A banda carioca Santos Ocos apresenta seu primeiro trabalho de estúdio, o EP Fissura, um cartão de visitas que revela identidade, coesão e uma sonoridade bem definida logo de cara. Com composições realizadas em parceria com Megh Stock (ex-Luxúria), o grupo se distancia do rock alternativo mais direto e aposta em uma mistura consistente de hard rock, groove pesado e atmosferas densas.
A abertura com a faixa-título já deixa claro o caminho: um riff marcante, com pegada moderna e peso bem distribuído. “Fissura” é a música mais agressiva do EP, sustentada por guitarras afiadas que servem de base para o vocal firme e seguro de GLAU, que se impõe com naturalidade.
Na sequência, “Éter” reduz a intensidade sem perder consistência. A faixa caminha por um território mais reflexivo, com uma letra que aborda entrega e confiança diante da vida. "Fica aqui, onde as cimas não me abalam. Eu não preciso resistir", canta GLAU. O resultado é uma canção que equilibra melodia e mensagem, mostrando uma outra faceta da banda.
Mas é em “Rosário” que o Santos Ocos parece encontrar seu ponto de equilíbrio ideal. A faixa sintetiza com precisão a proposta do grupo: peso e melodia caminhando lado a lado. O riff simples e direto gruda com facilidade, enquanto GLAU explora variações vocais que evidenciam sua versatilidade e presença.
Encerrando o trabalho, “Encontro do Céu” aposta em uma base conduzida pelo baixo, criando uma atmosfera envolvente que culmina em solos de guitarra bem trabalhados. A sensação final é clara: o EP cumpre seu papel como apresentação e deixa um gosto de continuidade.
Com Pedro Nogueira e Sid Vaz nas guitarras, Alex Ferro no baixo, Bruno Baiano na bateria e GLAU nos vocais, o Santos Ocos mostra que não está apenas começando — está começando com direção. Fissura é um debut consistente, que aponta para um futuro promissor dentro do rock nacional.
