Os Red Hot Chili Peppers já foram a banda mais legal do planeta. E isso aconteceu em 1991, há exatos 35 anos, quando lançaram o espetacular Blood Sugar Sex Magik, álbum que mudou o patamar dessa banda californiana.
Depois de vender 2 milhões de cópias com o genial Mother's Milk, de 1989, o Red Hot Chili Peppers decidiu mudar. Deu um pé na EMI, assinou com a Warner e depois se trancou numa mansão com o produtor Rick Rubin por dois meses. Pronto: estava descoberta a fórmula do sucesso.
Essas mudanças foram suficientes para o grupo produzir um dos discos mais brilhantes de sua carreira. Menos pesado que o anterior, mas ainda extremamente rock, Blood Sugar Sex Magik foi o ponto alto de um estilo definido por muitos como funk metal. Como alguém mais esperto descreveu na época: "a onda era balançar não apenas as cabeças, mas também os quadris".
Mesmo dominado primeiramente no mainstream por Faith No More e Living Colour, o tal funk metal deu aqui um de seus últimos grandes suspiros, coincidentemente pela banda que também ajudou a defini-lo. E isso funciona maravilhosamente bem graças a química do quarteto - que gravou o disco num quase ao vivo no estúdio - e a sagacidade de Rick Rubin, que extraiu dos Chili Peppers a musicalidade, a juventude, e o espírito alternativo numa mesma tacada.
A magia da banda tão forte na década de 80 está com M maiúsculo neste trabalho. As letras, a postura e o som dançante fizeram deles a banda mais divertida do momento. E essa tarefa não era tão fácil, pois o rock respirava o grunge e uma galera ainda mais pesada, como Metallica e seu Black Album, por exemplo. Talvez até por isso o Red Hot Chili Peppers tenha sido o caminho oposto a seguir.
Com uma sonoridade mais on stage, de palco mesmo, Blood Sugar Sex Magik traz uma banda inspiradíssima, e as músicas possuem algo especial. Elas tinham um formato excelente tanto para as rádios quanto para as funcionalidades de um palco. É um disco muito bom para se ouvir nas rádios e muito bom para se ver ao vivo também. Não à toa, para muitos, fizeram seu melhor show no Brasil em 1993, no Hollywood Rock.
O disco traz Flea e Chad Smith com toda a desenvoltura possível, o que, consequentemente, dava a John Frusciante uma tela enorme para suas pinceladas hendrixianas. É o caso da faixa-título, que traz um riff cheio de distorção e efeitos wah-wah, ou do estouro maior de “Give It Away”, que possui um videoclipe meio louco, no qual a banda aparece pintada de prata no meio do deserto. A pancadaria de Mother's Milk vem em doses mais calculadas, mas está vibrante em “My Lovely Man” e no outro hit, “Suck My Kiss”.
A grande surpresa do disco, porém, é a inclusão das baladas. O Red Hot Chili Peppers, que primava por composições enérgicas, resolveu arriscar em Blood Sugar Sex Magik. E talvez esse tenha sido o maior diferencial do álbum. Além de “Breaking the Girl”, “Under the Bridge” foi o maior sucesso do grupo. A música ficou marcada pelo riff de guitarra e pela letra de Kiedis, que fala de uma tal ponte num local meio barra-pesada de Frisco.
Ao todo, o disco vendeu 14 milhões de cópias e foi uma febre quase interminável. Vale lembrar também, que na época, Blood Sugar Sex Magik foi o primeiro álbum duplo da banda - ou seja, dois LPs.
O resultado desse sucesso meteórico trouxe algumas sequelas ao grupo. O Red Hot Chili Peppers perdeu John Frusciante no meio da turnê - ele não tocou no Brasil - e deixou Flea de molho por um ano, diagnosticado com fadiga crônica.
Mesmo assim, Blood Sugar Sex Magik virou a cabeça de uma molecada mais descolada, que trocou a calça jeans pelos bermudões, as bicicletas pelo skate e se transformou no chiclete de todo verão.
Muitos poderiam citar uma ênfase parecida causada pela banda quase dez anos depois, com Californication. Mas digo, com toda a certeza que tenho: se o Red Hot Chili Peppers pudesse ser definido por um único trabalho, certamente seria por este disco lançado em 1991. Fundamental.

