| Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board |
Há
pouco mais de um ano, o Pentagram
esteve no mesmo Fabrique Club, em São Paulo, para celebrar sua história diante
de uma plateia devota. Naquela noite, o clima era de celebração. Agora, o
cenário se repetiu, mas com um ingrediente que muda completamente o significado
da apresentação: a banda está em sua Farewell
Tour – Last Latin American Run 2026, anunciada como sua despedida dos
palcos latino-americanos.
E,
se existe algo que ficou claro nesta nova passagem pelo Brasil, é que o
Pentagram não entrou no palco com qualquer aparência de banda em fim de
carreira. Pelo contrário. Entrou para tocar. E tocou muito.
Fuzzly prepara o terreno
A
banda de stoner rock fez um ótimo
show e encontrou um público bastante receptivo desde os primeiros acordes. Com
um som pesado e envolvente, foi conquistando espaço até terminar a apresentação
sob aplausos e uma merecida ovação.
Foi uma abertura que
funcionou muito bem: a Fuzzly não apenas cumpriu a tarefa de preparar a casa
para o Pentagram. Saiu do palco deixando o público ainda mais aquecido para o
que viria a seguir.
O culto continua
| Foto: Carol Goldenberg / Rock On Board |
Quando o Pentagram entrou no palco, a resposta foi imediata. A banda estava animada, afiada e claramente disposta a entregar tudo. Do outro lado, um público insano, emocionado e completamente entregue.
A
sensação, para quem acompanhou a apresentação do ano passado, era de déjà vu. O
show desta vez foi muito parecido com aquele realizado em 2025 – inclusive na
estrutura do repertório. E isso não chega a ser um problema quando se tem um
catálogo como o do Pentagram e uma plateia disposta a celebrar cada música.
Há pouco mais de um ano, a
banda já havia apresentado em São Paulo um set curto, de aproximadamente uma
hora, com onze músicas, misturando material de “Lightning in a Bottle” com
clássicos de diferentes momentos da carreira. “The Ghoul”, uma das faixas mais conhecidas do grupo e aquela que
ganhou uma nova vida graças ao famoso meme envolvendo Bobby Liebling, também ocupou posição de destaque naquele
repertório.
Nesta
noite, a história se repetiu: “The Ghoul”
foi a terceira música do set. E, a essa altura, o público já estava
completamente entregue.
Talvez
o ponto mais curioso da apresentação seja justamente a ausência de grandes
picos. O show é bastante linear. Não existe uma sequência de grandes surpresas
ou um momento que se sobreponha claramente aos demais. O Pentagram simplesmente
mantém a apresentação em alto nível, música após música, sustentado por uma
banda muito bem entrosada e por um repertório que fala por si.
E isso diz bastante sobre a
força do grupo.
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Não é preciso transformar cada música em um acontecimento quando se está diante de uma obra construída ao longo de mais de cinco décadas. O Pentagram é uma das bandas fundamentais para a formação da linguagem que viria a ser conhecida como doom metal, ainda quando o heavy metal sequer havia definido completamente seus contornos.
No
palco, porém, não há espaço para nostalgia excessiva. O que existe é música
pesada, músicos afiados e Bobby Liebling à frente de uma plateia que sabe
exatamente o significado daquele momento.
Uma hora passa rapidamente.
E
talvez essa seja a melhor medida do sucesso da apresentação: mesmo para quem já
havia visto praticamente o mesmo espetáculo pouco mais de um ano antes, o show
não se transforma em mera repetição. A emoção do público dá outro sentido às
músicas.
Porque
desta vez existe a possibilidade – ainda que uma turnê de despedida possa
sempre deixar uma porta entreaberta – de que aquela seja uma das últimas
oportunidades de assistir ao Pentagram em um palco brasileiro.
Em
2025, escrevi que aquela havia sido uma noite para quem entende o metal não
apenas como gosto musical, mas como estilo de vida. Um ano depois, a sensação
permanece.
A
diferença é que agora existe uma espécie de ponto final pairando sobre o palco.
O
Pentagram passou por São Paulo novamente, entregou um show consistente,
encontrou um público apaixonado e deixou sua marca mais uma vez. Não precisou
reinventar o repertório, criar grandes efeitos ou transformar a despedida em
espetáculo teatral.
Bastou
ser Pentagram.
Se foi uma despedida, foi
em alto nível.

