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Discos: Faith No More (Sol Invictus)

Foto: Divulgação
Faith No More retorna nostálgico e inovador em seu primeiro disco desde 1997

FAITH NO MORE

Sol Invictus

Reclamation Records; 2015

Por Bruno Eduardo




É praticamente impossível - e inaceitável - pensar que o Faith No More ainda possa surpreender alguém nos dias de hoje. Quem conhece a história dessa banda, sabe que é um erro criar qualquer tipo de expectativa - no bom e no mau sentido. Mesmo assim, a audição instantânea de Sol Invictus, primeiro disco do grupo em dezoito anos, é capaz ainda de causar as mais diversas - e estranhas - sensações. O que pode ser considerado algo comum, já que com exceção de The Real Thing, todos os outros discos do grupo com Mike Patton tiveram essa 'marca registrada'. 

Seria redundante dizer também, que Sol Invictus não tem nada a ver com qualquer outro disco lançado pelo quinteto em seus mais de trinta anos de estrada. A banda nunca se repetiu, nem mesmo sob a pressão pesada da gravadora no início dos anos noventa. "Este é apenas mais um disco do Faith No More", disse o tecladista Roddy Bottum. E como todos sabem, um disco do FNM é sempre impossível de ser correlacionado a qualquer outra coisa. 

Não caia nessa também de que esse é um disco gótico, como o grupo chegou a afirmar - não é. O álbum possui algumas passagens oriundas do dream pop e do space rock, mas tudo de forma curta, como pequenos flertes em uma noite de baile. Fazendo uma analogia de toda discografia, não seria exagero afirmar que desde Angel Dust o grupo não apresenta algo tão uniforme. A sensação que se tem é de que todas as canções foram feitas para estar ali, e que nenhuma delas soa excessivamente fora de contexto ou perdida, como aconteceu nos últimos trabalhos da banda. A maior prova disso, é que até "Motherfucker" - considerada a mais fraca das inéditas - faz mais sentido agora do que quando foi lançada de forma isolada, como primeiro single.

Pianos de baixa escala e um início sombrio logo na abertura do álbum, servem apenas como uma introdução cinematográfica do que estaria por vir. Mas a faixa-título não entrega o jogo. Definitivamente, Sol Invictus não é um disco de rock pesado, mas ele é rico em texturas e vocais brilhantes. As ótimas "Sunny Side Up" e "Rise Of The Fall", por exemplo, são carregadas exclusivamente pelas melodias particulares de Mike Patton e Roddy Bottum, e "Superhero", o segundo single do álbum, é talvez a mais nostálgica deste novo trabalho - um hard cheio de pianos e com o baixo nervoso de Billy Gould; "Matador" também, só que com doses contemporâneas e vocal retrô (caberia fácil num lado B de Angel Dust). O resto do disco transita por uma variedade de influências - das mais diversas, que vão do rock alternativo ao tango (?) - e consegue se manter untado principalmente pela firmeza da dupla Gould / Bordin. 

A elétrica "Separation Anxiety" traz um lado mais exposto - quase virtuoso - do guitarrista Jon Hudson, e remete um pouco ao som desenfreado do Tomahawk; já "Cone Of Shame" - uma das melhores - é talvez a mais "rock" do disco e se destaca pela não ramificação de gêneros. Começa num clima meio bluesy e termina numa gritaria só. A ambiguidade característica dos californianos chega ao ponto máximo na excêntrica "Black Friday" - que fala sobre a loucura consumista das pessoas - e na quase country, "From The Dead". Mas nada ao ponto de assustar os fãs, já acostumados com toda 'porralouquice' da banda. 

Uma das coisas boas desse disco, é que mesmo cheio de oscilações, a atmosfera permanece leve - fruto do momento pacífico em que eles se encontram. Pela primeira vez desde The Real Thing, temos a nítida impressão de que eles não estão tentando se livrar de qualquer estigma, ou parecem demasiadamente desesperados em sua busca incessante por sair do convencional. Tudo aqui é muito natural, e talvez por isso, funcione até nos momento mais controversos.

Embora possa ser considerado um disco curto - tem aproximadamente quarenta minutos de duração -, Sol Invictus é honesto e cheio de boas ideias. Em uma rápida - e talvez desnecessária - comparação, podemos dizer que este novo disco não é tão incisivo quanto Angel Dust, e nem tão tenso quanto Album Of The Year, por exemplo. O álbum também não segue a mesma proposta de We Care A Lot, como foi dito pela banda em algumas entrevistas. Aliás, ele não segue proposta nenhuma. O único mote desse disco foi surgir. E como uma flor rara em solo estéril, Sol Invictus cumpre bem o seu papel.

8 comentários:

  1. Lamento, Bruno. Ouvi esse álbum todo, umas 3 vezes, pra tentar entender, assimilar e quem sabe, gostar. Eu, como seguidor do Mike Bordin, achei esse álbum bem parecido com "sobras de estúdio". A impressão que tive é que a banda se juntou e gravou tudo "nas coxas". Não sei se estou ficando velho, ou perdendo a percepção musical, mas, logo em seguida, ouvi o novo do Michael Schenker (Spirit on a Mission" e tive a certeza que, quanto mais o tempo passa, mais admiro a música que foge do comercial. E esse álbum do FNM, na minha opinião soa como o mais comercial da banda. E o que é pior: perdeu consideravelmente o peso da batera do Mike Bordin por causa dessa flertada escancarada com o pop.

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    1. Gosto, e respeito a sua crítica exatamente por ser bem fundamentada e sincera. É um disco que não vai agradar todo mundo, mas eu vi mais pontos positivos que negativos. Confesso que esperava muito menos deles. Ainda não ouvi o novo do Michael Schenker, mas farei logo que puder!

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  2. "A sensação que se tem é de que todas as canções foram feitas para estar ali"

    Pois é, só o Angel Dust tinha me dado essa sensação e agora o Sol Invictus também.

    Vendo a discografia da banda, criar expectativas sobre como vai ser o próximo álbum nunca foi uma coisa boa de se fazer, cada álbum teve as suas diferenças e seus experimentalismos, acho que esse é o resumo do que realmente é o Faith No More.

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    1. As músicas "Matador", "Superhero", "Sunny Side Up" e "Rise Of The Fall" e "Cone Of Shame" resumem bem a história do grupo, em minha opinião.

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  3. Esse disco tá ótimo.
    Muito superior ao de 1995 que ficou muito pesado e sem o groove característico deles. E de 1997 que teve uns eletrônicos da modinha clubber ... bem fraquinho.
    É o 3º melhor disco: Sol Invictus. Só perde para a obra-prima Angel Dust (que mesmo sendo perfeição ... não conseguiu projetá-los na competição de galãs com o Guns NRoses, Red Hot Chilli Peppers e Nirvana ... o Faith no More era bom e tinha um galã, mas faltou grana da gravadora e espaço na mídia). O FNM (Warner, Slash) foi engolido pelas bandas da Geffen (Guns, Nirvana) e não foi promovido como Red Hot (EMI, Warner).

    Pra mim, esse fica sendo o 3º melhor disco deles:
    1º ► Angel Dust (1992)
    2º ► The Real Thing (1989)
    3º ► Sol Invictus (2015)
    4º ► King for a Day... Fool for a Lifetime (1995)
    5º ► We Care a Lot (1985)
    6º ► Introduce Yourself (1987)
    Album of the Year (1997)

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    1. Cara, o objetivo do Angel Dust foi FUGIR dessa "competição de galãs" como vc disse e tirar a atenção da mídia de cima deles pq eles achavam isso tudo ridículo. O Angel Dust não fez tanto sucesso qto um GnR ou Red Hot pq ele fugia do convencional e ia contra o q o púnlico esperava, e era justo esse o objetivo da banda

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  4. O Introduce Yourself é ótimo, muito melhor que We Care a Lot, Album of the Year e King for a Day... Fool for a Lifetime juntos. O que estraga são os péssimos vocais do Chuck Mosley

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  5. Ainda estou adaptando os meus ouvidos ao álbum; de início diria que gostei muito da primeira música e das duas últimas; as outras ainda estou tentando diferenciar uma da outra. Já deu para sentir, no entanto, que está longe de ser uma obra-prima como Angel Dust assim como está longe de ser o pior disco da banda!

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