terça-feira, 24 de junho de 2014

DISCOS: LIVING DEAD LIGHTS (Black Letters)

LIVING DEAD LIGHTS

Black Letters

Som Livre; 2014

Por Noemi Machado






Por ser uma apaixonada por hard rock, assumi a tarefa de desvendar o álbum de estreia do Living Dead Lights. Porém, a primeira impressão que tive ao ouvir a faixa de abertura de Black Letters foi: “Que $%$#@ é essa? Isso não é hard rock!”

Entenda: se você tem menos de 30 anos, explico que eu sou de uma geração na qual o hard rock que se ouvia, a maior parte hoje é considerada AOR (Adult Oriented Rock). Claro, tirando os inatacáveis Led Zeppelin (este então, ultrapassou qualquer gênero, status, humanidade), Deep Purple e Kiss - entre outros grupos de deuses. Ou seja, o rock que os seus pais ouviam! 

"I’ll Be Your Frankstein" não tem os riffs melódicos, agudos vocais com vibratos e nem aquele tecladinho de fundo, zunindo que nem abelha, sabe? É porradaria do primeiro ao último segundo.

O álbum é uma jornada diversificada. Você percebe que os caras saem para o acostamento em alguns momentos, sem, no entanto, parar. Apenas dão uma sugestão de desviada, mostrando que são influenciados por várias vertentes do rock.

Reconheci o hard rock sim, principalmente em "It’s Drowning In My Veins", e me senti na esquina de casa - embora o AX7 tenha sido sussurrado fortemente no meu ouvido várias vezes. 

Já "Everybody" me lembrou algo um pouco fora. Me deu um cheiro de The Clash aceleradíssimo. Não que tenha ficado dissonante - eles fizeram a coisa direitinho! Fiquei esperando também, ouvir a indefectível balada - que todo álbum de hard rock tem que ter (!). E para meu deleite, ela estava fincada em "Amerikan Eyes" (e somente nela!). "Ghosts & Saints" reserva a última surpresa para quem espera mais porradas na caixa. Acordes de violão, um arranjo vocal gostoso de ouvir - encerrando com suavidade uma sortida audição. Me lembrou 'Vermillion Pt 2', do Slipknot, a preferida das garotas, só que sem a morbidez sonora, ficando um lance mais folk, apesar da letra igualmente deprimente.

O álbum tem esse zigue e zague, com grandes chances de agradar a muitos gostos diferenciados, mas já dá para identificar algum DNA da banda nas músicas. Algumas influências são inegáveis! Mas eles conseguem um som próprio, bem executado e, o mais importante: bom de ouvir. Acho que a garotada pode ter um novo ídolo para gritar - correndo o risco de alçar outra banda ao patamar das “clássicas”. Quanto mais, talvez melhor.

Ouça: "This is Our Evolution"


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