Nova Twins abre o Palco Mundo com peso, atitude e muita personalidade no Rock in Rio

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

O Rock in Rio sempre sofre críticas por repetir, edição após edição, nomes que já passaram inúmeras vezes pela Cidade do Rock — pelo menos entre a galera do rock. Mas, neste ano, a curadoria resolveu olhar um pouco mais para fora da caixa e apostar em artistas mais alternativos. Um deles é o Nova Twins, que teve a missão de abrir o Palco Mundo neste primeiro dia de festival.

É uma pena que quase ninguém tenha assistido ao show. O espaço em frente ao palco estava bastante vazio quando Amy Love e Georgia South entraram em cena. E é justamente aí que bate aquela sensação de que o público perdeu a oportunidade de descobrir uma banda extremamente cativante. No entanto, elas pareciam não ligar para isso. Se lá embaixo, o que se via era um enorme espaço vazio, em cima do palco não faltou intensidade. 

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

Com constantes mudanças de guitarra e baixo, efeitos, peso e músicas que naturalmente convidam o público a cantar junto, a dupla construiu uma apresentação que foge completamente do lugar-comum.

O som delas parece uma combinação improvável — e muito eficiente — entre o rock garageiro e pesado do baixo de Georgia South e a performance de diva pop de Amy Love. Em músicas como “Hide & Seek” e “Cleopatra”, os poucos presentes diante do Palco Mundo já começavam a prestar atenção. Alguns batiam cabeça. Outros observavam com curiosidade, tentando entender exatamente o que estava acontecendo ali.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

É impressionante como Amy Love consegue alcançar notas altíssimas enquanto continua percorrendo o palco com uma energia quase inesgotável. Mas, para mim, é Georgia quem rouba a cena. O baixo da Nova Twins é praticamente um instrumento de guerra. A quantidade de notas, timbres, efeitos e sons que Georgia consegue tirar do instrumento impressiona — e foi um elemento recorrente durante toda a apresentação. É uma banda sem guitarra tradicional, mas que sabe ser ensurdecedora.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

E o mais interessante é que o peso nunca elimina as melodias. Pelo contrário. O Nova Twins consegue misturar agressividade e elementos claramente pop, com referências que passam por nomes como Beyoncé e Lady Gaga, sem transformar isso em uma fórmula óbvia. É um show alternativo ao extremo. E talvez seja justamente por isso que seja tão maravilhoso ouvir os PAs do Palco Mundo sendo tomados pela pressão sonora da dupla em “Piranha”, uma faixa que resume bem essa mistura de efeitos, peso, agressividade e uma sonoridade que, apesar de experimental, também consegue soar surpreendentemente comercial.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board

No fim das contas, existe uma ironia interessante neste primeiro dia de Rock in Rio: em um festival que ainda carrega a fama de apostar nos mesmos grandes nomes, assistir ao Nova Twins — uma banda provavelmente desconhecida por 99% do público que estava na Cidade do Rock — fazendo uma apresentação tão independente, pesada e cheia de personalidade talvez seja, até agora, a coisa mais rock do dia.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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