Royel Otis: o fenômeno australiano que une "Indie Kids" e millennials numa rave de guitarras

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Royel Otis Pretende Transformar o Palco Samsung Galaxy numa festa no Lollapalooza 2026. Uma das mais recentes exportações do indie australiano dos últimos anos, o duo estará no palco Samsung Galaxy do Lollapalooza Brasil às 15:50 do domingo, 22 de março  no Autódromo de Interlagos.

Royel Otis é uma dupla australiana de indie pop de Sydney, formada em 2019 por Royel Maddell e Otis Pavlovic. Conhecidos por seu som ensolarado, melódico e muitas vezes nostálgico, eles alcançaram sucesso internacional rápido com sucessos como "Oysters in My Pocket" e covers virais de músicas do The Cranberries e Sophie Ellis-Bextor​No final de janeiro de 2024, Royel Otis apresentou um cover no quadro Like a Version da música "Murder on the Dancefloor", de Sophie Ellis-Bextor, para a rádio australiana Triple J. O cover viralizou, atingindo as paradas em fevereiro.

Provavelmente o duo terá na plateia uma mistura de "indie kids" da nova geração e millennials nostálgicos, e rapazes prometem: uma festa de festa elétrica, esfumaçada e carregada de guitarras melódicas no meio do sol ou da garoa paulistana. ​A dupla deve subir ao palco cercada por telões em tons rosa neon e animações surreais que já se tornaram sua marca registrada. 

Hoje em dia, bandas jovens e relativamente desconhecidas surgirem do nada e terem sucesso imediato é mais a exceção do que a regra, o que torna o sucesso quase instantâneo do Royel Otis algo admirável. Anteriormente conhecidos casuais, Royel Maddell (guitarras) e Otis Pavlovic (vocais) decidiram começar a trabalhar juntos em 2019 e, após emergirem de uma pausa forçada em 2020, lançaram o primeiro de três EPs em outubro de 2021. EPs adicionais seguiram-se a cada ano, culminando no lançamento do primeiro álbum completo da dupla, Pratts & Pain.

​Com um som de indie-pop e guitar-rock acessível, o Royel Otis aproveitou plataformas como YouTube, Spotify e Bandcamp para conquistar seguidores, e tanto as rádios de rock alternativo via satélite quanto as terrestres (as que restam) simpatizaram com o som da banda. Os números de streaming são altíssimos e, embora isso possa ser alcançado devido à inclusão em playlists do Spotify, nem sempre se traduz em venda de ingressos. 

No caso do Royel Otis, porém, esgotar locais de 200 a 500 pessoas nos EUA nesta primavera resultou em uma segunda etapa da turnê ainda este ano em locais com o dobro ou triplo do tamanho dos clubes onde tocam atualmente. Com tanto impulso, há pouca dúvida de que esses shows também esgotarão.

Royel, com seu trabalho de guitarra preciso e intenso, contrasta perfeitamente com a energia "quirky" (excêntrica) e os vocais descontraídos de Otis. Presenciaremos a  evolução de uma banda que, há apenas dois anos, tocava em clubes para 200 pessoas e hoje comanda multidões de dezenas de milhares com a facilidade de veteranos em festivais ao redor do mundo .

​"I Hate This Tune", single do aclamado álbum Hickey (lançado em agosto de 2025), assim como  "Adored" e "Heading For The Consol" devem manter a energia alta, consolidando o som que mistura o frescor do indie rock com o brilho melódico do pop oitenta. Espere grandes momentos na primeira metade do show com "Kool Aid", "Moody" e "Car" trazendo a atmosfera ensolarada de Sydney diretamente para o asfalto de Interlagos. 

O som da Australia mudou muito desde o sucesso no Brasil de bandas como The Church , Inxs  Australian Crawl, The Cruel Sea, Gangajang ou Spy Vs Spy.  Nem por isso perdeu a diversão garantida. 

A conexão entre a dupla e o público brasileiro promete transcender a barreira do idioma logo nos primeiros acordes de "Come on Home" queridinha do streaming , ou em "Bull Breed", "Fried Rice", e  "Sofa King". O público brasileiro, conhecido mundialmente por sua entrega, promete  transformar  faixas como "Shut Up" e "More to Lose" em verdadeiros karaokes coletivos. Será que o som "guitar-pop" da dupla encontrara um lar definitivo na capital financeira do Brasil? ​Veremos se "I Wanna Dance with You", que serviu como uma ponte perfeita entre o indie rock cru do início da carreira e o polimento pop do novo álbum vingou com o público presente cedo em Interlagos. 

​É impossível falar de Royel Otis em 2026 sem mencionar o impacto cultural de suas releituras para a dançante "Murder on the Dancefloor" (Sophie Ellis-Bextor) e a sensibilidade de "Linger", cover do The Cranberries. O fenômeno dos covers, que muitos críticos temiam que pudesse ofuscar o material autoral, provou ser a "arma secreta" para ganharem festivais.

O Royel Otis não é apenas uma banda de momento, mas um projeto com fôlego na procura de grandes arenas. Eles conseguem a proeza de transformar um palco de festival em um clube íntimo e, ao mesmo tempo, em uma rave indie. Para quem testemunhar o show deste domingo, ficará clara a transição de "promessa australiana" para "agitador de multidões". 

Estamos ansiosos.

Possível  ​Setlist Lollapalooza Brasil 

​I Hate This Tune
​Adored
​Heading for the Door
​Kool Aid
​Moody
​Car
​Come on Home
​Shut Up
​More to Lose
​I Wanna Dance with You
​Bull Breed
​Fried Rice
​Sofa King
​Murder on the Dancefloor (Sophie Ellis-Bextor cover)
​Say Something
​Linger (The Cranberries cover)
​Oysters in My Pocket

Loquillo Panamá

Nômade agregador de ritmos musicais e fanático por shows. Está sempre correndo atrás de novidades para multiplicar e informar os amantes de boa música.

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