segunda-feira, 9 de junho de 2014

DISCOS: EAGULLS - EAGULLS



Por Bruno Eduardo


Uma atmosfera toma conta dos becos de rock britânicos. Há muito não se via uma excitação tão grande por parte da imprensa local. O que se pode dizer, é que há uma nova safra de bandas sedentas se formando, e muito desse frisson pode ser sentido de perto - principalmente em shows isolados de grupos como Eagulls, Wychtes e Drenge. 

Embora existam referências inconfundíveis nessa geração punk-revival que assola a terra da rainha (como as meninas do Savages, por exemplo), há também algumas reminiscências do punk setentista – algo próximo a que Joe Strummer teria feito um dia. 

 Após uma fatídica aparição no programa The Late Show de David Letterman, o Eagulls - que já figurava como a nova banda predileta da mídia - apresentara em primeira mão uma música desse seu primeiro disco de estúdio: “Possessed”. A faixa é o império do caos. Guitarra suja, noise em demasia, e um possuído George Mitchell berrando aos quatro ventos o orgulho em ser livre. Em certos momentos, a vontade de ser punk é tão voraz que chega a ultrapassar o sentimento genuíno. É uma linha tênue, mas é exatamente aí que o disco reside.

O som dos caras é algo tão polivalente, que fica difícil pregar qualquer influência – tem colegas definindo-os como uma mistura de Killing Joke com The Cure. Mas é pouco. Ouvindo faixas como "Soulless Youth" - construída por um turbilhão sonoro de riffs intensos - há um colapso de adrenalina, onde Mitchell cospe de forma efusiva: "Você está sem alma dentro!" – aumentando a erupção sonora, e trazendo o ouvinte a um clímax devastador. Aos entendidos que pretendem sepultar o rock de cinco em cinco anos, sugiro uma visita breve à terra de Pete Townshend. Pois é lá que o rock deita eternamente em berço esplêndido.

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