Bad Omens supera problemas de voz e entrega peso, melodia e show de luzes e sombras


Mesmo inseguro com sua voz, por causa de uma condição de saúde, Noah Sebastian encarou o desafio do Rock In Rio e subiu no Palco Sunset com o Bad Omens, abrindo o show com "Specter" e já demonstrando que, mesmo com as dificuldades, o show ia continuar - e muito bem. Mesmo que a voz não estivesse perfeita, estava boa o suficiente para o público não ligar para isso, desde que Noah continuasse no palco.

A prova de fogo veio em seguida, com "Glass House", quando o vocal rascante veio com algumas dificuldades, mas o importante é que Noah não desistiu. Joakim Kalrsson (guitarra) e Nicholas Rufillo (baixo) sempre batiam cabeça ao som de seus próprios riffs, enquanto o baterista Nick Folio mantinha ritmo e controlava a dinâmica, realçando a qualidade da execução dos companheiros. Conforme o show seguiu, Sebastian cantou tanto de voz limpa quanto com suas vociferações. Deixamos de pensar que sua voz em algum momento foi um fator de risco e ficamos hipnotizados pela combinação de som e imagens do show.

O Bad Omens é uma banda relativamente nova no cenário do metal moderno que conquistou fãs no mundo inteiro em pouco tempo. Foi seu primeiro show no Rock In Rio e uma adição importante ao festival, que constantemente precisa se renovar, e o dia 5 de setembro foi dedicado não aos medalhões, mas a bandas que possuem uma pegada mais contemporânea. Além de Poppy e Bring Me The Horizon, Bad Omens e Spiritbox talvez sejam nomes que automaticamente podem ser associados a essa atualidade (podemos pensar em Sleep Token e Peryphery também, mas não vamos nos alongar nessa discussão).


No repertório, uma série de composições que trazem um silêncio melancólico que acabam estourando em um metalcore acelerado e em riffs econômicos e pesados. No palco, uma estética de sombras: quase sem iluminação direta frontal, sobrava para o telão atrás da banda e para os diversos canhões de luz piscar acelerados ou iluminar o grupo pelos lados. Via-se o Bad Omens mais por formas escuras contra as luzes do que como diretamente. Uma decisão artística que aprofunda o clima melancólico nas passagens mais lentas e transforma o peso em algo mais catártico, mas mantendo o tom geral do show sempre sóbrio. Some-se a isso o uso de vídeo entre as músicas, como se uma história estranha estivesse sendo proposta. E assim a aura de mistério cresce.

Antes de mandar o hit "Just Pretend", Sebastian disse que estava com problemas aquela noite e queria que todo mundo cantasse junto. E prometeu que estavam trabalhando em algo muito especial para todos, mas não revelou o que seria (alguém aposta em novo álbum?). Ao encerrar o show com a opressiva "Dethrone", fez todo o público vociferar com ele e depois despejou toda a voz que lhe restava em uma performance cheia de guturais e vocais infernais. Uma grande exibição do cruzamento de metalcore com death metal, para encerrar o show em um clima gostoso de danação.

E não aconteceu a participação da Poppy no show do Bad Omens. Poppy tocou "V.A.N.", a colaboração entre eles, poucas horas antes em seu show, já indicando que talvez o feat não aconteceria no Rio de Janeiro. 

Sebastian, Karlsson, Ruffilo e Folio fizeram um show para não decepcionar nenhum fã ou interessado no Bad Omens. Embora a conexão com a galera não tenha sido das maiores, ficou claro que o formato de suas músicas, o controle da dinâmica sonora e a estética do show funcionam muito bem para tocar a emoção do público.

Lucas Scaliza

Jornalista, músico sem banda e estrategista de marca. Não abre mão de acompanhar os sons do agora. Joga tarô e já foi host de podcast.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Banner-Mundo-livre-SA