quinta-feira, 2 de novembro de 2017

De volta ao Rio com show próprio após nove anos, Megadeth é nostálgico e relevante

Mustaine liderou o Megadeth em show cheio de clássicos (Foto: Amanda Respício)
Por Pedro Nuccini

Mesmo sendo carta marcada no país, o retorno do Megadeth ao Rio após quatro anos guardava algumas novidades. A banda esteve aqui como abertura para o Sabbath em 2013, mas desde 2008 não se apresenta na cidade com show próprio. Então a noite reservava boas novas, principalmente na formação da banda, que apresentava pela primeira vez ao público carioca, o guitarrista Kiko Loureiro, que parece estar mais ambientado que nunca ao grupo liderado por Dave Mustaine. Da formação clássica, que gravou quatro álbuns - contando o petardo Rust in Peace e o ótimo Countdown To Extinction - há além de Mustaine, o baixista David Ellefson.

O show começou na melhor forma possível, com "Hangar 18", seguindo para algumas pancadas dos primeiros trabalhos ("Wake Up Dead", "In My Darkest Hour") e alguns hits que já completam vinte anos, como é o caso de "Trust", um dos últimos sucessos do grupo com participação do saudoso Nick Menza, falecido no ano passado. Mesmo divulgando seu novo trabalho, o já respeitado por crítica e público, Dystopia, a apresentação desta noite é marcada por um caráter nostálgico. Do último álbum, quatro canções são apresentadas (com destaque para a ótima "The Threat is Real"), no entanto, a noite ganha forma quando eles trazem ao público aquela banda que fez parte da programação da MTV nos anos noventa. De Youthanasia, a já esperada "A Tout Le Monde", e outra nem tão esperada assim, mas grata presença: "Sweating Bullets" (do disco Countdown). Outro destaque no repertório foi a presença de "Mechanix", canção escrita por Mustaine na época em que integrava o Metallica, e que inclusive foi lançada por sua ex-banda com o título de "The Four Horsemen".

Kiko Loureiro foi um dos mais exaltados pelo público (Foto: Amanda Respício)
Sobre a estreia de Kiko Loureiro no Rio, podemos dizer que não teria um quadro melhor para o guitarrista, já que o mesmo parece possuir um fã-clube próprio, que o deixa totalmente à vontade para mostrar toda a virtuose que o marcou como um dos grandes instrumentistas da história - dando a impressão em alguns momentos que ele e não Dave, é o guitarra número um da banda. Além de Kiko, o destaque vale também para o baterista Dirk Verbeuren, que substituiu de vez Chris Adler do Lamb Of God. Na cantoria do público no refrão do hino supra sumo do thrash metal "Holy Wars", fica provado que mesmo após trinta anos e um monte de passagens pelo Brasil, um show do Megadeth continua tendo uma relevância indiscutível para as novas e antigas gerações de fãs.

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