Com um calor de rachar e cercado pela expectativa da nova formação, o Korzus subiu ao palco já impondo respeito — literalmente batendo cabeça desde o primeiro segundo.
Se houve um ponto negativo, foi o público esvaziado, claramente impactado pelo horário ingrato. Uma pena, porque o que se viu no palco foi um show de altíssimo nível.
Logo de cara, Jean Patton e Jessica Falchi deixaram evidente o porquê da escolha: duas guitarras afiadas, entrosadas e cheias de peso. À frente, Marcello Pompeu segue desafiando o tempo — a energia é a mesma de décadas atrás.
Fica inevitável a reflexão: como uma banda desse calibre não alcançou o mesmo reconhecimento internacional que o Sepultura?
“Façam o barulho do inferno!”, bradou Pompeu ao apresentar a nova dupla de guitarras. E, apesar do nome que poderia confundir com uma dupla sertaneja, Jean e Jéssica entregam pura violência sonora — algo que já aparece com força em “No Light Within”, cartão de visitas dessa nova fase: direta, reta e sem concessões.
Na quinta música, a banda já parecia completamente entrosada — difícil acreditar que era apenas o segundo show com essa formação. Mais difícil ainda foi entender a baixa adesão do público. Um show absurdo, pouco prestigiado por uma cena que frequentemente reclama da falta de espaço.
Clássicos como “Pay For Your Lies” vieram ainda mais pesados ao vivo, reafirmando o Thrash Metal na sua forma mais pura.
O momento de “Never Die”, com o pedido de Pompeu para que o público se abaixasse, funcionou como um aceno direto à velha guarda — e foi atendido pela maioria (com exceções pontuais). As imagens de arquivo no telão deram um peso emocional extra.
No fim, “Correria” fechou o set como um verdadeiro petardo. Curto, direto e devastador. Um início brilhante para o festival e mais uma prova de que o Korzus segue sendo uma das bandas mais lendárias e injustamente subestimadas do metal nacional.
