sábado, 4 de abril de 2015

DISCOS: SCOTT WEILAND (BLASTER)

SCOTT WEILAND

Blaster

Steamhammer; 2015

Por Lucas Scaliza







Scott Weiland é sinônimo de diversão, de rock bom e divertido. E Blaster é isso mesmo. Nada de arte, nada de grandes exibições técnicas. É rock’n’roll para festa, para ouvir no carro, para agitar a galera, para ser só música de entretenimento sem culpa. Mas uma boa música de entretenimento - portanto, não vá esperando ambições artísticas como as recentemente demonstradas por Steven Wilson e seu Hand. Cannot. Erase. ou Steve Hackett com seu Wolflight, ok? Estão mais próximos de Tom Petty & The Heartbreakers.

Faça o teste: ouça “Bleed Out” sem querer sair dançando. Ou os riffs westerns de “Youth Quake” sem ser contagiado pelo ritmo e pela levada do baixo. Não faz mal que tudo parece simples demais. É um tipo de rock que remete aos anos 80 no jeito de evocar guilty-pleasures e aos anos 90 no jeito de ser direto e guitarreiro. Dúvida? Coloca para tocar “20th Century Boy” e logo no gritinho inicial você vai entender.

Embora não seja nada de proporções épicas e não tenha originalidade nenhuma para tornar Weiland, os Wildabouts ou o álbum lendários no mundo do rock, digo sem medo que Blaster sozinho sabe divertir e ser melhor do que quase tudo que o Bon Jovi tem lançado nos últimos anos. E ainda tem o blues rock com ótimo refrão de “Way She Moves”, a arrastada “White Lightning” e a comercial “Blue Eyes”, sem falar na simples e inocente “Beach Pop”.

Em um álbum em que quase todas as músicas parecem ser fortes candidatas a single radiofônico, fica a certeza de que os shows podem ser ótimos, já a plateia, mesmo que não conheça Blaster, não deverá ter dificuldade de se identificar com qualquer coisa que seja tocada do álbum. E em meio a tudo isso, duas chamas a atenção. “Parachute”, que se permite ser um pouco mais viajante, e a excelente “Circles”, que troca as guitarras pelo violão dedilhado e faz um western bem bonito com ótimos arranjos.

Scott Weiland é um bom vocalista para rock’n’roll. Ele sabe de suas limitações e nunca passa do ponto. Não é incrível, mas é eficiente. Ao vivo então, nem se fala, sobretudo por conta de sua tendência de ser showman e realmente entreter a plateia. Os Wildabouts que o acompanham nessa empreitada são Tommy Black na bateria, Danny Thompson no baixo e Jeremy Brown na guitarra. São apenas quatro caras e o bom repertório de Blaster não exige nada mais para funcionar bem.

Scott Weiland ganhou relevância no cenário mundial do rock como vocalista do Stone Temple Pilots. Quando a banda suspendeu as atividades, foi recrutado no início do século pelos ex-Guns’N’Roses Slash, Duff e Matt para cantar em uma nova banda, Velvet Revolver, que também fez um ótimo barulho enquanto esteve ativa e na estrada. Ao longo de toda a sua carreira, Weiland também ficou famoso por seu consumo de drogas e rehabs a que precisou recorrer, prejudicando inclusive gravações de discos e turnês. Sem falar que o Stone Temple Pilots foram reativados em 2008, mas precisaram demitir o vocalista em 2013, que estava causando problemas com o resto da banda. Chester Bennington, do Linkin Park, acabou substituindo-o.

Mesmo em uma fase divertida como a que tem passado com os Wilabouts – e Blaster atesta isso muito bem –, os reveses da vida não saíram do encalço de Weiland. Mal Blaster chegou aos ouvidos do público e seu guitarrista, Jeremy Brown, morreu aos 34 anos. As causa do óbito ainda não foram divulgadas, mas Weiland disse que ficou preocupado ao ver que Brown não chegava para o ensaio da banda, um dia antes do lançamento do disco. Recentemente haviam tocado no festival South By Southwest em Austin, Texas, e tinham 20 datas de shows já marcadas.

Brown tocou guitarra no disco solo de Weiland Happy in Galoses e acompanhou o cantor, junto dos outros Wildabouts, na turnê que apresentava músicas dos discos Core e Purple do Stone Temple Pilots.

Blaster é tanto volta de Scott Weiland ao rock com material novo quanto o testamento em música de Jeremy Brown que, apesar da falta de pretensão do trabalho, mostra uma mão muito boa para o riffs e solos. A ótima “Modzilla”, que abre o disco, fica como vislumbre do que ele poderia ter mostrado nos anos seguintes se lhe fosse dado mais tempo.

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