No começo da noite, o Tributo ao Cólera começa a pancadaria na pista, preparando o terreno para o que viria a seguir. Noite chuvosa e os seguidores da figura do Jimmy London compareceram em peso, sejam vindos de shows do Matanza ou das novas andanças do vocalista. Lotado está o Heavy Beer na mítica Rua Ceará, na Praça da Bandeira, na Zona Norte do Rio. Do lado de fora, uns 400 motoqueiros se dividem entre os 6 bares que espalham som e bandas pela rua. Outra numerosa multidão que comprou ingressos veio ao encontro para entoar os cânticos piratas do Rats.
A formação nova vem trazendo Pedrita Rocha na sanfona. Jimmy London no violão aumenta o peso na linha de frente, somando-se ao baixo de Bruno Pavio e à guitarra de Eric Rosa. Os coros de festejos continuam intensos. Algumas rodas agitam o meio, mas a maioria veio para cantar. A mistura de hardcore clássico com street punk e música celta leva ao balanço agitado dos presentes, inflamados durante "Mesmo sem Crime Algum".
A banda apresenta o EP Hecho en Casa, um trabalho intimista e autêntico gravado no próprio estúdio. Com três faixas inéditas, o projeto traz uma sonoridade crua e envolvendo, misturando country, folk e punk rock. Entregam um som visceral e cheio de personalidade, com letras que abordam reflexões sobre a vida, experiências pessoais e questões sociais, mantendo a identidade forte que conquistou o público.
O Rats transformou a clássica casa num verdadeiro palco com cortina, marquise com luzes e praticável ocupando o espaço da mesa de sinuca, duplicando o espaço útil do bar. A mistura de instrumentos sobrepostos é coordenada pela batida constante do baterista Pedro Richaid, que dita o ritmo e a andança que abraça as composições. Fernando Oliver, no banjo e bandolim, canta praticamente em todas as canções em duos ou até trios de vocalistas, o que faz de toda a apresentação algo singular e não focado numa única figura na frente do palco. Quase o show completo prevalece a sanfona de Pedrita como acompanhante das cantorias.
| Foto: Loquillo Panamá / Rock On Board |
Na introdução falada antes de "O Jogo", Jimmy observa que sabemos que perderemos a aposta e mesmo assim continuamos "achando maneiro". Depois de uma hora e 15 de show, o Rats apresentou, no quente Heavy Beer abarrotado, um manifesto de resistência fora da curva.
Jimmy & Rats não é metal, não é punk, não é pop. Uma fórmula específica seguida por centenas de bandas no globo do Gogol Bordello ao Mano Negra ou The Pogues, passando pelo The Rumjacks, Flogging Molly, Dropkick Murphys ou até o Giuda. Canções para cantar em multidão e no coletivo. Rats surgiu como um legítimo representante carioca e brasileiro e mesmo após múltiplas formações o discurso segue de pé na estrada e levantando na poeira.
Se é mera distração ou se é a outra metade do Jimmy London, com certeza ele sabe como utilizar a oportunidade de apresentar outro universo que, embora lembre em alguns pontos o Matanza, consegue existir em outro ecossistema completamente independente de amarras, dogmas ou credo. Liberdade total para prosseguir o seu intelecto artístico. Jimmy encontrou no Rats uma gama diversa de vertentes para representar muitos personagens ao mesmo tempo.
Diversão garantida e festa no salão. Não perca esse encontro de gigantes.
Setlist Oficial Completo — 26 de Junho
Pikeman's March (Intro)
Do Meu Jeito
Medo (Cólera cover)
Anne Bonny
Escárnio (Matanza cover)
O Velho e o Cão
Polca Paciência
Baltazar
O Lobo do Mar
Legião dos Renegados
Carinho
Quem Faz
Tempo Ruim (Matanza cover)
Redemption Song (Bob Marley & The Wailers cover)
Sol Menor
Posso, Devo e Quero
Mesmo Sem Crime Algum
Crime Calado
O Jogo
John Ryan's Polka
Bis
Ela Roubou Meu Caminhão (Matanza cover)
Pense Nisso Quando me Soltar
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