“Hunger Strike”: 35 anos do hino que ajudou a moldar o grunge


Em 1991, Seattle se tornou o epicentro do rock mundial. Com o lançamento de Nevermind, do Nirvana, naquele ano, todos os holofotes do show business se voltaram para a remota cidade dos EUA. Mas já haviam coisas relevantes acontecendo por lá bem antes disso.

No dia 11 de abril de 1991, um grupo de músicos locais lançou um single, que acabaria se tornando um hino de uma geração inteira: "Hunger Strike", do então desconhecido "supergrupo" de Seattle, Temple of the Dog.

Uma homenagem que virou algo maior

A música nasceu como parte do tributo de Chris Cornell ao amigo Andrew Wood, vocalista do Mother Love Bone, morto pouco tempo antes. "Hunger Strike" faz parte de um álbum homônimo, que se tornou um clássico e rendeu um dos maiores sucessos da década de 90. Mas, o estouro veio apenas um ano depois.

Apesar do clipe ter sido lançado na MTV praticamente junto ao lançamento do single, ele não teve grande apelo popular inicialmente. O próprio álbum teve venda tímida em 1991 - apenas 70 mil cópias.

O estouro aconteceu após o sucesso de Ten, do Pearl Jam. Com o sucesso das bandas de Seattle, a MTV colocou o clipe em "heavy rotation", o que fez com que as vendas do álbum disparassem, chegando a platina duplo nos EUA. Já "Hunger Strike" chegou ao quarto lugar da parada da Billboard.

Um clipe que virou referência


Gravado com orçamento apertado, o vídeo dirigido por Paul Rachman acabou definindo uma estética que seria replicada ao longo da década. Paul foi escolhido para o trabalho após ter dirigido o clipe de "Man in the Box", do Alice in Chains

Aconteceram algumas divergências quanto à filmagem. Enquanto Chris Cornell e Matt Cameron queriam apenas uma produção cinematográfica, sem rostos, apenas a música e a paisagem, os caras do Pearl Jam queriam aparecer, já que estavam recém formados e queriam ficar conhecidos.

O momento que tudo mudou

E aí entra Eddie Veder. Recém-chegado à cena, tímido, ainda tentando encontrar seu espaço, Vedder foi quem tomou a iniciativa em "Hunger Strike". Durante os ensaios, ele percebeu que Cornell estava tendo dificuldade em sustentar sozinho as duas linhas vocais do refrão. Foi aí que ele pegou o microfone e cantou a emblemática frase "I'm going hungry". Cornell não pensou duas vezes em trazê-lo ao estúdio para gravar essa música. A sintonia e amizade entre os dois aumentou muito nesse período. 

Um outro detalhe, é que Vedder estava com vergonha de gravar o clipe. O vocalista do Pearl Jam não estava acostumado a essa exposição. Paul Rachman então o colocou no meio do mato alto e disse: "apenas olhe para o horizonte e cante! Esqueça da câmera!". Curiosamente, que esse "take" virou uma marca registrada e uma referência de expressão para muitos vocalistas que vieram a seguir. Não é à toa que Eddie Vedder cita "Hunger Strike" como a primeira música "de verdade" que ele participou da gravação. 

“Hunger Strike” é o tipo de música que prova uma coisa simples: Nem todo clássico nasce gigante. Alguns crescem. Amadurecem. Ganham peso com o tempo. O que começou como um tributo discreto virou um dos pilares emocionais da cena de Seattle — e um dos registros mais humanos daquela geração. Como um bom vinho, precisou de tempo. E, três décadas depois, continua intacto.

Rafael Rodrigues

Carioca, flamenguista e apaixonado por música! Flutuando entre o mundo corporativo e o lúdico musical. Algumas dezenas de shows cobertos e resenhas escritas, na aventura do rock'n roll desde sempre, escrevendo sobre ele há mais de uma década!

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