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Poppy foi a primeira artista da noite metaleira a trazer guitarras com mais de seis cordas para o Palco Sunset, misturando industrial e djent, estrutura pop entrecortada por breaks arrastados e vocal gutural.
É uma artista de contrastes. A imagem delicada da cantora e a voz angelical logo ganham contornos mais soturnos e ameaçadores quando mostra seu lado mais dark e agressivo. Some isso ao fato de seus músicos usarem máscaras perturbadoras. Logo após um início mais enervante, "Concrete" a fez parecer uma intérprete de canção da Disney. Na sequência, a música "Bruised Sky" primeiro a mostrava gritando, com riffs progressivos, para depois desencadear um refrão melódico à la Nightwish.
O público reagiu batendo cabeça com os riffs e breakdowns, fizeram rodinhas e até acenderam sinalizadores. Alguns estavam sendo apresentados à Poppy naquele momento, decidindo se gostavam. Outros abraçaram os contrastes. Estavam ali para isso mesmo.
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Conforme o show avançava, ficava claro que a americana sempre propunha uma atmosfera musical que poderia começar doce (e aí se tornar brutal) ou chegar a um lugar de beleza partindo de uma porradaria sinistra. As dinâmicas mudam completamente dentro de uma mesma canção em um curto espaço de tempo. Ir do pop ao nu metal, ao progressivo e de volta a um mundo colorido é o modus operandi. Manter o público na ponta dos pés, pegá-lo desprevenido, é a graça do processo. Mas se temos músicas de hospício como "Scary Mask", temos "Crystallized" que colocou o público para pular em um ritmo constante e divertido.
Apesar de ser uma artista nova, que ainda precisa se consolidar até mesmo fora do Brasil, sua apresentação não veio com maneirismos de quem grita por aprovação. Foi calcado em uma execução reta e segura, com produção de palco econômica. Sua voz limpa estava impecável. Seus guturais não são impressionantes ao vivo, mas são muito eficientes. Poppy não parecia intimidada pelo público do Rock In Rio, mas também não parecia estar totalmente conectada à plateia. Talvez fosse apenas um foco total na performance e em todo o teatro, já que as mudanças bruscas na música exigem atenção e precisão.
A artista não investiu em conexão direta com as pessoas (não desceu do palco para abraçar fãs, não conversou muito com o público até antes da última música), mas não significa que teve uma resposta fria. O som pesado era estimulante o suficiente para arrancar reação física da galera: pulos, remadas, gritos, corpos balançando, pescoços em movimentos pendulares e uma grande mosh pit, organizada a pedido dela durante "New Way Out".
Caso Poppy fosse vista com certa desconfiança, pelo menos por quem não sabia o que esperar dela, o show no Palco Sunset mostrou que ela foi uma escolha coerente com o perfil desse segundo dia de festival. E para quem já sabia o que esperar, fica a sensação de precisar vê-la novamente, mas mais solta, menos focada na performance pura e curtindo a conexão com os participantes de seu "hospício" sonoro.
