma forma de remeter a origem do grupo.

"O Ira sem exclamação (!) era o Ira independente, sem gravadora, que colava seus cartazes na rua. E mesmo tendo essa bagagem que temos hoje, acho que estamos nessa posição também. Porque somos um banda independente, lançamos um disco independente, sem gravadora. É um título que remete muito à história do Ira! independente"

A vontade de gravar um novo álbum foi também para evidenciar uma nova fase do grupo. Era importante registrar um Ira! curado de todas as crises que passou nos últimos anos e para marcar uma nova formação. "Este é o primeiro álbum dessa formação. Em treze anos aconteceu tanta coisa na história da banda, a gente terminou, tivemos uma briga muito feia... Precisávamos fazer isso!".
  
Edgar Scandurra em show do Ira! no Rock in Rio [Foto: Adriana Vieira]

Ao saber que este jornalista elegeu "Respostas" como a música favorita do álbum, Edgard decidiu revelar uma curiosidade: "Fico muito feliz de você falar isso, porque essa música entrou no disco aos 45 do segundo tempo. O disco já estava pronto e convencemos o Apollo para que nos deixasse gravar mais uma. Essa é uma canção que eu tinha feito com a Silvia Tape e eu achei que ela tinha muito a ver, tanto com a voz do Nasi quanto com o rock and roll que o Ira! tava fazendo. Ela não poderia ficar de fora!".

Por falar nisso, quem escuta o álbum nota logo a diferença na voz de Nasi. O vocal rouco dos tempos antigos deu lugar aos versos mais melódicos e timbres limpos. Para Edgard Scandurra, esse álbum pede algo realmente diferente. "Foi um trabalho isso aí. O Nasi foi buscar um pouco isso. Tirar um pouco o bluesman e trabalhar um pouco a melodia, a suavidade né? Algumas músicas desse disco pedem algo assim", citando canções como "Chuto Pedras e Assobio" e "Efeito Dominó" como exemplo.

A preocupação em fazer um álbum honesto e que mantenha a essência da banda foi tanta que até a ordem das faixas foi pensada com cuidado. Mesmo em tempos de streaming, o grupo quis preservar a relação com a música pensando no ouvinte. "Esse é um trabalho feito num conceito de vinil, com faixas divididas em lado A e lado B, sabe? Eu gosto de pensar nele assim". Aliás, sem poder fazer shows por causa da pandemia, o músico confessa estar vivendo uma relação ainda mais próxima com sua vitrola e fala sobre a ansiedade nesses dias de confinamento: "Ainda mais para a gente que trabalha com música, com arte, com contato com as pessoas, com a estrada. Espero que tudo isso passe logo!". Amém!

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