The Hives conquista e entrega o melhor show do Rock in Rio até agora

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Mais cedo, apontamos por aqui que a presença do The Hives figurava como uma das passagens obrigatórias do primeiro dia de festival. A banda sueca subiu ao Palco Mundo no início da noite e confirmou exatamente o que se desenhava: entregou uma apresentação impecável, daquelas que justificam plenamente o esforço de quem entrou cedo na Cidade do Rock.

O marco era significativo para o grupo nórdico. Apesar de acumular mais de trinta anos de carreira e já ter passado treze vezes pelo Brasil, incluindo passagens por grandes festivais paulistanos, esta foi a primeiríssima ocasião em que eles pisaram no Rock in Rio.


Quem acompanhou a rápida ascensão do garage rock no começo dos anos 2000 lembra bem do impacto do álbum Veni Vidi Vicious. Mais de duas décadas depois daquela explosão que reergueu guitarras sujas pelo mundo, o quinteto mostrou que aquela mesma pegada continua intacta, sem soar datada ou cansada.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

O show foi direto, dinâmico e focado em manter a rotação alta o tempo todo. A sensação geral na pista era de que o tempo passou rápido demais; foram cerca de cinquenta minutos que pareceram durar apenas alguns instantes, tamanha a facilidade em prender a atenção do público do início ao fim.

Boa parte desse magnetismo vem da presença do vocalista Pelle Almqvist. Dono de uma postura elétrica, ele correu o palco de ponta a ponta sem perder o tom, mostrando como conduzir uma grande massa com absoluta naturalidade.

Almqvist não hesitou em quebrar o distanciamento comum dos grandes palcos de festival. Em várias ocasiões, o vocalista desceu até a área de segurança para ficar colado na primeira fileira, apoiando-se nas grades para cantar literalmente cara a cara com os fãs.

A resposta da pista acompanhou o ritmo acelerado do repertório. Em meio à execução de faixas conhecidas e novidades recentes, diversos pontos da plateia registraram fortes rodas punk, com empurrões amigáveis e muita gente pulando junto.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Outro ponto que chamou a atenção foi a comunicação de Pelle. Disposto a estabelecer contato direto com os brasileiros, ele falou bastante em português durante os intervalos das músicas, improvisando com muita espontaneidade.

Foi aí que entrou seu conhecido senso de humor cáustico e divertido. Demonstrando uma vaidade propositalmente exagerada e teatral, o cantor não economizou piadas, elogiando o próprio grupo ao proclamar em bom tom a frase "ótimo banda" (sic) a cada pausa dramática.

O deboche sobrou até para os colegas de escalação. Brincando com a hierarquia do dia, o vocalista fez comparações diretas com o Foo Fighters, sugerindo em tom sarcástico que o The Hives estava disputando a preferência do público contra a atração principal da noite.


Essa simpatia desconcertante teve um efeito prático: conquistou quem não estava ali por eles. Diante de uma plateia visivelmente dividida e cheia de pessoas guardando lugar para o Rise Against ou aguardando Dave Grohl, o conjunto conseguiu colocar todos para bater palmas e participar dos coros.

Visualmente, a identidade marcante de sempre também somou pontos. O uniforme de ternos bicolores com detalhes luminosos, somado aos movimentos milimetricamente sincronizados dos músicos, reforçou o cuidado que eles têm em entregar um espetáculo completo.

Ao final da apresentação, a estreia do The Hives no Rock in Rio deixou um saldo indiscutível. O quinteto provou na prática a tese que levantamos horas antes: quem assistiu a esse show teve uma das experiências mais divertidas e eficientes de todo o festival.

Carol Goldenberg

Advogada, jornalista musical e guitarrista, mas acima de tudo, amante da música desde sempre. Roadie, guitar tech e exploradora de shows e festivais pelo mundo, vivendo cada acorde como se fosse único e cada plateia como um novo universo.

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