quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Em exclusiva ao Rock On Board, Dave Lombardo fala sobre Slayer, Fantômas e Philm

Foto: Dave Lombardo

"Fui Maltratado no Slayer!"


Por Bruno Eduardo


Dave Lombardo, o eterno baterista do Slayer, chega ao Brasil para uma série de dez apresentaçõesAtualmente ele é integrante da banda Philm, que tem um novo disco na praça, e ensaia uma volta aos palcos com o Fantômas - que vem sendo sondado por produtoras da América do Sul. Em exclusiva ao Rock On Board, Dave falou sobre sua carreira, sobre os show no Brasil, e como é ser considerado um dos maiores bateristas de todos os tempos.


Dave, fale sobre os workshows você vai apresentar no Brasil. Como surgiu a idéia? 


Fui contactado pelo Felipe Mascarenhas (Rock Free Day) para fazer uma turnê clínica no Brasil. Eu fiquei muito animado com a oportunidade, porque eu vou poder passar mais tempo do que o normal no país. Eu sempre tive um grande apoio dos fãs no Brasil, e ter a capacidade de passar um tempo com eles compartilhando conhecimento é algo incrível na minha vida. Os workshows possuem um formato muito aberto e espontâneo. Vou tocar algumas músicas, fazer alguns solos e, em seguida, abrir espaço para um Q & A ... e depois tocar um pouco mais. Vai ser um grande momento! 


Na minha opinião, esses eventos são uma maneira muito imediata para os fãs poderem interagir com seus ídolos - mesmo que a acessibilidade às mídias sociais como Facebook, Twitter, etc tenham ajudado a diminuir esse distanciamento. Isso ainda se faz importante para você? 


Sim, é muito importante. Os fãs têm me permitido ganhar a vida fazendo o que eu mais amo. É uma sensação incrível poder passar um tempo com eles e tirar suas dúvidas. Eu amaria poder ter essa chance de um dia ter testemunhado alguma clínica dos meus bateristas favoritos, ou por ter tido a chance de me comunicar com eles, mesmo que online. Ter estas diferentes plataformas de conhecer alguém que te inspira não é apenas emocionante, mas oferece um pouco de clareza sobre quem eles realmente são. 


Você é grande referência para bateristas consagrados como Iggor Cavalera e Joey Jordison. Como você lida com isso hoje? 


Eu sei tanto de Igor e Joey ... ambos são muito talentosos bateristas. Sou honrado por ser considerado uma referência para eles. Para lidar com isso, eu me comprometi a continuar melhorando sempre. Eu fico mais criativo possível e estou sempre em atividade. Espero poder continuar a ser uma forte referência para muitos anos vindouros. 


Como você vê essa nova geração de bateristas? 


Bem, há definitivamente alguns bateristas qualificados lá fora. Mas no estilo que eu sou mais conhecido, há poucos que se mantém fiel no que eu considero ser o melhor para a arte. Os computadores assumiram. Gostaria que mais bateristas aprendessem da mesma maneira que eu... pelo jeito difícil. Você tinha que manter o tempo natural, tinha que ser realmente conciso. Os Bells e assobios definitivamente vêm a calhar, mas as drum machines não têm alma. 


Não podemos fazer uma entrevista como esta sem falar sobre Slayer, podemos?


Claro que podemos! (Risos)


Falando especialmente sobre a sua súbita 'partida' da banda no ano passado, e aproveitando que agora a poeira baixou um pouco, como você diria que Dave Lombardo foi tratado nesse caso? 


Diria que ele foi maltratado durante todo o período que esteve de volta à banda! Mas nós não podemos voltar atrás, então por que olhar para trás? 


E qual é o status do Fantômas hoje? Ouvi rumores de que a banda pode tocar na América do Sul este ano.  


Eu ouvi esses mesmos rumores. Eu adoraria que isso acontecesse. Até onde eu sei, nada está confirmado na América do Sul ainda. Falei com Mike Patton recentemente, mas não temos nada agendado para a banda até o momento. 


Por falar em Fantômas, em uma entrevista antiga, Mike Patton disse que o álbum Suspended Animation é extremamente difícil de ser tocado ao vivo por qualquer banda. Você acha que, de todos os álbuns que você gravou na sua carreira, este é o mais difícil de tocar ao vivo? 


É absolutamente o mais difícil! Concordo plenamente com Mike. E aproveito para dizer que eu amo esse álbum. 


Gostaria que você falasse da experiência em tocar no PHILM. Como é um projeto tão diferente do que você fazia em outras bandas, podemos dizer que ele representa todos os desafios específicos que você procura na carreira? 


Cada projeto é extremamente diferente, e me desafia de alguma forma nova e interessante. PHILM é um projeto muito agradável para mim. É algo que vem rolando na minha cabeça por anos. Há uma liberdade com esta banda. Não temos regras ou limites. Nós escrevemos o que sentimos sem levar em conta o que é popular ou esperado. O maior desafio é encontrar um público que ouve com a esperança de descobrir algo novo e inovador. Não apenas aqueles que querem apenas encontrar mais uma banda de trash metal. Quando eu ouço novas bandas, a maneira mais rápida de me desligar é tocar algo familiar.


Inclusive há um segundo álbum, não é isso? O que você pode dizer de "Fire From The Evening Sun"? 


Fire From The Evening Sun é um álbum muito emocionante. Ele tem 12 músicas. Não há muitas improvisações como em nosso primeiro álbum. Ele tem uma sensação mais estruturada. Nós exploramos muitos estilos musicais de Thrash, Funk, Punk, e vários outros. É um álbum muito pesado tanto melodicamente quanto liricamente. É um trabalho único, mas que ao mesmo tempo soa muito familiar. Fãs de Thrash vão ouvir o que eles perderam de mim, mas aqueles que procuram algo diferente, poderão apreciar os riscos que corremos. 


E como Dave Lombardo faz dele mesmo um um baterista melhor? 


Estou constantemente aprendendo. Lanço-me em novas oportunidades todos os dias. Eu me desafio constantemente. Eu acredito que é assim que você se torna melhor; Nunca tornar-se complacente. 



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