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Há 25 anos, três adolescentes fãs de Nirvana chegaram no topo das paradas com 'Frogstomp'

Garotos: Silverchair na época do lançamento de 'Frogstomp'
Por  Bruno Eduardo 

Em 1994, o grunge dava o seu último grande suspiro com o excepcional Superunknown do Soundgarden. Kurt Cobain já tinha metido uma bala na cabeça e Eddie Vedder brigava com a maior companhia de bilhetes do mundo. Era um momento de overdose total. Ninguém aguentava mais um monte de bandas surgindo de todos os cantos com casaco de flanela e indo passar um tempo nos becos de Seattle tentando ganhar holofotes.

Contrariando esse sentido mercadológico, um registro intitulado Frogstomp foi lançado pela ainda desconhecida Murmur Records, que na época era um selo recém lançado pela Sony e que apoiou uma série de bandas australianas. Só que antes do álbum ganhar rotação mundial, o selo decidiu enviar uma gravação de "Tomorrow" às rádios australianas, como uma apresentação de sua nova aposta. A canção passou seis semanas no número um da parada de singles da ARIA e pouco tempo depois estava em alta rotação no mercado americano.

Essa é apenas uma parte da história do Silverchair, banda que gravou este disco no apagar das luzes da era grunge MTV. Na real, a banda era formada por três adolescentes de 15 anos de idade, tão fanáticos por Nirvana, que modificaram o nome de uma música de Nevermind ("Sliver" virou Silver) para nomear o grupo. E tudo isso (a juventude, a referência, o som) caiu como uma luva para a MTV, que tratou de injetar todas as fichas nos moleques de Newcastle. O clipe de "Tomorrow" potencializou a imagem do Silverchair, que rapidamente se tornou a banda mais tocada nas rádios de rock moderno dos EUA naquele ano. O sucesso da música foi tão grande, que ela ficou incríveis 20 semanas no top 10 da Austrália.

Na carona de "Tomorrow", Frogstomp vendeu mais de 2,5 milhões de cópias em todo o mundo - sendo certificado como dupla platina nos EUA e platina na Austrália. Mas o álbum não era de uma música só. Além de "Tomorrow", o grupo trouxe um conjunto de canções eficazes, que soavam verdadeiramente juvenis para um grunge já envelhecido. E assim, o Silverchair conseguiu emplacar outros três sucessos com seu álbum de estreia: "Pure Massacre", "Israel Son's" e "Shade".

Era extraordinário pensar que três estudantes de 15 anos de idade, fora do eixo americano-europeu pudessem conseguir tal feito. Ainda mais sabendo que eles não eram uma banda formada para ser um produto, como a maioria dos grupos prodígios. Daniel Johns, Chris Joannou e Ben Gillies já vinham fazendo barulho alguns anos antes, levando o nome de Innocent Criminals e tudo mudou após eles casualmente entraram numa dessas competições de bandas locais e conseguido ficar em primeiro lugar. O resto é história.

Nos anos seguintes, o Silverchair foi abandonando o estilo grunge do início da carreira e percorreu por um rock alternativo muito diversificado em seus quatro álbuns seguintes. A banda vendeu aproximadamente 10 milhões de discos em todo o mundo e segue como uma das bandas australianas mais renomadas e bem-sucedidas de todos os tempos - tendo conquistado 21 ARIA Awards (mais do que qualquer outro artista da história) e todos os cinco de seus álbuns de estúdio chegaram ao primeiro lugar na Austrália, que continua sendo um recorde nacional. Para ter uma ideia, Midnight Oil e Cold Chisel tiveram quatro álbuns no topo, AC/DC, INXS e Crowded House tiveram três. 

Em 2011, eles anunciaram um hiato indefinido e nunca mais cogitaram voltar às atividades juntos. Tanto que numa entrevista em 2015, ao Herold Sun, Daniel Johns afirmou que a banda não voltaria nem por 1 milhão de dólares.

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