Após exatamente um ano de descanso, os deuses do thrash metal, estão de volta. Desde a última apresentação no Hersheypark Stadium, na Pensilvânia, em 20 de setembro de 2025, os fãs aguardavam ansiosamente para ver novamente o Slayer literalmente incendiando os palcos. As férias terminaram 3 semanas antes na primeira semana de setembro de 2026 com não apenas um, mas dois shows consecutivos nos Estados Unidos que já entraram para a história recente da música pesada.
O pretexto para a volta do Slayer "aposentado" aos palcos é definitivamente épico: a celebração monumental de quatro décadas de Reign in Blood (1986), o álbum que expandiu os limites da velocidade e da brutalidade sonora do thrash metal.
A turnê teve seu pontapé inicial na sexta-feira, 4 de setembro, no Mystic Lake Amphitheater, na cidade de Shakopee. Relatos de fãs, meios de comunicação especializados e vídeos nas redes sociais mostram e confirmam que o ambiente no anfiteatro era de pura eletricidade, mosh pits explodem e copos com líquidos são arremessados.
Quando as luzes se apagaram e a introdução em vídeo relembrando a história da banda ecoou, ficou claro que o Slayer 2026 veio com uma superprodução, incluindo gigantescos efeitos pirotécnicos e telões gigantes. O grupo mostrou que a pausa de um ano apenas recarregou sua agressividade sonora e visual. A alegoria do inferno imaginário num sonho católico é plasmado de uma maneira tão gigantesca que a apresentação visual parece uma imersão num mar vermelho e laranja de labaredas e sangue.
O formato do show é dividido em dois atos implacáveis:
A primeira metade funcionou como uma avalanche de clássicos de diferentes álbuns, abrindo pesadamente com “South of Heaven” e varrendo a plateia com marteladas como “War Ensemble”, “Dead Skin Mask”, “Hell Awaits” e “Seasons in the Abyss”. Foi o aquecimento perfeito para o massacre que estava por vir.
O ritual de "Reign in Blood"
O segundo bloco foi inteiramente dedicado à execução de Reign in Blood na íntegra e na sua ordem original de estúdio. São menos de 30 minutos, mas o efeito das 10 canções do álbum ficou preso no subconsciente de milhares de ouvintes da bandas desde seu lançamento em 1986. Um verdadeiro guia de práticas perfeitas do heavy metal brutal e sem frescuras.
Pelos vídeos disponíveis, assim que os acordes macabros de "Angel of Death" invadiram os alto-falantes, percebemos o público em Minnesota entrando em frenesi. O momento exige o resgate de faixas viscerais que o Slayer não tocava ao vivo há anos: pérolas caóticas como "Piece by Piece", "Necrophobic", "Criminally Insane" e "Epidemic" voltaram ao setlist pela primeira vez desde 2014.
A performance enxuta, de menos de meia hora — exatamente como a duração do disco original —, preservou a urgência e a claustrofobia da obra original, culminando na emblemática tempestade de sangue de "Raining Blood".
Ao todo vinte três canções para os fãs do Slayer fazerem seus ingressos valer cada real investido.
A tempestade no Rocklahoma
Sem tempo para pausas, o segundo show foi no domingo, 6 de setembro, a máquina de destruição pousou no Rockin' Red Dirt Ranch em Pryor, Oklahoma, para o encerramento do badalado festival Rocklahoma. O evento de três dias — que celebrou seus 20 anos com nomes como Godsmack e Papa Roach encabeçando os dias anteriores — guardou sua dose máxima de extremismo para o encerramento.
Diante de uma multidão catártica típica de grandes festivais, o Slayer repetiu a estrutura violenta de Shakopee. Apresentar um disco tão rápido, blasfemo e influente de ponta a ponta para a multidão gigantesca do Rocklahoma provou a relevância atemporal do thrash metal.
O caminho até a América do Sul
Com os motores aquecidos e a execução musical perfeitamente afiada por esses dois primeiros espetáculos, a turnê segue sua rota de devastação. Após um desvio para a edição do Knotfest na Cidade do México e outros shows esporádicos, a ansiedade máxima foca na turnê latino-americana em dezembro de 2026.
O épico encerramento do ano acontecerá no dia 17 de dezembro no Allianz Parque, em São Paulo, onde o Slayer recriará este exato roteiro sangrento com o reforço dos alemães do Kreator e da lenda nacional Korzus, prometendo a noite mais pesada de 2026 no Brasil.
Repertório Oficial Completo (Setlist)
Bloco 1: Clássicos e Resgates de Épocas
South of Heaven
Hate Worldwide
Disciple
Mandatory Suicide
Repentless
War Ensemble
When the Stillness Comes (Primeira vez ao vivo desde 2019)
Jihad
Seasons in the Abyss
Born of Fire
Dead Skin Mask
Hell Awaits
213
Bloco 2: "Reign in Blood" (Na Íntegra e na Ordem Original)
Angel of Death
Piece by Piece
Necrophobic
Altar of Sacrifice
Jesus Saves
Criminally Insane
Reborn
Epidemic
Postmortem
Raining Blood
