QOTSA no Rock in Rio: 25 anos do show com nudez no palco e prisão

 
Há exatos 25 anos, o Rock in Rio vivia um de seus momentos mais caóticos, controversos e inesquecíveis. Em 2001, o Queens of the Stone Age subiu ao palco ainda longe do status de grande banda — mas sairia dali marcado para sempre por um episódio que misturou rock, excesso, censura e prisão.

O responsável pelo escândalo foi o então baixista Nick Oliveri, figura conhecida por sua postura imprevisível e explosiva dentro e fora dos palcos. Durante a apresentação, Oliveri simplesmente ficou completamente nu em cena, em um gesto que, segundo ele mesmo afirmaria anos depois, era uma provocação direta às regras, à moral e à própria ideia de controle sobre o rock.

O problema é que o Rock in Rio não era um clube underground em Palm Desert. Era um festival gigantesco, televisionado pela primeira com transmissão ao vivo de todos os shows do Palco Principal, contando com o advento da internet no Brasil e uma exposição até então nunca obtida. O resultado foi imediato: Nick Oliveri foi detido pela polícia logo após o show, acusado de atentado ao pudor. A banda deixou o festival envolta em confusão, manchetes e uma aura ainda mais perigosa.

Essa era a primeira vez do QOTSA no Brasil, e chegavam com um álbum que tinha estourado as barreiras do mainstream (Rated R), por conta de um single provocativo que abordava nomes de várias drogas ("Feel Good Hit Of The Summer"). Mas no Brasil, o grupo ainda não tinha conquistado popularidade e estava totalmente fora do radar dos fãs de Iron Maiden - que fechava a noite.

Rock como transgressão — ou postura desnecessária?

Passadas duas décadas e meia, o episódio segue dividindo opiniões. Para alguns, o ato de Oliveri representou o espírito mais cru do rock’n’roll, aquele que não pede licença, não se adapta e não se preocupa em agradar patrocinadores ou emissoras. Para outros, foi apenas um ato gratuito, impulsivo e autodestrutivo, que pouco acrescentou musicalmente à apresentação.

O fato é que o Queens of the Stone Age jamais seria o mesmo depois daquele período. Poucos anos depois, Nick Oliveri acabaria demitido da banda, e Josh Homme conduziria o grupo para um caminho mais focado, menos caótico e artisticamente mais consistente — o que culminaria em mais álbuns históricos e no reconhecimento mundial que o QOTSA tem hoje.


Um Rock in Rio diferente nos dias de hoje

Relembrar esse episódio também é lembrar de um Rock in Rio muito diferente do atual. Hoje, em tempos de contratos milionários, transmissões milimetricamente calculadas e gestão de imagem, um episódio como é simplesmente impensável. 

Talvez por isso, o show do QOTSA em 2001 nem é tão lembrado hoje em dia pelo repertório, mas pelo fato de um episódio polêmico, que entrou para a história como algo lendário - ainda mais pegando como referência os novos tempos.

Gostando ou não do gesto de Nick Oliveri, ele simboliza para muita gente, uma era em que o rock ainda parecia perigoso, imprevisível e fora de controle em cima do palco. Algo que, para muitos fãs, faz cada vez mais falta. Esse episódio controverso é um lembrete incômodo de que o rock, quando domesticado demais, talvez perca justamente aquilo que o tornou tão poderoso ao longo dos tempos.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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