Melhor Trilha Sonora Original
Esta categoria reflete a sofisticação do cinema atual, misturando o rigor da música erudita com o experimentalismo do rock e texturas eletrônicas. Confira os indicados:
Ludwig Göransson – Pecadores
O sueco Ludwig Göransson é, atualmente, a maior força criativa na música cinematográfica moderna, conhecido por unir o mundo do hip-hop à grandiosidade das telas. Vencedor de estatuetas por Pantera Negra e Oppenheimer, Göransson traz para Pecadores uma fusão sonora densa que já lhe rendeu dois Grammys antes mesmo da cerimônia da Academia.
Seu estilo em Pecadores é marcado pelo uso audacioso de percussão e sintetizadores modulares, criando uma tensão constante que ancora a narrativa. Sua versatilidade, que vai da trilha de The Mandalorian às produções de Childish Gambino, faz dele o favorito ao título de "mestre das trilhas modernas".
Göransson entra na cerimônia com uma vantagem considerável. O fato de já ter vencido o Golden Globe e dois Grammys pela trilha de Pecadores é o indicador mais forte de vitória. A Academia costuma premiar compositores que estão no seu auge criativo e comercial (como aconteceu com Hans Zimmer em Dune e o próprio Göransson em Oppenheimer). A sua capacidade de misturar o hip-hop e o soul com uma escala épica de cinema de entretenimento é exatamente o que os votantes têm valorizado.
Jonny Greenwood – Uma Batalha Após a Outra
O guitarrista do Radiohead consolidou-se como um dos compositores mais inovadores de sua geração. Em sua colaboração contínua com o diretor Paul Thomas Anderson, iniciada no aclamado Sangue Negro (There Will Be Blood), Greenwood evita clichês orquestrais em favor de arranjos dissonantes e texturas tensas.
Para este novo longa, ele criou uma sonoridade que atravessa épocas, entrelaçando suas composições experimentais com clássicos de Ella Fitzgerald e Tom Petty. Sua habilidade em transitar entre o rock de vanguarda e a complexidade das orquestras torna sua trilha uma das mais ricas da competição.
Greenwood é o "queridinho" da crítica e principal adversário de Göransson. Embora tenha menos vitórias em prêmios de sindicatos, a sua parceria com Paul Thomas Anderson é vista como alta arte. Se houver uma surpresa, virá dele. A tendência aqui seria uma vitória "pelo conjunto da obra" ou por uma proposta mais vanguardista, caso os votantes queiram premiar algo menos "convencional" que o trabalho de Göransson.
Alexandre Desplat – Frankenstein
Representando a elegância e a tradição europeia, Desplat é o veterano absoluto deste ano. Com duas estatuetas e dezenas de indicações por obras como O Grande Hotel Budapeste e A Forma da Água, o compositor francês é famoso por suas melodias detalhistas e pelo uso preciso de instrumentos de sopro e harpas.
Em Frankenstein, Desplat utiliza uma abordagem mais sombria, mas sem perder o lirismo característico que o tornou um dos favoritos da Academia. Sua música costuma ser descrita como "matemática e poética", capaz de conferir uma sofisticação quase artesanal a cada cena que sonoriza.
Max Richter – Hamnet
Max Richter é um dos principais nomes do neoclassicismo e do minimalismo emocional. Famoso por fundir instrumentos de cordas com música ambient e eletrônica, o alemão-britânico é o mentor por trás do projeto Sleep, um álbum conceitual de oito horas feito para ser ouvido durante o sono.
Em Hamnet, Richter utiliza sua sensibilidade para criar temas íntimos e melancólicos que ressoam com a vulnerabilidade dos personagens. Sua música não apenas acompanha o filme, mas cria uma atmosfera imersiva, característica que o tornou um dos compositores mais requisitados para dramas de época e ficções científicas filosóficas.
Jerskin Fendrix – Bugonia
Representando a nova geração vanguardista, o britânico Jerskin Fendrix retorna ao Oscar após sua estreia impactante em Pobres Criaturas. Fendrix é conhecido por seu estilo disruptivo, que utiliza instrumentos processados de forma nada convencional e estruturas musicais que desafiam as expectativas do público.
Sua indicação por Bugonia confirma que a Academia está cada vez mais aberta a compositores que vêm do cenário experimental. Sua música é muitas vezes descrita como "grotesca e bela ao mesmo tempo", o que se encaixa perfeitamente na estética de diretores que buscam uma sonoridade única e provocativa.
Melhor Canção Original
Se a trilha sonora cria o clima do filme, a canção original é muitas vezes o momento mais marcante da experiência musical no cinema. Nesta categoria, a música deixa de ser fundo e assume o protagonismo, conectando artistas das paradas de sucesso à narrativa cinematográfica. Confira os indicados:
"Dear Me" (Relentless) – Diane Warren (Kesha)
A lendária Diane Warren aparece novamente como a "rainha das indicações", desta vez com a canção "Dear Me", interpretada pela potente voz de Kesha. A faixa faz parte do documentário Relentless, que explora a própria trajetória de Warren como compositora de hits para Beyoncé, Lady Gaga e Taylor Swift.
A música segue seu estilo clássico: uma balada poderosa, com letras sobre superação e força, feita sob medida para emocionar o público e os votantes da Academia.
A narrativa de Diane Warren é a mais longa de Hollywood: ela é a eterna indicada que nunca venceu em competição. Embora "Dear Me" seja uma canção pessoal e poderosa na voz de Kesha, a tendência de Warren é ser reconhecida pelo prestígio da nomeação, mas perder para o "hit" do ano. No entanto, nunca se deve subestimar o "voto de simpatia" de um júri que sente que já passou da hora de a premiar.
"Golden" (Guerreiras do K-Pop) – HUNTR/X
Um marco histórico para a premiação, "Golden" celebra a ascensão definitiva do K-pop na indústria cinematográfica ocidental. Escrita por uma equipe internacional que une produtores sul-coreanos a compositores ocidentais, a canção reflete o caráter global e a produção técnica impecável do gênero.
A faixa do grupo HUNTR/X traz uma energia contagiante e coreografias sonoras que contrastam com as baladas tradicionais da categoria. Sua presença indica um esforço da Academia em se modernizar e abraçar fenômenos culturais que dominam as plataformas de streaming em todo o mundo.
Com vitórias no Golden Globe e no Critics Choice, "Golden" segue a trajetória de sucessos globais que invadem a Academia e é a favorita para o prêmio. A tendência atual é premiar canções que definem o momento cultural. Sendo o K-pop um fenômeno mundial, e a música sendo o motor central da animação da Netflix, este é o concorrente a bater. O Oscar adora premiar a "primeira vez" de um gênero (como fez com o Rap e o R&B no passado).
"I Lied to You" (Pecadores) – Miles Caton
Diferente do que as informações preliminares sugeriam, a canção "I Lied to You" não foi composta por Ludwig Göransson. Embora o sueco assine a trilha sonora do filme, a música em si é uma criação do mestre do R&B e soul Raphael Saadiq em colaboração direta com o próprio intérprete, Miles Caton.
A música é um ponto alto de Pecadores, trazendo uma carga de soul e gospel que serve como âncora emocional para o protagonista. A voz de Caton, aliada à produção refinada de Saadiq, cria um contraste orgânico com os elementos eletrônicos da trilha incidental de Göransson.
Esta canção tem o que os votantes chamam de "peso dramático" e ela está intrinsecamente ligada ao clímax do filme. Historicamente, canções de soul e gospel com forte ligação à trama têm um desempenho excelente (ex: "Glory" de Selma). Se a Academia optar por algo mais "clássico" e menos "pop", esta será a vencedora.
"Sweet Dreams of Joy" (Viva Verdi!) – Ana Maria Martinez
Esta indicação traz o brilho do mundo erudito para o palco do Oscar. Interpretada pela soprano Ana Maria Martinez, a canção é o coração da cinebiografia Viva Verdi!. Ao contrário das faixas pop, esta peça foca no virtuosismo técnico e na tradição da ópera italiana.
"Sweet Dreams of Joy" serve como uma homenagem à grandiosidade de Giuseppe Verdi, transpondo a emoção lírica para o formato cinematográfico. É uma escolha que agrada aos membros mais tradicionais da Academia, destacando-se pela performance vocal poderosa e pelos arranjos orquestrais clássicos.
"Train Dreams" (Sonhos de Trem) – Nick Cave e Rafael Saadiq
A colaboração entre o ícone do rock alternativo Nick Cave e o multi-instrumentista Rafael Saadiq resultou em uma das faixas mais místicas do ano. Cave, conhecido por sua voz barítona e letras poéticas à frente dos Bad Seeds, traz uma aura sombria e introspectiva para "Train Dreams".
A parceria reforça a tendência de artistas vindos do rock autoral encontrarem espaço no Oscar. A música é uma balada atmosférica que utiliza a melancolia característica de Cave para elevar o tom dramático do filme, provando que a simplicidade lírica pode ser tão impactante quanto grandes produções pop.
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O Oscar 2026 reafirma que a música no cinema deixou de ser um mero complemento para se tornar o coração pulsante das narrativas. A diversidade entre os indicados — que vai do virtuosismo da ópera e do refinamento neoclássico à energia vibrante do K-pop e às texturas experimentais do rock alternativo — reflete uma indústria em plena transformação. Essa mistura de gerações e estilos não apenas enriquece a experiência cinematográfica, mas também prova que a Academia está cada vez mais atenta à evolução dos gostos globais e à quebra de barreiras entre as paradas de sucesso e as telas de cinema.
No dia da cerimônia, mais do que a entrega das estatuetas, o público terá a oportunidade de celebrar o impacto emocional que essas composições exercem sobre as histórias contadas. Seja através de uma trilha densa que amplifica a tensão ou de uma canção que ecoa na memória muito depois dos créditos finais, os indicados deste ano já garantiram seu lugar na história da música. Independentemente de quem leve o prêmio para casa, o maior vencedor é o espectador, que ganha obras capazes de transformar cada cena em uma experiência sensorial inesquecível.
