Papangu encara o tempo e o ego em “Colosso” — sem concessões, sem conforto

Foto: Eli K. Hayasaka / Rock On Board

Na última sexta-feira (24/04), a Papangu lançou “Colosso”, segundo single de seu terceiro álbum — e aqui não tem pressa nem concessão.

Embora os teclados de Rodolfo Salgueiro conduzam a espinha dorsal da faixa, é na bateria de Vitor Silva que a narrativa realmente se desenha. Começa contida, quase disciplinada, e aos poucos cresce, ganha peso e cria tensão.

No meio do caminho, bateria e triângulo se encaram em um duelo tão improvável quanto preciso — tradição e densidade dividindo espaço sem soar forçado. A partir dos quatro minutos, Vitor assume o controle: a batida avança, empurra, ocupa. Recuo breve para a guitarra respirar, e então o retorno vem em forma de explosão no minuto final, com todos os instrumentos no limite.

A canção ganhou um belo clipe, que pode ser visto através do link abaixo:


As referências —
Clube da Esquina, Azymuth e Magma — aparecem como ecos, nunca como muleta.

Gravada em fita, longe da assepsia digital, “Colosso” aposta na construção paciente, na tensão acumulada e na descarga coletiva — uma escolha estética que reforça o peso da composição.

E não, não é confortável — nem deveria ser.

Capa do Single


Ricardo Cachorrão

Ricardo “Cachorrão” é o velho chato gente boa que não pede licença pra gostar de música. Viciado em rock and roll, formou opinião longe de rádio, longe de MTV e perto demais de pilhas de discos e revistas. Tem alergia a banda cover, respeito profundo por discos obscuros do Frank Zappa e ainda sai sorrindo de um show do Iron Maiden — mas é no calor, no barulho e no caos dos buracos punk da periferia que se sente vivo de verdade. Já escreveu para Rock Brigade, Kiss FM, Portal Rock Press e a Revista Eletrônica do Conservatório Souza Lima. Está no Rock On Board desde o começo — e não pretende sair tão cedo.

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