sexta-feira, 9 de maio de 2014

Marky Ramone fala sobre passado, presente e futuro em entrevista exclusiva

Foto: Bruno Eduardo
Marky Ramone no show do Rock in Rio em 2013
Por Bruno Eduardo

Quando Marky Ramone veio ao Rock in Rio em 2013, a entrevista que estava marcada não aconteceu. Porém, não demorou muito para que o baterista voltasse ao país e nos desse a chance de correr atrás desse prejuízo [agradecimento especial ao Raoni Martins e o pessoal da A Grande Roubada Produções]. Pessoalmente, Marky é um senhor educado, de fala calma, e que gosta de relembrar histórias antigas. É daquele tipo, que ficaria papeando por algumas horas, em qualquer bar punk. Marky não teme o futuro e muito menos tem vergonha do passado. O projeto com Blitzkrieg e Michale Graves comprova que ele sabe cuidar do seu legado. Em uma época que usar camisas com a logomarca dos Ramones virou uma espécie de moda no Brasil, Marky conversou comigo e afirmou que excursiona para cumprir uma missão: a de continuar levando o nome de Joey, Johnny e Dee Dee para as novas gerações.  
  
Muitos fãs consideram o seu projeto como um tributo a Joey, Johnny e Dee Dee. O que você acha disso?

Eu tentei fazer um projeto solo com a minha banda, mas os fãs só queriam ouvir músicas dos Ramones. Então eu disse: tudo bem, eu vou fazer isso. Eu entendo que é toda uma nova geração, e eu sou o único que está fazendo shows, excursionando. Então faço isso para os fãs mais jovens, que não tiveram oportunidade de ver os Ramones juntos.  

Você citou a nova geração de fãs que são influenciados pelo seu trabalho. Todo artista teve seu lado de fã no passado. Como foi com você?

Quando eu tinha oito anos de idade, minha mãe me chamou na sala, e lá na TV estava Ringo (Starr). Então a próxima coisa que eu queria fazer na vida era tocar bateria, porque eu o amava. Já na minha adolescência, eu adorava Mitch Mitchell, Buddy Rich, Ginger Baker do Cream, e também Keith Moon do The Who. Então, posso dizer que minha alma é uma mistura de todos eles.

Podemos dizer que a cidade de Nova York também foi uma forte influência na sua vida musical?

Absolutamente. Nova York era um lugar difícil nos anos 70. Era deprimida economicamente; com greves de lixo por toda parte; e uma grande quantidade de armas, quadrilhas e assassinatos. Felizmente, tivemos CBGB para nos apoiar e tínhamos um lugar para tocar.

Qual é a diferença entre tocar músicas dos Ramones com Johnny, Joey e Dee Dee, e com Michael e os músicos atuais?

Não vejo diferença. Eu toco a mesma coisa, da mesma forma. Talvez eu improvise mais hoje. Eu sinto que muitas das canções dos Ramones precisa de um pouco mais de preenchimento de bateria. Mas gosto de tocar de qualquer forma (risos).

Quando tentei falar com você ano passado, vi que ainda vive ou mantém seu escritório no Brooklyn. Como é viver tanto tempo no mesmo lugar e ver suas transformações? Vocês sempre disseram que o local era muito difícil na década de 70, mas hoje é um dos mais badalados no mundo.

Verdade! O Brooklyn é grande. Por eu ser de lá, fico muito feliz por ver que existe uma cena muito legal de música agora. O incrível é que a sensação de tocar lá nos dias de hoje é tão ou mais forte do que há de 30 anos atrás. É um sentimento de orgulho quando estou no palco. "É O BROOKLYN!"

Você pode citar alguma banda contemporânea que aprecia?

Eu gosto de Riverboat Gamblers; de uma banda americana chamada The Loved Ones; Anti-Flag; e os Gallows.

Fale um pouco sobre o show do Rock in Rio. Como foi a experiência de tocar com o Offspring?

Foi ótimo! Estou acostumado em tocar com mais de uma banda no mesmo dia. Eles (Offspring) sempre se disseram fãs dos Ramones, e nada mais legal que retribuir esse carinho. Os caras são amigos de estrada, e a oportunidade em fazer uma coisa nova para os fãs foi o que me motivou a voltar ao palco. O show com o Blitzkrieg foi muito bom também! Adoro tocar no Brasil. Sempre fui muito bem recebido aqui. 

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