Roger Waters: um novo 'Dark Side of the Moon' feito por quem de direito

Roger Waters

The Dark Side Of The Moon Redux
⭐⭐⭐✰4/5
Por  Ricardo Cachorrão 

The Dark Side of the Moon”, aquele disco do Pink Floyd que completou 50 anos em março deste ano, e que é um dos mais importantes álbuns de todos os tempos na história da música, e não apenas do rock, que vendeu mais de 50 milhões de cópias em todo o mundo – e ainda vende em 2023, que ficou 15 anos seguidos na parada dos discos mais vendidos da Billboard desde o lançamento, saiu da lista e voltou pouco tempo depois, que ainda hoje circula por lá, aquele disco que para muitos é perfeito e ninguém deveria mexer, acabou de receber uma versão “atualizada”, do único com direito de fazer isso: seu pai, que escreveu todas as letras, Roger Waters.

Antes de qualquer coisa nesta resenha, tenho que deixar claro duas coisas, primeiro que, como fã ardoroso, e muito crítico de Pink Floyd, The Dark Side of the Moon, que é sim um disco fabuloso, nunca esteve entre meus álbuns preferidos da banda, por uma mera questão de gosto pessoal, e, segundo, apesar de inevitável para a maioria, minha tentativa é ouvir e analisar este lançamento sem comparar com disco de 1973.

Aos 80 anos, o inquieto e polêmico Roger Waters, que não perde uma oportunidade de palpitar sobre política, ecologia ou qualquer outro assunto de interesse público mundial, nos trás uma versão mais “orgânica” do famoso álbum de 1973. Sem os sintetizadores e teclados de Richard Wright, se perde a “veia” psicodélica do álbum original, mas ganhamos um disco muito bom, mais introspectivo, mais pessoal, de Roger Waters.

A ideia nunca foi ser fiel ao original, mas, trazer uma visão de um senhor de 80 anos sobre um trabalho feito com outros colegas na juventude. A sequência das músicas permanece a mesma: “Speak to Me”, “Breathe”, “On the Run”, “Time”, “The Great Gig in the Sky”, “Money”, “Us and Them”, “Any Colour You Like”, “Brain Damage” e “Eclipse”, mas, de maneira soturna, com a voz grave de Waters se sobressaindo a tudo, com longos discursos adicionados nas músicas e, como dito anteriormente, é mais introspectivo.

Não cometa a heresia de comparar os álbuns, clássicos como “Time”, “Money” ou “Us and Them” são outros aqui, e “The Great Gig in the Sky” sem os vocais originais de Clare Torry é irreconhecível. Mas isso, em momento algum, significa ruins, apenas, diferentes.

The Dark Side of the Moon Redux” é um disco que merece estar na prateleira do verdadeiro fã de Pink Floyd e, podem torcer o nariz, mas é, de longe, muito melhor que tudo o que a banda pop Pink Floyd fez da década de 80 para frente, quando liderada por David Gilmour. Se era desnecessário, não entro no mérito, mas, foi feito e trabalhado por quem tem esse direito, Roger Waters, que fez sim, um novo álbum lindo.

Ricardo Cachorrão

Ricardo “Cachorrão” é o velho chato gente boa que não pede licença pra gostar de música. Viciado em rock and roll, formou opinião longe de rádio, longe de MTV e perto demais de pilhas de discos e revistas. Tem alergia a banda cover, respeito profundo por discos obscuros do Frank Zappa e ainda sai sorrindo de um show do Iron Maiden — mas é no calor, no barulho e no caos dos buracos punk da periferia que se sente vivo de verdade. Já escreveu para Rock Brigade, Kiss FM, Portal Rock Press e a Revista Eletrônica do Conservatório Souza Lima. Está no Rock On Board desde o começo — e não pretende sair tão cedo.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Banner-Mundo-livre-SA