segunda-feira, 12 de outubro de 2015

DISCOS: FACÇÃO CAIPIRA (HOMEM BOM)

FACÇÃO CAIPIRA

Homem Bom

Independente; 2015

Por Bruno Eduardo



A Facção Caipira é mais uma dessas bandas que representam o que há de melhor no rock nacional. O quarteto, que ganhou um upgrade popular após rápida aparição na TV Globo (SuperStar), já vem há alguns anos batendo cabeça nos becos cariocas - inclusive com um EP (homônimo) lançado em 2012. Para provar que eles estão com muita lenha para queimar, trataram logo de desembolsar um álbum cheio de inéditas. O trabalho ganhou forma nas mãos sagazes de Felipe Rodarte (Folks) e foi lapidado por Chris Hansek (Soundgarden, Melvins, Kapitu). O resultado não poderia ser diferente: Homem bom é rock honesto, original e divinamente bem produzido.

"Pedrada" abre o disco de forma apropriada. A faixa pode ser considerada um resumo perfeito para quem procura entender o som da banda. Nela, estão implantados os principais ingredientes que ajudaram a construir o alicerce artístico da Facção - rock de quilate setentista, gaita nervosa e letras que parecem extraídas de um diário particular. Da mesma forma é "Blues Brasileiro Foragido Americano", que fora apresentada anteriormente em rede nacional. Entre os destaques, está "Tiro e Queda" - talvez a menos 'caipira' do bolo, mas que pode ser considerada uma das melhores. Forte, com levada de guitarra rasgada, e bela interpretação de Jan Santoro, a canção é um tiro curto e o repeat instantâneo é obrigatório. Por falar nisso, a maioria das faixas possui menos de quatro minutos de duração, o que torna a audição dinâmica e funcional. Uma exceção é "Levada", com pouco mais de cinco minutos de guitarra macia em um quase blues dos bons.  

Homem bom também é recheado de influências interessantes - ou no mínimo, curiosas. "Ex-fumante", por exemplo, além de possuir um título sensacional, direciona seus passos numa estrada que permeia entre Belchior, Raul Seixas e - por que não? - Reginaldo Rossi. Outra que segue esta mesma via é "Dois Pra lá Dois Pra Cá", que vai do brega ao ritmo circense e termina num rock para lá de quebrado. O rock and roll dinâmico e cheio de feeling, que se tornou característica da Facção Caipira, volta com tudo na dobradinha "Vida de Tralha" - aparada principalmente pelos bons arranjos do baterista Renan Carriço - e "Comédia Romântica". Já "Ressaca", é a perfeita retratação do porre - que vem cheio de melancolia e paixão embebedados em versos sensacionais de fina poesia: "Eu vomitei toda mágoa que me fizeste beber sem gelo e sem razão / destilei seu shot de vaidade, um conhaque de maldade, um vermute, um bourbon".

O primeiro disco da Facção Caipira não desperdiça munição. Aqui é tudo na urgência típica de um homem bom - que assim como o título do disco possa sugerir, ele também vem disposto a mudar o mundo com as suas próprias convicções, habilidades e, principalmente, honestidade no que faz. 

Apenas um discaço.

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