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Em exclusiva, Scalene fala sobre novo disco, influências e Rock in Rio

Foto: Breno Galtier
Scalene prepara o lançamento de seu terceiro disco de inéditas
Por Bruno Eduardo

Após ser confirmado como uma das atrações do Rock in Rio, o Scalene segue se consolidando como um dos grandes nomes da nova geração. A banda é a única representante da nova safra a se apresentar no palco principal do festival e está prestes a lançar o seu terceiro disco de inéditas, que pela primeira vez sai bancado por um selo. O lançamento dos discos "Real / Surreal" e "Éter" e a aparição no programa Superstar da TV Globo ajudaram a criar uma enorme legião de seguidores em todos os cantos do país. Essa paixão dos fãs foi devidamente registrada no primeiro DVD ao vivo lançado pela banda no ano passado, e que fecha um ciclo de shows no próximo dia 18 de maio no Imperator, Rio de Janeiro. Para sentir melhor essa nova fase da banda, conversamos com o sempre simpático, Tomás Bertoni. O guitarrista falou sobre toda fase de gravação do disco e das influências sonoras que iremos encontrar no trabalho. Confira!

Vocês estão na fase final de produção do novo disco. Fale um pouco sobre o processo de gravação do álbum. 

Gravamos em São Paulo no Red Bull Studio [Red Bull Station] com o produtor Diego Marx, que também produziu os nossos dois primeiros discos. Foi uma experiência muito legal porque a gente nunca tinha gravado antes em um estúdio... Entre aspas... Profissional. Tanto o "Éter" quanto "Real / Surreal" foram gravados em Brasília, basicamente na casa do Diego e na minha casa. Pegando equipamento emprestado, alugado e montando um home studio, que também funciona muito bem. Porque é uma forma moderna, prática e econômica de gravar. Mas agora a gente conseguiu fazer diferente pois a Red Bull Station cede o estúdio e a gente só teve os custos de avião, de pagar o produtor e de ficar em São Paulo por 1 mês.

E como foi essa experiência?

Foi uma experiência muito boa. Acho que todo artista deve querer ter pelo menos uma vez na vida essa experiência de produzir um álbum num estúdio confortável, com sofás, equipamentos para a gente testar e escolher qual usar e que tenha toda uma vibe artística bem intensa. E foi legal sair Brasília e ir para São Paulo fazer isso. Porque se ficássemos em Brasília, a gente continuaria vivenciando as mesmas coisas do nosso dia a dia, como jantar com a família, sair para aniversários de parentes e etc. Então mudar para São Paulo nesse mês de gravação foi importante para que todos nós tivéssemos um maior foco e mentalidade 100% dentro do objetivo de fazer esse disco novo.

O que os fãs podem esperar deste novo disco, pegando os trabalhos anteriores como referência?

Geralmente quando nós terminamos o processo de um álbum novo, como composição, gravação, identidade visual e planejamento de lançamento é que a gente começa a sentir o que nós conseguimos fazer, os objetivos que foram alcançados, e com isso, já começam a surgir dentro da gente os desejos para os próximos trabalhos. E o Scalene é muito movido a explorar coisas novas e fazer coisas que nunca tinha feito antes. O "Éter" foi uma reação ao "Real/Surreal" e esse próximo álbum é uma reação ao "Éter". 

Em que sentido?

Quando eu digo reação é no sentido positivo mesmo. A música brasileira está num momento muito efervescente, de muita qualidade. E tocando pelo Brasil, conhecendo uma galera que a gente não conhecia antes, isso influenciou inevitavelmente nesse novo trabalho. Então fomos muito influenciados pela música brasileira em todas as suas formas nesses últimos dois anos e isso será perceptível no novo álbum. A partir do momento que você vai ficando bom em alguns aspectos, musicalmente falando, você passa a fazer isso de forma mais natural e automática e começa a se preocupar com novos detalhes e coisas diferentes. Então o foco nesse novo disco foi explorar ritmicamente mais, desde a composição dos ritmos, percussões e grooves, até a execução em si. Não só na bateria, mas em todos os instrumentos. E as letras desse álbum são as melhores que a gente já escreveu.

Essa influência da música brasileira vem dessa nova cena rock que surge em todos os cantos do país?

Na verdade não é só a cena. Eu não gosto muito dessa palavra "cena". É uma palavra muito desgastada e vem carregada por preconceitos e paradigmas que eu acho péssimo. Mas as influências são bem ilimitantes nesse novo disco, de toda a música brasileira, que não apenas rock. Dentro do rock, todas as vertentes do rock. E também não é apenas na nossa geração. Apesar de sermos de uma geração que vem tendo bastante evidência e orgulho do que estamos fazendo, é tudo muito conectado. O Brasil está num momento bom com vários festivais que tem como agregar tudo isso.

Para situar melhor, teria como citar alguns nomes desses artistas que vocês andam escutando?

Caetano e Lenine são os dois favoritos da banda, numa média das opiniões de cada um. E de coisas novas, acho que Metá Metá é uma dessas boas influências. Particularmente falando, o Kiko Dinucci é o meu guitarrista favorito no momento. Acho que o último CD da Elza Soares também foi meio que uma unanimidade, assim como o da Maria Gadú. E tivemos o privilégio de tocar com a Nação Zumbi umas seis ou sete vezes. O show deles foi nos conquistando e o disco "Fome de Tudo" também é um dos que temos ouvido bastante. Uma coisa que foi legal nesse processo, é que nossos pais sempre ouviram muito MPB e bossa nova e nós fizemos um resgate disso. Nós sempre ouvimos por consequência deles e por gostar também, mas acabamos ficando muito tempo sem ouvir tanto e voltamos a fazer agora como músicos. Então foi interessante fazer esse resgate dos clássicos.

Qual a previsão de lançamento do disco? Vocês já podem dizer o título?

Não vamos divulgar o título ainda. Ele sai no início do segundo semestre. Nesse momento ele está no processo de pós-produção. E a partir de junho e julho começamos a ter novidades por aí.
Imagem Internet
Tomás Bertoni no estúdio gravando as guitarras do novo disco do Scalene
O disco sairá pela Slap, da Som Livre. Para uma banda que até ontem era totalmente independente, poder lançar seu disco por um selo nos dias de hoje é uma conquista?

O mercado da música é muito relativo. Não existe dentro do bom senso, um certo e errado. A minha opinião é a mesma desde sempre quanto a isso. Desde a nossa primeira conversa em 2013, que eu penso do mesmo jeito em relação a esse tema. Não é necessário você ser assinado com ninguém para se dar bem no mercado e conseguir se consolidar como artista. Tem banda que tem empresário mas não tem gravadora e bandas que possuem gravadora mas não possuem empresário. Tem banda que não tem nada. Depende da harmonização do que você faz e o que funciona melhor para cada uma. E depende muito também da relação que você tem com a gravadora. Que no nosso caso é a Slap / Som Livre. 

E no caso de vocês, como tem sido essa relação?

Eles tratam a gente como prioridade, como equipe. E é produtivo para os dois lados. Então é uma relação legal. Pode ser que daqui há um ano não seja mais algo tão produtivo, tanto para eles quanto para nós e o melhor seja seguir caminhos diferentes. Por isso, eu acho que cada artista precisa estabelecer sua relação de trabalho e de parceria da forma que acha melhor. Para nós está sendo bom pois a galera lá é ótima. Mas não necessariamente estar assinado com alguém é sinal de coisa boa. Cada artista tem que sentir o que é melhor para si.

Vocês estão confirmados para tocar no Rock in Rio. Como é representar essa nova geração de bandas no palco principal do festival?

O Rock in Rio tem o poder nas mãos de fortalecer essa renovação como ninguém mais. O mais legal é que a minha mãe foi no primeiro Rock in Rio com o meu tio e o fato de agora estarmos tocando... Até para ela tem sido uma coisa bem louca. O Rock in Rio tem dimensões que a gente vai sentir durante todo esse processo. Acho que podia até ter mais coisas novas de bandas brasileiras, mas sermos um desses nomes e levar essa bandeira de uma nova geração ao palco do Rock in Rio será uma grande honra.

E como vocês enxergam o trabalho da imprensa nos dias de hoje para as bandas novas?

Da mesma forma que a tecnologia e a internet democratizaram a música, democratizou-se também a imprensa. Então mesmo que não seja um veículo de grande alcance, tem bastante gente tentando dar essa evidência, fazendo resenhas, dando notícias e tal. Tudo isso é muito importante.

O último show da turnê será no Rio de Janeiro. Lá no Imperator. Vocês possuem uma relação muito forte com o público carioca...

O Imperator foi um dos melhores shows do ano passado. A galera do Rio é ensandecida e será o último show da turnê antes de lançarmos o disco novo. Então vai ser uma despedida marcante para nós.

2 comentários:

  1. O nome do Diego está errado, em vez de "Marques" é "Marx" :)
    Otima entrevista!

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    1. Corrigido Jéssica!!! Obrigado pela leitura e participação!!! ;)

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