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Em casa cheia, Flogging Molly promove noite irlandesa na capital paulista

Fãs lotaram casa paulista para saudar o Flogging Molly [Foto: Adalberto Rossette]
Por Ricardo CachorrãoFlávio

Sabadão frio em São Paulo, numa época maluca onde em um dia faz 34°C e no dia seguinte a máxima é de 18°C, e o bairro de Pinheiros chega ao fim da tarde com um ar irlandês, um desavisado poderia imaginar ser uma conferência de lenhadores barbudos, mas, é o público chegando para a apresentação dos norte-americanos do Flogging Molly, de volta ao Brasil após seis anos.

A casa abre às 18:00 e lentamente vai sendo ocupada pelo público, que em sua maioria ainda prefere lotar os bares da vizinhança, e uma hora depois, com meia lotação, a garotada dos Rebels And Sinners sobe ao palco, animados em abrir o show de sua maior influência, segundo eles próprios.

Originalmente um trio de Irish Folk, formado em Campinas, interior de São Paulo, em 2014, com Renato “Gordo”, violão e vocal, Fernanda Pfaffenbach, violino e voz e Jonathas Peschiera, baixo e voz, para este show eles vêm reforçados de guitarra e bateria e fazem um set curto, mas certeiro que agrada a todos os presentes. Além do material próprio, presente no bom disco Day’s Just Begun, lançado em 2017, a banda empolga com os covers de “Poison Heart”, dos Ramones, “Zombie”, dos Cramberries e a lembrança de que hoje, 07/10, temos eleições gerais e tocam “Bella Ciao”, canção símbolo da luta italiana contra o fascismo, durante a Segunda Guerra Mundial, sob o grito generalizado de "ele não", em referência ao candidato fascista de extrema direita, pretendente da cadeira de presidente da república.

Após uma rápida arrumação de palco, devidamente abastecido com muitas latas de cerveja Guinness, sob um playback de “Devil’s Dance Floor”, o irlandês Dave King, vocal, violão e líder do Flogging Molly sobe ao palco acompanhado de sua afinadíssima banda, que conta com Bridget Regan, sua esposa, no violino e flauta, Dennis Casey, na guitarra, Matt Hensley, no acordeom, Nathem Maxwell, no baixo, Bob Schmidt no banjo e Mike Alonso, tomando conta das baquetas. E, daí em diante, êxtase total e absoluto foi o que se viu até o final da noite, com a casa completamente lotada, e todo o público cantando cada verso e pulando alucinadamente.

O Flogging Molly vem ancorado pelo lançamento do ótimo álbum Life Is Good, de 2017, e chega ao Brasil logo após uma turnê dos sonhos dos fãs de Celtic Punk, que ocorreu nos Estados Unidos, onde dividiram palco com nada menos que o Dropkick Murphys e também Jake Burns, vocalista e guitarrista do mítico Stiff Little Fingers.

A atmosfera é leve e o bom humor de Dave King dá a tônica do espetáculo. Logo no começo ele avistou alguém no público que disse ter visto um dia antes no show de Curitiba, não pensou duas vezes, foi até a grade do palco e entregou uma lata de Guinness ao fã. Foi ovacionado.

O repertório navega por toda a carreira da banda, tem boas músicas do novo álbum, como “The Hand of John L. Sullivan”, mas não faltam clássicos como “Drunken Lullabies”, “Swagger”, “Requiem for a Dying Song” ou “Float”. Dave King esbanja simpatia e não cansa de repetir estar feliz numa noite linda, acompanhado de um público tão lindo! Dedica canções à esposa que está ao seu lado, ao pai e à mãe. E tem a parte séria também, quando ele menciona saber da importância do dia seguinte aos brasileiros, em menção à eleição presidencial, deseja sorte e é acompanhado do grito uníssono da plateia de "ele não", em nova referência ao militar fascista candidato à presidência.

O show finaliza com o público em êxtase, e banda idem, tanto que o guitarrista Dennis Casey não se contém e se atira no meio da plateia, voltando ao palco nos braços do povo. Uma grande noite de rock and roll, tudo na maior paz, e, em tempos sombrios, com o grito antifascista alto e forte: "ELE NÃO!"

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