O Living Colour desembarca no Brasil com a turnê “The Best of 40 Years Tour”, que comemora quatro décadas de carreira da banda. As apresentações acontecem em 26/02 em Porto Alegre (Opinião), 27/02 em São Paulo (Tokio Marine Hall), 28/02 no Rio de Janeiro (Sacadura 154) e 01/03 em Curitiba (Live Curitiba).
Formado em Nova Iorque em 1984 pelo guitarrista Vernon Reid, o Living Colour sempre foi reconhecido por romper barreiras sonoras, misturando rock, metal, funk, jazz, punk e hip-hop de forma única. A banda ganhou projeção mundial após ser descoberta por Mick Jagger, que não apenas apresentou o grupo a um público maior como também os convidou para abrir shows dos Rolling Stones, parceria que impulsionou a carreira do quarteto em escala global.
Apadrinhados por Mick Jagger
Em 1988, o Living Colour assinou contrato com a Epic Records por sugestão de Mick Jagger, que produziu a fita demo da banda. O álbum de estreia, Vivid (1988) — produzido em grande parte por Ed Stasium, engenheiro de som dos Rolling Stones — foi um sucesso imediato e colocou o grupo entre as maiores revelações do rock no fim dos anos 1980.
Reid e o baterista Will Calhoun retribuíram o apoio de Jagger participando como convidados no álbum solo do vocalista dos Stones, Primitive Cool.
“Chegamos a considerar gravar de forma independente, mas a confiança que Jagger depositou em nós abriu muitas portas”, relembra Reid.
Tudo começou quando Vernon Reid participou de uma audição para a banda solo de Jagger, que ficou impressionado com o guitarrista. Tanto que fez questão de assistir a um show do Living Colour no lendário — e hoje extinto — CBGB, no Lower East Side, em Nova Iorque.
Um hit poderoso
Muito antes de Jagger dar uma mãozinha, o Living Colour já havia composto seu grande cartão de visitas: “Cult Of Personality”, música que se tornaria seu maior sucesso. Conduzida por um riff poderoso, a canção surgiu durante um ensaio em um loft no Brooklyn.
“Aquele riff tinha uma vibe meio Led Zeppelin, mas também algo da Mahavishnu Orchestra”, lembra Reid. “Era baseado numa sequência de notas que o Corey cantou — minha tentativa foi reproduzir aquilo na guitarra. Eu já tinha a letra, mas quando a música ficou pronta, ela ganhou vida própria.”
O uso de trechos de discursos de John F. Kennedy, Malcolm X e Franklin D. Roosevelt reforçou a mensagem política da faixa, que questiona a idolatria a figuras públicas e expõe como líderes frequentemente decepcionam o cidadão comum.
“Cult Of Personality” chegou ao Top 20 nos Estados Unidos, alcançou o 67º lugar no Reino Unido e rendeu ao Living Colour o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock em 1989. O álbum Vivid vendeu cerca de dois milhões de cópias em todo o mundo.
Mas seu impacto foi além das paradas. A faixa também influenciou diretamente uma das bandas mais importantes da década seguinte: o Rage Against The Machine.
“Tom Morello já me disse que pensou em formar uma banda quando ouviu ‘Cult Of Personality’ pela primeira vez. Aquela música o inspirou”, conta Reid, orgulhoso. “Fizemos parte de uma verdadeira mudança cultural.”
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